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Catálogo

Abre hoje na Arte Plural Galeria  mostra Catálogo: Arte Plural Galeria. São 16 fotos de 16 fotógrafos que desde setembro constituem o catálogo da galeria.

Nos últimos anos, a fotografia tem aparecido cada vez mais nas mostras de arte contemporânea, assim como é crescente o número de coleções e colecionadores dessa expressão artística. No Brasil, esse mercado também está em expansão. Galeristas, arquitetos e decoradores se interessam cada vez mais por essa forma de arte. Isso sem falar nos novos cursos acadêmicos de graduação e pós-graduação em fotografia. Mercado e leilões fotográficos não são, porém, tão recentes assim. No início do século XX, nos Estados Unidos, Alfred Stieglitz abre a Galeria 291, dedicada à exposição de fotografias. Na sua esteira, nos anos 1930, o Museu de Arte Moderna de Nova York consagra um espaço específico para mostrar fotografias e inicia sua própria coleção. Leilões fotográficos surgem no final dos anos 1960, mas seu boom se dá a partir dos anos 1980, época também em que se iniciam os meses internacionais da fotografia tanto na Europa como nos Estados Unidos e no Brasil. A cada ano, a fotografia se impõe, se estrutura e passa a fazer parte dos discursos e dos percursos da arte mundial. Em São Paulo, a feira I-Contemporâneo, iniciada em 2007 e voltada somente para esse segmento, abre anualmente as portas para que várias galerias apresentem seus fotógrafos, refletindo a ascensão e a importância da fotografia dentro do mercado da arte. Dessa forma, e sempre em sintonia com o mercado, a Arte Plural Galeria inaugura, no Recife, um portfólio destinado a este novo e crescente público, com dezesseis profissionais por ela representados, que apresentam aqui suas imagens autorais, diferenciadas e de estéticas variadas.

 

 

A pesquisa do olhar

Foi no último sábado, dia 21 de setembro. Chovia, estávamos no meio de um feriado. Mesmo assim, nos reunimos no Sesc Pompéia para ouvir a aprender com o Alexandre Sequeira. Um bate-papo calcado em causos que ele ía contando como poucos saber contar. Um texto que ilustrava suas imagens. Ale, apresentou dois trabalhos: o conhecido Nazaré de Mocajuba, um seu retrato da comunidade eo o delicado  Meu Mundo Teu, uma emocionante pesquisa a partir das imagens de dois adolescentes: Jefferson e Tayana. Muito mais do que narrar suas experiência, o que ele nos trouxe foi seu papel de facilitador e de educador do olhar. Alexandre Sequeira é de Belém e também participou do FotoAtiva do Miguel Chikaoka, foi lá que ele desenvolveu esta sua vontade de ensinar a ver e portanto, a aprender a ver. A sua pesquisa, na verdade, não está apenas na imagem, mas na história e no processo de construção de seu trabalho. Idéias que foram debatidas por mais de duas horas e no final uma vontade em todos de produzir mais. Só devemos que agradecer a este belo e afetivo encontro que nos alimentou  os olhos e durante algumas horas nos fez sonhar.

Dois anos de Tramafotografica: mais de 200 mil acessos

Superamos os 200mil acessos após dois anos de conversas aqui no Trama. Não tenho sido muito constante, é verdade, mas nem sempre tenho o tempo para escrever. Não quero e nunca qui transformar o blog em obirgação e muito menos em trabalho. É puro prazer de dividir com quem lê alguns pensamentos, textos e notícias. Agradeço quem sempre passa por aqui, quem sempre deixa um recado, quem concora e quem discorda. Mas acima de tudo, agradeço o que querem continuar a pensar e discutir a fotografia.

Vermelho como Céu

vermelho-como-o-ceuO filme de Cristiano Bortone me emocionou muito e, é claro, me fez pensar sobre a questão da visualidade na fotografia. No imaginário, na imagem construída. Ontem à tarde revi este filme com meus alunos do Mestrado de Londrina e sua leitura também me fez repensar muitas coisas.  Mas principalmente na questão da memória. Nossa memória  histórica coincide com o tempo das imagens. Conhecemos e lembramos não daquilo que vimos, mas daquilo que assistimos, ou seja daquilo que nos tocou por meio da representação fotográfica ou do cinema. Como diz a psicóloga social Ecléa Bosi “A memória opera com grande liberdades, escolhendo acontecimentos no espaço e no tempo, não arbitrariamente mas porque se relacionam através de índices comuns. São configurações mais intensas quando sobre elas incide o brilho de um significado coletivo.” Ou ainda o filósofo Henry Bergson: “Não há percepção que não esteja impregnada de lembranças”. Ou seja nossas representações são concretização de uma imagem mental. No filme, um menino de dez anos que adora cinema fica cego depois de um acidente ao brincar com uma espingarda. A forma como ele supera o que lhe aconteceu é por meio das lembranças que permeiam sua vida e das alternativas para desenvolver os outros sentidos. É uma história veridica de Mirco Mencacci, hoje um dos mais conhecidos sonoplastas do cinema italiano. Mas o filme, para mim imperdível, nos desperta a atenção justamente para compreender como memória -que é sempre criação de um contexto, de uma circunstância, de uma narrativa – e, portanto, tão ficção quanto a imagem é moldada por nossos sentidos, cheiros, barulhos. sabores. Por isso algumas discussões que ainda hoje persistem ao redor da fotografia me parecem tão cansativas. Já são quase não questões. Estou falando em relação à ontologia da imagem fotográfica. A fotografia é o que é. Tem uma gramática própria, tem características próprias e o tempo todo procuramos definí-la ou enquadrá-la. Mesmo assim, não posso deixar depensá-la como representação ou tradução de um ato de mental, construída o tempo todo pelas relações que cada fotógrafo e espectador (que de certa forma lhe dá vida ao observá-la) lhe atribuí. Talvez devessemos começar a estudar muito mais o imaginário, a imaginação, a percepção de mundo, e formação de memória.  Temas que discuti no meu doutorado defendido em 2001 quando  estudei a estética da fotografia latino-americana.  Questões que quero retomar de forma mais intensa. E só para citar mais um teórico, agora Pierre Francastel que disse: “A verdadeira imagem não está na obra, mas na memória”.

Fotógrafo de cheiros e afetos

Meu texto, sobre o Claude Lévi-Strauss que  saiu hoje no caderno Aliás, do jornal estado de S.Paulo. Leia abaixo

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foto: Instituto Moreira Salles

Na etnofotografia de Lévi-Strauss, as fotos não ilustram: antes descobrem e narram um país cheio de surpresas 

 Assim como o turista aprendiz de Mário de Andrade – de quem, aliás, foi amigo -, as fotografias feitas por Claude Lévi-Strauss procuram descobrir um país ainda desconhecido nos anos 30, quando veio ao Brasil com apenas 27 anos, para lecionar na USP. Suas fotografias poucas vezes são lembradas quando se fala de seu trabalho na antropologia, e ele mesmo decide retomá-las e escrever sobre elas, muitos anos depois de seu retorno à França. Mesmo assim publica dois livros, Saudades do Brasil e Saudades de São Paulo (os dois livros foram publicados pela Companhia das Letras). O Brasil que ele descobre é um país feito de cheiros, de surpresas, de um tempo que aos poucos vai mostrando para o antropólogo novas formas de cultura. Nos dois livros, onde ele próprio escreve e revive cada imagem (não é à toa o uso da palavra saudade), relembra sua chegada ao porto de Santos e sua ida até a cidade de São Paulo, suas excursões pelo País, a descoberta dos índios que começa a fotografar. Engana-se, porém, quem imagina encontrar em suas fotografias apenas o registro ou o diário de viagem. Pela narrativa que as acompanha podemos sentir a afetividade que cerca cada uma delas. As cidades, os homens, os personagens de Claude Lévi-Strauss não são as figuras de um viajante e muito menos as de um turista. Não é dessa forma que ele retrata o Brasil e muito menos a cidade de São Paulo, ou as praias de Santos, descritas por ele como praias selvagens. É a busca do antropólogo que por meio da intencionalidade de seu olhar nos apresenta o homem que tanto o fascina dentro de seu contexto sociohistórico. Sabendo que a fotografia e a imagem devem ser lidas como texto, analisadas e decodificadas, ao organizar e editar os dois volumes ele cria um ritmo no qual revive os momentos em que seu olhar encontrou “o outro”. Talvez sem saber, ou sabendo, nas suas fotografias também encontramos uma estética que poderia ser definida como o que hoje se conhece por etnofotografia. Não a fotografia que ilustra, mas a fotografia que narra, que descobre. Uma São Paulo onde ainda o gado passeava e o bonde era o meio de transporte. Uma cidade que já apontava o que viria a ser. Não à toa ele escolhe uma imagem do prédio Martinelli para iniciar sua edição: “Único arranha-céu em toda a cidade, aos olhos dos paulistanos simbolizava a ambição de que esta se tornasse Chicago do Hemisfério Sul. Ambição que se realizou, e foi além…” Lévi-Strauss, ao que tudo indica, parou de fotografar quando deixou o Brasil em 1939. Mesmo assim percebe-se nele também o olhar fotográfico, um corte seguro, um enquadramento perfeito. Pena que tenha deixado de lado a fotografia e não a tenha utilizado mais como objeto de suas teorias. Mas pelo pouco que temos nos fica a presença de sua passagem por aqui. Não, como ele mesmo afirma, um olhar nostálgico, mas um “aperto no coração que sentimos quando, ao relembrar ou rever certos lugares, somos penetrados pela evidência de que não há nada no mundo de permanente, nem de estável em que possamos nos apoiar”. Ainda bem que o legado fotográfico de Lévi-Strauss ajuda a perpetuar essa memória.

Um olhar sobre o retrato

Lançado recentemente com uma bela exposição no Museu do Imigrante em São Paulo, o livro de Fifi Tong, “Origem”,  sobre retratos de família é de uma delicadeza emocionante. Quem viu pode agora reviver alguns momentos deste ensaio no próximo dia 11 de novembro (veja convite abaixo). Para quem não viu uma oportunidade de acompanhar as imagens e bater um papo com a autora.

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Arte, Cultura e Fotografia

Na próxima semana, de  9 a 13 de novembro, na USP vai acontecer o IV Seminário Arte, Cultura e Fotografia, organizado pelo grupo de estudos do centro de pesquisa Arte&Fotografia que é coordenado pelo Tadeu Chiarelli. Mais uma opção para ouvir e discutir fotografia.

Informações no tel: (011) 3091.4430

Printara ouvir e discutir fotografia.

Morre o antropólogo Claude Lévi-Strauss

 

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00281Às vésperas de comemorar 101 anos (1908-2009), morreu no último final de semana o antropólogo francês Claude Lévi-Straus. Considerado um dos grandes pensadores do século XX, Lévi-Strauss morou no Brasil de 1935 a 1939. Ele veio para lecionar sociologia na recem fundanda Universidade de São Paulo (USP). E foi aqui durante as várias expedições que fez pelo Brasil e por suas caminhadas na cidadede São Paulo que realizou uma série de fotografias. Estas fotos estão reunidas em dois livros: 8571644217Saudades do Brasil e foto06grandeSaudades de São Paulo, ambos publicados pela editora Companhia das Letras.  Quarenta e quatro imagens originais que fazem parte do material sobre a urbanização de São Paulo,pertencem ao Instituto Moreira Salles .  Tanto as imagens de suas expedições pelo Brasil estudando os índios como as que acompanham o desenvolvimento da cidade de São Paulo são belos documentos de um olhar que procura entender por meio da fotografia o contexto que o cerca.

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Fotografia brasileira na Brasileiros

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A revista Brasileiros de outubro (sim, ela ainda está nas bancas) abre 22 páginas para falar de fotografia. Sem dúvida, fiquei orgulhosa em ver que ela abriu espaço para o projeto Encontros com a Fotografia”, da Fnac,

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mas também traz duas belas entrevistas: uma com o João Urban, fotógrafo documental de Curitiba e outra com a Claudia Andujar . Bom para a fotografia!

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A arte de ver além do olhar

É esta a frase que aparece no site do Ateliê da Imagem que comemora dez anos e  que se tornou referência no Rio de Janeiro quando pensamos em fotografia, em estudar imagem e em refletir seu papel na sociedade contemporânea. Desde 1999 o ateliê tem sido fiel à frase que o apresenta.  Por isso, não poderia ser de outra forma a comemoração: de segunda-feira dia 26 até quinta dia 29, no cine Glória, vai se realizar o 1º Fórum de Imagens Técnicas: “Máquinas de Luz”, (veja programação completa aqui). 

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O projeto propõe discutir a cena atual e trará como convidados Cao Guimarães, Maria Iovino (Colômbia), Maurício Dias, Eduardo Brandão, Ivana Bentes, Muti Randolph, Maria Helena Franco Ferraz, Walter Carvalho, Daniela Labra, Claudia Buzzetti (Itália), Sergio Cohn, Frederico Coelho, Cezar Migliorin, Paola Barreto, Claudia Linhares Sanz e Pio Figueiroa/Cia de Foto. A idéia é um mergulho no mundo das imagens tecnológicas. Encontros, debates, projeções (que iniciaram na última sexta – leia aqui) e até uma oficina de sensibilização e criatividade fotógráfica para crianças e adolescentes. Um evento importante que se junta as mais variadas reflexões sobre a imagem no país todo por meio dos festivais e encontros de fotografia.

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