Modos de Olhar: último fim de semana

Neste final de semana mais uma exposição do Francesco Zizola chega ao fim. É Modos de Olhar que está na Arte Plural Galeria em Recife. Nesta mostra, Zizola apresenta suas pesquisas fotográficas, deixando de lado o fotojornalismo e mostrando suas questões e indagações sobre a imagem. Em Modos de Olhar, um olhar diferenciado particular.  São duas séries apresentadas: Findings e The Wall (leia aqui).

Abaixo o texto que o Zizola escreveu sobre a mostra:

FINDINGS: Estas imagens fazem parte de uma pesquisa que desenvolvo há anos: juntar objetos reencontrados, ligando presente e passado. Como o arqueólogo estuda as civilizações e as culturas por meio de suas marcas – findings –, assim os objetos retratados em minhas fotos relembram momentos passados, mas ainda capazes de nos envolver. Esta é uma série sobre Roma – onde nasci e também a cidade da história –, que com seus 3 mil anos ainda sugere analogias com o presente.

O MURO: Fiz estas fotos na Alemanha, num dos momentos mais relevantes da história mundial: a queda do Muro de Berlim. Era 1989, e o evento pôs fim à Guerra Fria. Fotografei com uma Polaroid. Uma obra anômala, talvez, mas que revela minha visão particular de mundo.

Exposição Linha de Frente se despede de São Paulo

Você tem ainda hoje e amanhã para ver ou rever a mostra Linha de Frente de Francesco Zizola(leia aqui) um dos fundadores da Noor Images que está no Território da Foto (Rua Mateus Grou, 580). Trabalhos que apresentam as andanças de Zizola pelo mundo durante seus mais de 25 anos de fotografia. Imagens de conflitos, de encontros e desencontros de respeito pela dignidade do ser humano. A tragédia humana contada por meio da vida, da esperança e da possibilidade de resistir. Mas suas imagens também não deixam de apontar nossas responsabilidades pelo mundo que estamos criando. Um olhar agudo, de perto, próximo, muito próximo, mas que não deixa de lado a sensibilidade de Zizola frente a dor. Uma poética delicada mas não por isso menos contundente. Um olhar sobre o mundo.

A visão de Aleksandr Ródtchenko

É a busca de uma nova visão, um olhar que se distancia do registro, que tem uma força comunicacional extrema. Uma imagem sintética que desconcerta. Embora construcionista o olhar de Ródtchenko desconstrói nossas certezas, nossas formas de olhar.

Pela primeira vez no Brasil, uma retrospectiva de seu trabalho é apresentada. Primeiramente no Rio de Janeiro, no Instituto Moreira Salles e no ano que vem, em fevereiro, será a vez de São Paulo, na Pinacoteca do Estado.

São 300 obras entre fotografias, fotocolagens, capas de livros, que resumem os 30 anos de atividade intensa do autor. A seleção das imagens foi organizada pela Moscow House of Photography e com curadoria de Olga Svíblova (diretora do Museu).

Os anos em que Ródtchenko inicia a fotografar (1924) correspondem na Europa a época das vanguardas artísticas quando todos os cânones de representação começam a ser questionados e derrubados. Mas na entrada da década de 1920 encontramos revoluções que vão além da estética artísticas e se colocam como verdadeiras revoluções culturais, caso do surrealismo e das experimentações da Bauhaus. Não podemos esquecer também que nesta época, a Revolução Russa não havia completado dez anos e era necessário criar até imageticamente toda uma nova representação.

Aleksandr Ródtchenko (1891-1956) foi um dos grandes inovadores da arte de vanguarda do século XX. Aclamado internacionalmente como pintor, escultor e designer gráfico, Ródtchenko iniciou-se na fotografia na década de 1920. “Em 1924, a fotografia foi invadida por ele com o slogan ‘Nosso dever é experimentar’ firmado no centro de sua estética. O resultado dessa invasão foi uma mudança fundamental nas ideias sobre a natureza da fotografia e o papel do fotógrafo”, explica a curadora Olga Svíblova, diretora da Moscow House of Photography. Ródtchenko aliou a experimentação formal a preocupações documentais sobre a vida política e social da União Soviética em seu período inaugural, dos anos de Lenin até o regime repressor iniciado por Stalin (que o colocou no ostracismo nos seus últimos 20 anos de vida). “Ele introduziu a ideologia construtivista na fotografia e desenvolveu métodos e instrumentos para aplicá-las”, completa Olga.

Exposição Aleksandr Ródtchenko: revolução na fotografiaos

Exposição: de 5 de novembro de 2010 a 6 de fevereiro de 2011

De terça a sexta, das 13h às 20h

Sábados, domingos e feriados, das 11h às 20h

Entrada franca

Classificação livre

De terça a sexta, às 17h, visita guiada pelas exposições. Ponto de encontro na recepção.

Visitas monitoradas para escolas: agendar pelo telefone (21) 3284-7400.

Fotografia e Arte

Discutir o papel da fotografia dentro do mercado crescente das artes tornou-se algo fundamental. É preciso ainda entender este mercado e procurar definir o que é este mercado, o que ele quer e procura.

Para dar um aprofundada nestas questões a Fototech de Minas Gerais organizou um seminário que acontece no próximo dia 1 de dezembro em  Belo Horizonte.

O evento contará com a participação de importantes nomes da fotografia brasileira que trarão à discussão, não só o funcionamento deste mercado, mas um levantamento histórico de seu desenvolvimento e o papel desempenhado pelos principais agentes deste setor artístico, como a curadora Isabel Amado, o fotógrafo João Castilho,  o responsável pela reserva técnica do Instituto Moreira Salles, Sergio Burgui e o critico de arte e marchand Ricardo Fernandes.

O evento é aberto a todos os interessados e as inscrições ou informações podem ser obtidas no site da Fototech: http://www.fototech.com.br/blog/2010/mercado-das-artes/

Vale a pena participar e procurar entender mais um pouco sobre este fenomeno do século XXI.

A onda carioca de Francesco Zizola

Depois da exposição “Modos de Olhar” em Recife e “Linha de Frente”em São Paulo, agora é a vez do Rio. A exposição “Onda Carioca” abre nesta sexta-feira, dia 29 no Ateliê da Imagem (Av. Pasteur, 453 – Urca), na Urca a partir das 19h.

Se em Modos de Olhar, Francesco Zizola apresentou seu olhar mais autoral e sua visão particular do mundo e em Linha de Frente nos mostrou seu trabalho como fotojornalista, em Onda Carioca, ele apresenta sua visão de convivência nas praias cariocas, como escreve no catálogo da mostra a crítica de fotografia, Claudia Buzzetti:

“A geografia da Cidade Maravilhosa parece ter sido criada para privilegiar a praia: sem dúvida alguma ela é o centro em torno do qual acontece grande parte da vida dos cidadãos. Para entender isto basta passear pela orla e observar todas as atividades que lá acontecem. Ela não é um lugar muito especial só para os moradores dos bairros próximos, mas para todos os habitantes da cidade, e representa um espaço democrático, sem diferença de classe social, cultura ou cor da pele. No Brasil, um dos países com litoral mais extenso do mundo, as praias não podem ser privatizadas. O olhar rápido e esperto de Francesco Zizola captou as diversas cenas que encontramos nelas, e mostra como o Rio de Janeiro e suas praias se tornam em instantes cenários de filme perfeitos”.

Se você ainda não viu, não deixe de ver:

“Modos de Olhar”- Arte Plural Galeria – Rua da Moeda, 40 – até 21/11, Recife


“Linha de Frente”- Território da Foto – Rua Mateus Grou, 580 – São Paulo


Modos de Olhar

Abre hoje em Recife, na Arte Plural Galeria,( Rua da Moeda, 140 – Recife Antigo) a exposição de Francesco Zizola: “Modos de Olhar”. É o início do projeto ” Francesco Zizola, um olhar sobre o mundo” que abriga mais duas exposições, uma em São Paulo e outra no Rio.

Leia aqui.

Em Modos de Olhar uma visão diferente de Zizola conhecido no mundo por seus trabalhos nas áreas de conflitos. Um olhar particular. Duas séries de fotos The Wall e Findings.

Com a palavra o próprio Francesco Zizola:


FINDINGS: Estas imagens fazem parte de uma pesquisa que desenvolvo há anos: juntar objetos reencontrados, ligando presente e passado. Como o arqueólogo estuda as civilizações e as culturas por meio de suas marcas – findings –, assim os objetos retratados em minhas fotos relembram momentos passados, mas ainda capazes de nos envolver. Esta é uma série sobre Roma – onde nasci e também a cidade da história –, que com seus 3 mil anos ainda sugere analogias com o presente.

O MURO: Fiz estas fotos na Alemanha, num dos momentos mais relevantes da história mundial: a queda do Muro de Berlim. Era 1989, e o evento pôs fim à Guerra Fria. Fotografei com uma Polaroid. Uma obra anômala, talvez, mas que revela minha visão particular de mundo.

A visitação começa amanhã dia 20. Não perca!

Mega evento de Francesco Zizola no Brasil

Minha empresa “Arte em Foco”está trazendo para o Brasil um mega-evento envolvendo o premiado fotojornalista italiano Francesco Zizola, reconhecido internacionalmente e um dos membros fundadores da Noor Image.


Apresentamos a  trajetória deste fotojornalista nos seus 25 anos de carreira, trazendo  visões diversificadas sobre lugares, pessoas e paisagens que ele acompanhou, na maioria das vezes com a função de nos apresentar fatos que não poderíamos presenciar. Nem por isso, mesmo nas situações mais adversas, ele deixou de imprimir poética por meio de seu olhar crítico.O projeto é uma concepção curatorial de Simonetta Persichetti e Francesco Zizola e pretende anteceder o início do ano Itália no Brasil, que ocorrerá em 2011.

Serão apresentadas três exposições diferentes, porém simultâneas, em três galerias do Brasil: Recife (Modos de Olhar), São Paulo (Linha de Frente) e Rio de Janeiro (Onda Carioca).

Mas a idéia não apenas mostrar imagens, mas trazer todo um trabalho curatorial que vai envolver workshops e lançamentos de livros.

Abaixo você pode acompanhar a programação:

Exposições:

Dia 20 de outubro – Recife – Modos de olhar – ARTE PLURAL GALERIA

Dia 21 de outubro – São Paulo – Linha de Frente – TERRITÓRIO DA FOTO

Dia 29 de outubro – Rio de Janeiro – Onda Carioca – ATELIÊ DA IMAGEM

No dia da abertura de cada  exposição Hélio Campos Mello, da revista Brasileiros, entrevistará Francesco Zizola.

ATIVIDADES COMPLEMENTARES

Workshops

Recife:

Dias 15 e 16 de outubro. Informações:

arteplural@artepluralgaleria.com.br

São Paulo:

Dias 22 e 23 de outubro. Informações:

atendimento@territoriodafoto.com.br

Rio de Janeiro:

Dias 27 e 28 de outubro. Informações:

info@ateliedaimagem.com.br

NOITE DE AUTÓGRAFOS

Dia 25/10 – Fnac/Pinheiros – São Paulo – 19 h.

Praça Omaguás, 34

Dia 26/10 – Barra Shopping – Rio – 19 h.

Av. das Américas, 4666 – Barra da Tijuca                      A

Contamos para a realização do projeto com a ajuda de vários interessados na fotografia:

Ipsis, Gráfica e Editora que patrocinou a publicação do catálogo

Fnac Brasil, que importou o livro “Born Somewhere”,

Institutos Italianos de Cultura Rio de Janeiro e São Paulo que possibilitaram a vinda de  Francesco Zizola ao Brasil,

10b Phtotography, responsável pelo tratamento e impressão das fotografias.

Brasileiros por sua ajuda na curadoria e divulgação do projeto.

Uma questão de Imagem

É fato que a fotografia é uma das formas de expressão que estão mais em evidência no século 21. Não poderia ser diferente na Bienal de São Paulo, na qual ela aparece nas mais variadas estéticas. Desde fotógrafos artistas que se apropriam da fotografia, até profissionais com forte ligação com o registro documental, mas sem por isso esquecerem a poética da construção de um discurso usando a metáfora imagética.

Foto: Guy Velloso

Toda arte é de alguma forma dependente do contexto sócio-histórico no qual ela foi criada. E apresenta maneiras como a sociedade gosta de ser representada. Numa época em que a “manipulação” é cada vez mais presente, a fotografia que – de alguma forma – permanece ligada ao real nos traz desconstruções perceptivas e nos apresenta novos códigos visuais. Dos já conhecidos trabalhos de Rochelle Costi ou Rosângela Rennó, nesta Bienal se faz presente com força a criação africana pelas imagens trazidas por David Goldblatt, Otobong Nkanga, Moshekwa Langa Kamora, Zanele Muholi. Destaque também para o brasileiro Guy Veloso e o colombiano Miguel Angel Rojas.

O americano Allan Sekula que, além de fotógrafo, também é crítico e autor de vários livros sobre o assunto, tem discutido em suas imagens o papel da arte no nosso mundo contemporâneo. Uma imagem difícil de ser interpretada à primeira vista, mas que apresenta uma iconografia que ao mesmo tempo em que refuta ser consumida pelo mercado da arte, mantendo uma ligação extremamente forte com o real, está presente nas principais galerias do mundo. Suas obras têm força política, explorando de forma poética assuntos muitas vezes só abordados pela fotografia jornalística.

Numa outra corrente, bem mais antiga, podemos encontrar o fotógrafo David Goldblatt, que começou a registrar a sua terra natal, a África do Sul, nos anos 1940. Fotojornalista, queria chamar a atenção para os problemas locais, em especial, óbvio, o apartheid. Ironicamente, suas imagens não foram aceitas nem pelos jornais e muito menos pelas galerias de arte.

Ele não desistiu nem se curvou a modismos ou a pedidos de galerias e galeristas. Trilhou seu caminho documental e obedeceu a sua vontade de usar a fotografia para contar as histórias sul-africanas. Há muito pouco tempo, as suas imagens passaram a fazer parte do circuito internacional como uma representação poética, mas dura, das transformações de seu país. Para ficarmos ainda na África, na Bienal poderemos ver as mágicas fotografias de Otobong Nkanga, nigeriano que trabalha com várias formas de expressão, como desenho, escultura e fotografia. Procura entender na construção de suas imagens o cotidiano que o cerca.

África e Brasil. Destaque também para Moshekwa Langa, que já participou da Bienal de 2002. Sul-africano, atualmente morando na Holanda, em sua produção discute a globalização com forte cunho político, assim como a conterrânea Zanel Muholi. E há ainda o colombiano Miguel Angel Rojas, que trata de temas relacionados à cultura marginal, política e social.

Do Brasil, convém ressaltar o paraense Guy Veloso, que apresenta as suas fotografias de fé. Não uma fé dogmática ou sistemática, mas a que transparece em imagens surreais e fascinam pelo desconforto que nos causam. De toda forma, quanto mais se discute o papel da fotografia no mercado da arte, mais ela se afirma e se fixa em sua função documental.

Maureen Bissiliat expõe Alma Preta em Paraty

São 30 fotografias que compõem um painel, como se fosse um mosaico. Assim é  Pele Preta” um recorte, ou talvez, melhor dizendo, um capítulo da exposição “Maureen Bissiliat Fotógrafias”, organizada pelo Instituto Moreira Salles, que abriu no começo do ano em Sáo Paulo, seguindo depois para o Rio de Janeiro. A escolha destas imagens foi feita pela própria fotógrafa, cujo acervo de mais de 16 mil imagens foi incorporado ao acervo do Instituto Moreira Salles em 2003.

Curiosamente, este é um dos primeiros ensaios feitos por Maureen, e um dos primeiros que ela trouxe a público em 1966 no Museu de Arte Moderna de Sáo Paulo. Retratos de personagens aparentemente anônimos, mas que crescem e se impõem por meio de seus olhares, mas especialmente por meio do olhar de Maureeen. Mas a novidade daquele trabalho, naquela época, estava  na estética que ela conseguiu criar, no domínio absoluto do chiaro/escuro. Técnicas que possivelmente, que ela, nascida na Inglaterra, desenvolveu durante seus estudos com o pintor André Lothe em Paris, em 1955 ou no Art Students League em Nova York (1957), antes de se fixar definitivamente com a família no Brasil

Apresentava-se ali o início de sua trajetória como fotógrafa que inspiraria muitos fotógrafos documentaristas brasileiros, que embora tendo como referência a “realidade” sempre a registraram com uma poética diferenciada.

Nas fotografias de Maureen  transparece a busca pela cultura brasileira. Uma forma de entender, uma maneira de mostrar. Talvez por isso seu apego á literatura. Mas não só. Maureen Bisilliat, muito antes da palavra se tornar moda, já era uma artista multimídia. Há mais de vinte anos trabalha com vídeo, com textos, monta recorta, reapresenta seu acervo.

Inquieta, sempre um busca de novos desafios. Nesta edição do Paraty ela traz algo inédito que será mostrado durante a palestra na noite desta quinta-feira, dia 16: “não gosto de ficar só falando e projetar meus trabalhos não faz muito sentido para mim”, conta por telefone Maureen, “durante a exposição em Sáo Paulo, junto com o fotógrafo e cineastas, Lucio Kodato, filmamos a exposição em filme 35mm”. Para tanto usaram um grua para sobrevoar as várias salas da mostra: “o filme é curto, apenas 8 minutos, mas é como se o espectador estivesse fazendo uma viagem fluvial, deslizando pela mostra”.

Náo surpreende Maureen ter feito um filme sobre sua mostra. Ao olharmos seus ensaios, suas reportagens, percebemos sempre a necessidade de pensar em sequência, um pensamento fílmico: “gosto  de trabalhar com equipe, de juntar saberes, de vários conhecimentos que contribuem para formular uma obra, gosto quando uma imagem se alia á escrita.”

Interessada em discutir e pensar a fotografia contemporânea, Maureen espera neste encontro de Paraty poder ouvir e falar sobre a nova forma de entender a fotografia: “quando comecei  a fotografia falava por si, agora ela fala através de um autor”. Este discurso sobre o fazer imagético é que a impulsiona a produzir mais.

Cidades vistas do alto, como maquetes

Olivio Barbieri queria ser cineasta.  Estudou pedagogia e comunicação e acabou se tornando fotógrafo. Inicialmente,  na década de 1970, se interessa mais pela fotografia antropológica, mas em seguida passa a fotografar arquitetura, meio ambiente e relação do homem com a cidade experimentando sempre diversas técnicas fotográficas.  A partir de 1978 começa a expor no mundo todo , participou três vezes da Bienal de Veneza e é considerado um dos expoentes da fotografia contemporânea italiana. Depois dos ataques do 11 de setembro iniciou uma série chamada Site Specific onde fotografou do alto várias cidades do mundo usando uma lente de foco seletivo (tilt-shift) que faz com que as cidades pareçam cenários de brinquedo. Olivo Barbieri vem ao Paraty em Foco falar deste seu trabalho. De Milão onde vive falou ao Estado por telefone.

O que irá apresentar aqui no Paraty em Foco?

Especificamente vou projetar minha série Site Specific que realizei em várias partes do mundo. É um projeto que iniciei em 2003 e continua até hoje. São vistas aéreas de várias cidades fotografadas com uma lente a foco seletivo que dá impressão de maquetes.

Esta série começou após os atentados de 11 de setembro. Por quê? No que o atentado lhe inspirou a fazer este trabalho.

Depois do atentado parece que todos os aviões ou “objetos voadores” passaram a ser vistos muitas vezes como uma ameaça. Tentei entender o que estava acontecendo e procurei registrar o mundo do alto a partir do ponto de vista do próprio objeto voador…

O fato de usar esta tecnologia, esta lente que transforma o que se fotografa em miniaturas que parecem brinquedos. Efeito este que é usado até pela publicidade, não leva ao risco de banalizar o trabalho. Ou seja, o efeito, o truque tecnológico se torna mais importante que o conceito

Isso é verdade. Corre-se este risco onde o efeito se torna mais importante.  Mas isso vale também para pintura. Você tem razão e agora, embora continue fotografando do alto estou mudando minha estética e a forma de fazer este registro.

Você queira ser cineasta, mas não foi atraído pelo fato do trabalho em equipe e afirmou em várias entrevista que prefere a solidão do trabalho de um fotógrafo. Por que é importante trabalhar sozinho?

Para mim é uma forma de liberdade, assim como a escrita.  Para ser escritor, em tese, basta uma caneta e um pedaço de papel. A fotografia te oferece as mesmas possibilidades. Você sai por aí com sua câmera e vai escolhendo o que fotografar e como fotografar. Como você bem disse, no início estava muito interessado pelo cinema e ainda gosto. Me assustava, porém a idéia de ter que interagir com várias pessoas.. Além disso, os tempos do cinema são muito longos, a fotografia é mais imediata.

Mas seu trabalho para ser realizado requer uma equipe e suas imagens relembram cenários construídos, assim como no cinema…

É verdade neste caso a produção é muito próxima do cinema e neste projeto também filmei muita coisa. As duas formas de linguagens continuam juntas. Ainda mais hoje em dia com as câmaras fotográficas que filmam com grande qualidade.

Fotografar e filmar são dois processos bastante diferentes entre si, embora nas câmaras estejam interligados. Vamos deixar de ser fotógrafos e virar cineastas?

Este é um risco que corremos. Fotografia e cinema hoje são feitos até com o uso de celulares. Praticamente hoje todos somos cineastas e fotógrafos. Mas isso não significa nada. Somos alfabetizados, mas não por isso somos escritores.  De qualquer forma a qualidade fotográfica tem diminuído muito.

Você costuma citar uma frase do fotógrafo norte-americano Man Ray :”fotógrafo o que não consigo pintar, pinto o que não posso fotografar”. Como vê hoje a fotografia contemporânea cada vez mais inserida em galerias e no mercado de arte internacional e muitas vezes negando ser fotografia e tentando ser pintura?

Hoje a fotografia virou “moda”. Todos se interessam pela fotografia, os museus as galerias e arte. Obviamente acabam por entrar em circulação projetos ou produtos nem sempre interessantes.  E como disse antes a tecnologia favoreceu muito este interesse e a produção de coisas não tão boas.  Parece que não existe mais um controle de qualidade. Podemos até dizer que este é um processo mais democrático e come menos filtros de pessoas que dizem o que devemos ou não ver. Mas quando falamos de arte, é claro que tivemos uma decadência. Até porque a fotografia é pouco ensinada nas escolas e nas faculdades, portanto falta esta cultura.