Bressonianas

Não, não são mulheres fãs de Cartier-Bresson, mas as imagens que apresentam forte influência do fotógrafo na maneira de compor as imagens. Na verdade, “Bressonianas” é nome que o curador Eder Chiodetto, responsável pela organização geral do evento que apresenta a exposição “Henry Cartier-Bresson: fotógrafo” e o lançamento do livro homônimo (CosacNaify/Edições SESCSP). Leia post abaixo.

flyer.inddUma mostra paralela de 42 fotografias de sete fotógrafos brasileiros: Cristiano Mascaro, Carlos Moreira, Juan Esteves, Tuca Vieira, Flavio Damm (aliás, volume 17 da Coleção Senac de Fotografia, leia aqui), Orlando Azevedo, Marcelo Buainain: “eles também têm em comum o gosto por utilizar a câmaera -geralmente a Leica – como espécie de motos com o qual se aventuram pelas calçadas do mundo.Realizadas em paralelo às suas atividades profissionais, essas imagens bressonianas compõem, pelo prazer da captura, a parte masi afetiva de seus acervos pessoais”, comenta Eder.

A mente aberta, a espinha ereta e o coração tranquilo

Assim era Henry Cartier-Bresson. Quem teve a oportunidade de vê-lo em ação (dá para ver nos filmes que fizeram com ele) ele parece mais um gafanhoto saltitante, do que o grande fotógrafo que foi. Gafanhoto de respeito, diga-se de passagem. Chega a ser engraçado.  Muito se fala sobre ele. Sobre o momento decisivo (que definitivamente não foi ele que inventou), de suas imagens surreais (embora ele mesmo afirme que era amigo deles, mas que sua fotografia era absolutamente geométrica, de formas, inspirada nas aulas do pintor formalista André Lothe) que é o grande mestre da fotografia do século XX, embora ao lado dele figurem profissionais de igual importância, como André Kertesz, Robert Capa, Man Ray, só para citar alguns. Mas nada disso importa. O que fica nas imagens de Cartier-Bresson é sua paixão pelo fugaz, pelo átimo que poucos percebem, por seu jeito de perceber e registrar cenas.

cartier_bresson_gdeTudo isso agora pode ser visto ao vivo e em preto e branco, na exposição “Henry Cartier-Bresson: fotógrafo”, que abre oficialmente ao público na próxima quinta-feira dia 17 de setembro em São Paulo, no Sesc-Pinheiros. O nome é retirado do livro homônimo, que também sera lançado na mostra numa parceria entre a editora Cosac Naify e as Edições SescSP. Este livro foi editado pelo próprio fotógrafo junto com editor Robert Delpire, responsável também pela curadoria da exposição. 133 fotografias realizadas em 23 países durante os 40 anos em que fotografou. Eu pessoalmente, no Brasil, só vi uma mostra de Cartier-Bresson, há muitos anos – nem me lembro quando – , mas com certeza no século passado. Foi no Masp, também em São Paulo e foi uma exposição em conjunto com Sebastião Salgado.

Sem dúvida é uma exposição imperdível, até porque além da fotos em si – que já são um belissímo presente que o ano França no Brasil e o Sesc nos proporcionam, dois debates com profissionais como Helouise Costa, Jean Luc Monterosso, Maurício Lissovsky e Gabriel Bauret, vão acrescentar discussões fundamentaisem relação à imagem fotográfica em geral. Haverá também uma série de oficinas e conversas.

Leia aqui, o texto que publiquei no jornal Estado de São Paulo sobre a mostra.

Leia aqui programação do Sesc-Pinheiros, sobre a mostra.

 

Mais dois volumes!

978-85-7359-865-0 Flavio Damm (2)

A Coleção Senac de Fotografia continua. Mais dois volumes acabam de ser publicados. Claro que ainda faltam muitos, mas muitos e muitos fotógrafos. Mesmo assim eu e Thales Trigo tentamos aos poucos traçar um panorama da fotografia brasileira. Mesmo assim, é a primeira coleção brasileira que chega a 18 volumes. Só por isso ela merece aplausos. Já estamos preparando mais dois. Vamos ver quantos conseguimos fazer! Apalusos merece também a Editora Senac que desde 2003 aposta neste trabalho.

978-85-7359-874-2 Marcio Scavone

Encontros com a Fotografia

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Crédito fotos: Eustáquio Neves, Paula Sampaio, Alberto Bittar, Dirceu Maués, Luiz Braga, Miguel Chikaoka.

A caravana Fnac continua na estrada. Continuamos o projeto Encontros com a Fotografia, (leia aqui).  Acabamos de voltar de Diamantina, onde entrevistamos o Eustáquio Neves; Brasília, onde encontramos com o Patrick Grosner, em seguida fomos para a maravilhosa cidade de Belém no Pará, para entrevistar, Luiz Braga, Alberto Bittar, Dirceu Maués, Paula Sampaio e Miguel Chikaoka .  Na próxima semana estaremos em Salvador e Juazeiro no Norte. Em breve colocarei no ar alguns vídeos do making off destas jornadas. Aguardem!

 

O blog do Pedrão

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Pedro Martinelli sempre foi um grande contador de histórias e, sem dúvida nenhuma um excelente fotógrafo. Também é conhecido por seus prazeres da mesa: tanto prepará-los como consumí-los. E é assim seu blog. Um pouco de tudo, as histórias por trás de suas imagens, os livros de culinária, as fotos dos alimentos. Vale a pena passear por lá. Além de boas fotos e boas dicas, com certeza também boas risadas.

Refletores!

 

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créditos: Robert Clark

Finalmente irá ao ar hoje a entrevista feita com os fotógrafos Robert Clark e Greg Gibson para o Roda Viva.Na bancada dos entrevistadores, eu, o Hélio Campos Mello, fotógrafo e diretor da revista Brasileiros, o Cristiano Mascaro e o Todd Benson, correspondente da agência Reuters

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créditos: Greg Gibson

O programa foi gravado no ano passado. Hoje à noite às 22.10, na Tv Cultura.

 

Belo encontro!

Tuca Vieira, fotógrafo da Folha de São Paulo entrevistou Cristiano Mascaro, que para o Caderno Mais, fez seu primeiro ensaio em digital. A história nasceu depois do texto do Mascaro “Ave Leica” (leia aqui), um dos textos mais comentados em vários blogs. Hoje, no Caderno Mais, belo texto do Tuca. Com autorização do autor reproduzo aqui.

Paulista, avenida por Cristiano Mascaro

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Usando uma câmera digital, fotógrafo clica a via que melhor simboliza são paulo, que está fazendo 455 anos

TUCA VIEIRA
REPÓRTER FOTOGRÁFICO

Quem se dispusesse a percorrer o centro de São Paulo nos anos 1980 correria o risco de encontrar uma solitária figura de barba cheia, tripé nos ombros, mochila nas costas, olhando as sombras alongadas da primeira hora da manhã.
Em cima do tripé provavelmente estaria uma câmera sueca da marca Hasselblad parecida com a que foi à Lua. E dentro da mochila encontraríamos rolos de película fotossensível, dessas que passam por banhos de bórax e sulfito de sódio.
Cristiano Mascaro se lembra de quando “saía de casa antes do amanhecer, com os faróis do carro ainda ligados”, como se tivesse um encontro marcado com a luz no centro de São Paulo. São dessa época algumas das mais importantes imagens da fotografia brasileira.
Quem se dispusesse a percorrer a Avenida Paulista, na tarde da última segunda-feira, encontraria essa mesma figura com a barba já branca, o mesmo tripé nos ombros e a mochila que deixava marcas de suor na camisa.
Mascaro aceitou o convite da Folha para fotografar a Paulista, asfaltada há cem anos: “Nunca vi comemorar asfaltamento de rua, mas tudo bem”. É seu primeiro ensaio fotográfico com câmera digital.

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Do centro velho para a Paulista, muita coisa mudou. Em cima do tripé, “um trambolho de 22 botõezinhos e 21,5 megapixels”; dentro da mochila, um “estojo de maquiagem” onde guarda os cartões de memória.
Mascaro foi motivo de polêmica depois que publicou um artigo no Mais!(de 21/12) em homenagem a Cartier-Bresson, em que lamentava o desuso das técnicas tradicionais.
O artigo circulou pela internet, e Mascaro foi chamado de mestre por uns e antiquado por outros. “Eu só quis fazer uma homenagem a uma época da fotografia que não pode ser apagada. Quero ter o direito de sentir saudade.”
Entre curiosidade e ceticismo, Mascaro vai se entregando à novidade mais por necessidade do que por paixão. “É como tirar um pé de uma canoa para colocar noutra”, define.

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A fotografia é sobretudo uma aventura humana: “A fotografia te levava a conhecer as pessoas. O trabalho de campo passou a ser trabalho de gabinete. Tenho saudades de bater na porta do laboratório. Como vou fazer agora sem tomar café com a Rosangela, que revelou meus filmes por 20 anos?”.
Mudam os tempos, muda a cidade, mas o olhar do fotógrafo permanece. Mascaro veio “tratar” as imagens (como se diz a respeito da pós-produção digital) e não havia nada para ser tratado. Suas fotos digitais, como numa prancha de contatos, precisam de ajustes mínimos de contraste e só.
Aos 64 anos, ele se renova: “Instalei um Photoshop CS4 e comprei um livro passo-a-passo, agora ninguém me segura!”. Parece surgir um novo fotógrafo, 30 anos à nossa frente.