Modos de Olhar

Abre hoje em Recife, na Arte Plural Galeria,( Rua da Moeda, 140 – Recife Antigo) a exposição de Francesco Zizola: “Modos de Olhar”. É o início do projeto ” Francesco Zizola, um olhar sobre o mundo” que abriga mais duas exposições, uma em São Paulo e outra no Rio.

Leia aqui.

Em Modos de Olhar uma visão diferente de Zizola conhecido no mundo por seus trabalhos nas áreas de conflitos. Um olhar particular. Duas séries de fotos The Wall e Findings.

Com a palavra o próprio Francesco Zizola:


FINDINGS: Estas imagens fazem parte de uma pesquisa que desenvolvo há anos: juntar objetos reencontrados, ligando presente e passado. Como o arqueólogo estuda as civilizações e as culturas por meio de suas marcas – findings –, assim os objetos retratados em minhas fotos relembram momentos passados, mas ainda capazes de nos envolver. Esta é uma série sobre Roma – onde nasci e também a cidade da história –, que com seus 3 mil anos ainda sugere analogias com o presente.

O MURO: Fiz estas fotos na Alemanha, num dos momentos mais relevantes da história mundial: a queda do Muro de Berlim. Era 1989, e o evento pôs fim à Guerra Fria. Fotografei com uma Polaroid. Uma obra anômala, talvez, mas que revela minha visão particular de mundo.

A visitação começa amanhã dia 20. Não perca!

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Um mestre na Arte da Luz

Simonetta Persichetti, especial para O Estado de S. Paulo

   

“Fujam do centro do retângulo.” Com essa frase, Chico Albuquerque (1917-2000) instigava os fotógrafos iniciantes a aprender a ver. Em seguida, ele ria. Sim, “seu Chico”, como ficou conhecido, era uma pessoa alegre, bem-humorada e ensinou a fotografar muitos jovens nos anos 1970, 1980 e, talvez, até 1990.  

Embora seu nome apareça sempre ligado aos retratos e à publicidade, Chico Albuquerque durante seus 65 anos de fotografia foi, antes de mais nada, fotógrafo, registrando tudo o que lhe interessava. Começou com os retratos, sim, também se pode afirmar que foi nosso primeiro fotógrafo de publicidade ao fotografar uma campanha em 1949, mas também fez fotos inesquecíveis em Mucuripe e Jericoacoara, fotografou a São Paulo dos anos 1950, trabalhou com cinema e muito, muito mais. 

Parte de seu legado fotográfico está reunido no livro Chico Albuquerque – Fotografias, de Ricardo Albuquerque e Patricia Veloso, que será lançado hoje no Museu da Imagem e do Som de São Paulo. Acervo esse com mais de 60 mil imagens que foram doadas ao MIS e, em 2006, transferidas para o Instituto Moreira Salles com o intuito de preservar e restaurar todo o material. Deste convênio também faz parte o Instituto Cultural Chico Albuquerque, fundado por seus familiares e presidido pelo filho Ricardo. 

Dividido em sete capítulos – Ensaios (1930/ 1960), Mucuripe (1942/1952), Retratos (1940/1960), Publicidade (1950/1980), Frutas (1978), Arquitetura (1950/ 1970) e Jericoacoara (1985) -, o livro abrange a multiplicidade de técnicas e temas abordados pelo fotógrafo: “Nestas páginas, apresentamos memoráveis imagens executadas ao longo de uma vida dedicada à excelência, à criatividade, à singularidade. A inquestionável marca Chico Albuquerque de expressar-se com maestria na arte da luz. Um legado para a fotografia brasileira”, explica a editora do livro, Patrícia Veloso, em seu texto presente na publicação.

Nascido em Fortaleza numa família que já trabalhava com imagem, seu pai Adhemar Albuquerque também era fotógrafo e foi ele quem sugeriu ao filho iniciar a carreira aos 15 anos. Na mesma época, interessou-se também pelo cinema – aos 25 anos, em 1942, foi responsável pelas fotografias do documentário It’s All True (É Tudo Verdade), de Orson Welles, filmado na capital cearense.

Disposto a investir na sua carreira imagética, Chico Albuquerque partiu, inicialmente para o Rio, mas depois se instalou definitivamente em São Paulo, no fim dos anos 1940, permanecendo aqui até 1975, quando retornou definitivamente para Fortaleza.

Chico Albuquerque é um perfeccionista, mestre da técnica e da composição, mas acima de tudo um profundo conhecedor da luz, tanto a natural quanto a construída em estúdio: “A luz salva!”, costumava dizer, como lembra o fotógrafo Dudu Tresca em texto no livro. Um olhar que procurava registrar de forma inusitada e única o que via. Um apaixonado pela fotografia. Seus magníficos retratos realizados em estúdio são completamente diversos das imagens dos pescadores, dos jangadeiros de seu Estado natal. Em todos, porém, o mesmo respeito pelo personagem e também pela imagem. Da publicidade às fotos de arquitetura, detalhes atentos construídos pela luz que tanto aprendeu a admirar.

Chico Albuquerque fez parte do Foto Cine Clube Bandeirante e trabalhou ao lado de outros mestres, como Thomaz Farkas, Geraldo de Barros e German Lorca. Reestruturou o Estúdio Abril (da Editora Abril) no fim dos anos 1960 e início dos anos 1970. O estúdio acabou se transformando na grande escola de fotografia de fotógrafos de moda, publicidade e também jornalistas. Aliás, em 1981, ele foi convidado a assumir como consultor a coordenação de repórteres fotográficos do jornal O Povo, de Fortaleza. Foi responsável pela formação de fotógrafos como Ed Viggiani, Tiago Santana e Celso Oliveira.

Fotógrafo incansável e obsessivo, organizou sua última individual em 1989 no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, com uma retrospectiva que marcou os 65 anos de carreira profissional. Só parou de fotografar aos 83 anos, em 2000, quando ainda assinou campanha publicitária nacional, vindo a morrer em 26 de dezembro do mesmo ano.

“Com esta publicação, busca-se fazer justiça ao trabalho fotográfico de Francisco Albuquerque, uma referência na história da fotografia moderna do Brasil”, diz Rubens Fernandes Junior no texto de abertura no livro. Talvez muito mais do que justiça, o que esta publicação nos apresenta é uma verdadeira aula do olhar, um olhar de quem costumava afirmar: “A imagem é a minha palavra, não gosto de filosofar, não tenho de emitir conceitos.”

Novos Cursos no MAM_SP

Começam na semana que vem mais dois cursos meus no MAM-SP. O de História da Fotografia, com duração de três meses, sempre às quintas-feiras, das 20.15 às 22.15; o curso de Fotografia e Simbologia, apenas três aulas, no sábado das 10.30 às 12.30h.

O de História da Fotografia, com  início no dia 11 de março, pretende discutir a importância da fotografia na transformação do olhar e visualidade. Como sua invenção transformou o pensamento. Estudar esse fenômeno a partir dos grandes movimentos fotográficos como sua discussão com o jornalismo,  as artes plásticas, a antropologia, e a fotografia artística na época contemporânea.

Já o da Fotografia e Simbologia, com início no dia 13 demarço,  vai estudar a fotografia a partir da definição dos conceitos de mito, símbolo e arquétipos. Passaremos por mitos, contos de fada, obras de ficção, tendo sempre como pano de fundo a imagem.

Informações pelo: 50851312

Espero vocês!

Adeus, Irving Penn!

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Morreu hoje o grande ícone da fotografia Irving Penn, aos 92 anos em Nova York. Mestre da fotografia de moda, deixa um vazio no que esta estética tinha de melhor. Iniciou a fotografar para Vogue em 1943 e, praticamente fotografou até o final da sua vida. Segundo seu assistente, ele nunca parou de fotografart. Irving Penn é um dos poucos fotógrafos, de sua época,  a estudar arte numa universidade.Seu professor de design foi Alexey Brodovitch, que em 1934, ano em que Penn entra na escola, é chamado para ser diretor de arte da Harper’s Bazaar.

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Durante anos Irving Pen trabalha com publicidade até que decide romper com tudo e muda-se para o México, para pintar e fotografar. Fascinado por pintura, será nela que Penn buscará inspiração para suas fotos. Em suas imagens a valorização da composição formal. Além de suas fotos de moda são famosas suas imagens do lixo, como por exemplo bitucas de cigarro, ou seus retratos.

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Penn vai redefinir o papel do fotógrafo de moda: que não é aquele que fotografa roupa mas um autor no verdadeiro sentido da palavra. Sem dúvida irving Penn marcou a história fotografia sendo um dos nossos grandes mestres.

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Verso/Reverso

Estou a caminho de Recife, que a cada dia está me conquistando. Sem dúvida, depois de Roma e São Paulo é a minha cidade preferida. Desta vez estou indo para a abertura e entrevista com o Clicio Barroso, que abre exposição na Arte Plural Galeria, com vinte fotografias onde fala deste ideal de mulher construído pela mídia. Abaixo o texto que escrevi sobre o assunto:

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Belo é feio/Feio é belo

Os conceitos de belo e feio sempre interessaram filósofos e artistas da sociedade ocidental. Visto um em contraposição ao outro, até mesmo no âmbito moral, o belo e o feio permeiam nossos pensamentos. E aparecem agora, também aqui, nesta exposição de Clício Barroso; “Verso/Reverso”. Não são imagens artísticas, mas fotos que pertencem ao campo da mídia, da publicidade. Corpos que nos trazem algo muito caro à nossa época que é a possibilidade de “recriar” o próprio semblante. Máscaras que se apresentam da mesma forma tratadas para apresentar o belo e tratadas para nos apresentar o feio. Em discussão, um corpo mediático. Já disse o professor Ernesto Boccara (da Unicamp), no prefácio do livro “O corpo como suporte da arte”, de Beatriz Ferreira Pires: “o corpo natural, em simbiose com os sistemas naturais, condicionado exclusivamente ou prioritariamente por ciclos biológicos, não existe mais como o conhecíamos. Tornou-se signo condicionado pela dinâmica das mídias, ou seja, tornou-se construção cultural”. Rostos que a mídia foi banalizando, esculpindo, criando, busca de uma singularidade que transformou tudo em igual. Rostos que, assim como Narciso, foram condenados ao amor impossível de ser alcançado visto que nos apaixonamos por imagens.

As fotografias aqui mostradas por Clício nos remetem à beleza de consumo, como a definiu o semiólogo italiano Umberto Eco, em seu livro “História da Beleza”. Ideais de beleza propostos pelo consumo comercial. Banalização de um ideal. Não é novo este tema, visto que a bruxas criadas por Shakespeare em Macbeth já gritavam: “Belo é feio, feio é belo”.

A delícia de fotografar livre e solto

Particularmente gosto muito do trabalho do Daniel Aratangy. O conheci quando entrou para a Faculdade de Fotografia que largou logo em seguida por incompatibilidade de horários. Mas ficou o contato. Adoro seus retratos e na sua maneira calma  e tranquila ele tem conseguido se colocar muito bem na mídia – especialmente na área de retratos. Ele foi o único  brasileiro a participar de uma empreitada fotográfica organizada pela Motorola para a campanha de um celular em parceria com a Kodak. Foram escolhidos oito fotógrafos no mundo todo. Nova York, Pequim Londres, Moscou, Bombaim, Cidade do México e Sidney. A pauta, cobrir a cidade em que vivem durante 24 horas seguidas. A idéia de fotografar uma cidade em 24 horas é bem antiga (vários livros já foram feitos sobe isso), mas o bacana é sair livre e solto com apenas um celular: isso faz com que tenhamos maior mobilidade e quase uma brincadeira lúdica. Pode-se perceber os fotógrafos se divertindo no making off realizado. (Veja youtube=http://br.youtube.com/watch?v=cDl8YO7DL6M] ). O resultado está agora exposto em Pequim, mas vai rodar o mundo!

 

 

Fotografia Publicitária em Fortaleza

Bela iniciativa esta do IFOTO. Com a inauguração hoje à noite de uma exposição sobre fotografia publicitária, incia-se na próxima terça-feira, dia 8, um seminário sobre o mesmo tema. (leia aqui) O seminário contará com a participação de fotógrafos, diretores de arte, e publicitários.Não podemos nos esquecer de que o primeiros fotógrafo de publicidade no Brasil foi o cearense Chico Albuquerque, (1917-2000) que ajudou a expandir o mercado publicitário em Fortaleza.

Boa idéia!