Frase do dia….

“Os textos se olham, as fotografias se lêem.”

 Arrigo Benedetti (1910-1976)  diretor de redação  e fundador da revista L’Europeo, em 1945….

 

Pesquisa de Imagens!

Começa no dia 22 de fevereiro, no MAM, mais um curso de pesquisa de imagens. Durante 4 dias iremos discutir sobre a escolha da imagem mais adequada, do que é fazer uma pesquisa iconográfica, leitura de imagens, direito autoral, bancos e arquivos fotográficos. As inscrições já estão abertas! Telefone: (011) 5085.1312

A pesquisa do olhar

Foi no último sábado, dia 21 de setembro. Chovia, estávamos no meio de um feriado. Mesmo assim, nos reunimos no Sesc Pompéia para ouvir a aprender com o Alexandre Sequeira. Um bate-papo calcado em causos que ele ía contando como poucos saber contar. Um texto que ilustrava suas imagens. Ale, apresentou dois trabalhos: o conhecido Nazaré de Mocajuba, um seu retrato da comunidade eo o delicado  Meu Mundo Teu, uma emocionante pesquisa a partir das imagens de dois adolescentes: Jefferson e Tayana. Muito mais do que narrar suas experiência, o que ele nos trouxe foi seu papel de facilitador e de educador do olhar. Alexandre Sequeira é de Belém e também participou do FotoAtiva do Miguel Chikaoka, foi lá que ele desenvolveu esta sua vontade de ensinar a ver e portanto, a aprender a ver. A sua pesquisa, na verdade, não está apenas na imagem, mas na história e no processo de construção de seu trabalho. Idéias que foram debatidas por mais de duas horas e no final uma vontade em todos de produzir mais. Só devemos que agradecer a este belo e afetivo encontro que nos alimentou  os olhos e durante algumas horas nos fez sonhar.

Dois anos de Tramafotografica: mais de 200 mil acessos

Superamos os 200mil acessos após dois anos de conversas aqui no Trama. Não tenho sido muito constante, é verdade, mas nem sempre tenho o tempo para escrever. Não quero e nunca qui transformar o blog em obirgação e muito menos em trabalho. É puro prazer de dividir com quem lê alguns pensamentos, textos e notícias. Agradeço quem sempre passa por aqui, quem sempre deixa um recado, quem concora e quem discorda. Mas acima de tudo, agradeço o que querem continuar a pensar e discutir a fotografia.

Vermelho como Céu

vermelho-como-o-ceuO filme de Cristiano Bortone me emocionou muito e, é claro, me fez pensar sobre a questão da visualidade na fotografia. No imaginário, na imagem construída. Ontem à tarde revi este filme com meus alunos do Mestrado de Londrina e sua leitura também me fez repensar muitas coisas.  Mas principalmente na questão da memória. Nossa memória  histórica coincide com o tempo das imagens. Conhecemos e lembramos não daquilo que vimos, mas daquilo que assistimos, ou seja daquilo que nos tocou por meio da representação fotográfica ou do cinema. Como diz a psicóloga social Ecléa Bosi “A memória opera com grande liberdades, escolhendo acontecimentos no espaço e no tempo, não arbitrariamente mas porque se relacionam através de índices comuns. São configurações mais intensas quando sobre elas incide o brilho de um significado coletivo.” Ou ainda o filósofo Henry Bergson: “Não há percepção que não esteja impregnada de lembranças”. Ou seja nossas representações são concretização de uma imagem mental. No filme, um menino de dez anos que adora cinema fica cego depois de um acidente ao brincar com uma espingarda. A forma como ele supera o que lhe aconteceu é por meio das lembranças que permeiam sua vida e das alternativas para desenvolver os outros sentidos. É uma história veridica de Mirco Mencacci, hoje um dos mais conhecidos sonoplastas do cinema italiano. Mas o filme, para mim imperdível, nos desperta a atenção justamente para compreender como memória -que é sempre criação de um contexto, de uma circunstância, de uma narrativa – e, portanto, tão ficção quanto a imagem é moldada por nossos sentidos, cheiros, barulhos. sabores. Por isso algumas discussões que ainda hoje persistem ao redor da fotografia me parecem tão cansativas. Já são quase não questões. Estou falando em relação à ontologia da imagem fotográfica. A fotografia é o que é. Tem uma gramática própria, tem características próprias e o tempo todo procuramos definí-la ou enquadrá-la. Mesmo assim, não posso deixar depensá-la como representação ou tradução de um ato de mental, construída o tempo todo pelas relações que cada fotógrafo e espectador (que de certa forma lhe dá vida ao observá-la) lhe atribuí. Talvez devessemos começar a estudar muito mais o imaginário, a imaginação, a percepção de mundo, e formação de memória.  Temas que discuti no meu doutorado defendido em 2001 quando  estudei a estética da fotografia latino-americana.  Questões que quero retomar de forma mais intensa. E só para citar mais um teórico, agora Pierre Francastel que disse: “A verdadeira imagem não está na obra, mas na memória”.

A arte de ver além do olhar

É esta a frase que aparece no site do Ateliê da Imagem que comemora dez anos e  que se tornou referência no Rio de Janeiro quando pensamos em fotografia, em estudar imagem e em refletir seu papel na sociedade contemporânea. Desde 1999 o ateliê tem sido fiel à frase que o apresenta.  Por isso, não poderia ser de outra forma a comemoração: de segunda-feira dia 26 até quinta dia 29, no cine Glória, vai se realizar o 1º Fórum de Imagens Técnicas: “Máquinas de Luz”, (veja programação completa aqui). 

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O projeto propõe discutir a cena atual e trará como convidados Cao Guimarães, Maria Iovino (Colômbia), Maurício Dias, Eduardo Brandão, Ivana Bentes, Muti Randolph, Maria Helena Franco Ferraz, Walter Carvalho, Daniela Labra, Claudia Buzzetti (Itália), Sergio Cohn, Frederico Coelho, Cezar Migliorin, Paola Barreto, Claudia Linhares Sanz e Pio Figueiroa/Cia de Foto. A idéia é um mergulho no mundo das imagens tecnológicas. Encontros, debates, projeções (que iniciaram na última sexta – leia aqui) e até uma oficina de sensibilização e criatividade fotógráfica para crianças e adolescentes. Um evento importante que se junta as mais variadas reflexões sobre a imagem no país todo por meio dos festivais e encontros de fotografia.

Belo texto de José de Souza Martins

20081104154620_1726_largeGosto muito da visão que o sociólogo José de Souza Martins tem da fotografia e de seu uso e contexto na sociedade contemporânea. Hoje, no cadeno “Aliás” do Estadão, ele traz um belo texto que fala de fotografia e poder. Resolvi, então, publicá-lo aqui no blog. Leiam!

foto: Luiza Sigulem/Revista Brasileiros

 

 

 

 

 

É mais que saúde ou feiura

José de Souza Martins, O Estado de S. Paulo, 04/10/09

A inclusão da feiúra na agenda negativa da campanha para as eleições presidenciais de 2010, pelo pré-candidato Ciro Gomes, é dos fatos mais interessantes e mais significativos do cenário de nossa decadência política. Com a contrapartida da beleza, como indício de competência, entrou também, nestes dias, o item da saúde no rol dos atributos meritórios da política como contrapartida negativa da doença. A pré-candidata Dilma Rouseff informou que está curada do câncer diagnosticado há algum tempo. Numa das fotografias do noticiário, a poderosa “mãe do PAC” apresenta-se sorridente e saudável. A foto contém mais do que o indício visual dessa cura: a ministra curou-se, também, da carranca de guerrilheira que ameaçava suas chances de chegar à Presidência. Tanto na feiúra apontada em José Serra pelo pré-candidato cearense quanto na belezura ostentada pela gaúcha Dilma Roussef, temos as indicações de que o retrato será o grande candidato nas eleições do ano que vem.

A ocultação de estigmas físicos e de caráter de políticos e candidatos não é novidade. A fotografia atenuou a paraplegia de Franklin D. Roosevelt num momento em que sua plena visibilidade teria sido politicamente desastrosa para os EUA. Antes disso, o retrato a óleo já cumpria essa função na política. O jovem d. Pedro II, quando viu a noiva desembarcar do navio que a trouxera da Sicília, chorou e comentou com quem estava ao seu lado: não sei se vou conseguir. Ele havia sido enganado por um retrato, para que a monarquia tivesse filhos e herdeiro. A fotografia tornou-se instrumento poderoso do caráter cada vez mais teatral da política. Mas, ela é polissêmica, revestida de múltiplos e contraditórios significados.

Em fotografia há o que se chama de aura, o sobressignificado que propõe a interpretação da imagem, particularmente do retrato, a partir de detalhes circunstanciais e até mesmo não visuais. Gandhi era feio, muito magro e meio gambeta. Em seus retratos ninguém vê isso, mas vê a imensa beleza de sua figura humana devotada à paz, ao próximo e à emancipação política da Índia. A foto que Margaret Bourke-White dele fez, em 1946, esquálido e careca, fiando, ao lado da roca que se tornaria o símbolo da Índia independente, certamente não o tornaria uma figura do apreço do candidato Ciro Gomes. O Getúlio Vargas do Estado Novo e da ditadura tinha sua fotografia exibida em todas as repartições públicas do país, por meio dela anunciada a onipresença do chefe da Nação. Seu retrato o apresentava revestido da aura do poder. Quem via o retrato, não via o homem baixo, gordo e ditatorial, via o poder. A fotografia oficial procurava forjar uma consciência popular da nacionalidade que responde até hoje por uma cultura do retrato que deforma a nossa consciência republicana.

Há uma dialética na polissemia do retrato, tanto no real, como o de Dilma, quanto no fictício, como o que de Serra fez Ciro Gomes. No inevitável contraponto de Lula, na moldura do poder, Dilma parece pequena e descabida. A doença é o pretexto imaginário dessa imperfeição. Ciro, por outro lado, ao pretender criar uma imagem, criou um espelho. Fez com que se notasse que tem “cara de chupa-ovo”, como ouvi de alguém, pelos gestos faciais que faz quando fala, a boca tendendo para a forma da dos que têm o hábito de chupar diretamente da casca o ovo cru, fortificante e afrodisíaco popular dos que estão em convalescença. É nesse jogo de contrários que o retrato se compõe com os parâmetros de sua interpretação, como uma coisa só. Os dois casos são expressões do efeito bumerangue da comunicação imperfeita, porque ocultadora e enganadora, as imperfeições dos bastidores invadindo o palco da encenação política.

Há aí os circunstantes visíveis e os circunstantes invisíveis. Na leitura do retrato de Dilma o que vai dizer se ela está bem de saúde política é a saúde do vice-presidente José Alencar, pois a saúde que importa é a saúde da instituição. Na subliminaridade da comunicação, Alencar é hoje o que Dilma corre o risco de ser amanhã. As constantes viagens de Lula ao exterior dão a Alencar a visibilidade de um homem frequentemente hospitalizado, a República sob o risco de estar sendo governada por alguém diminuído em sua capacidade de decidir. No otimista retrato de Dilma, o que se vê é a doença de Alencar. Mas se vê, também, a agonia de Tancredo, o bloqueio da esperança na sucessão sem carisma.

Na maldade do retrato que Ciro Gomes criou para destroçar o corpo e a alma do adversário, como nos tempos da Inquisição, já operam as circunstâncias e os circunstantes inevitáveis, na rede de condutas que trazem à memória do povo outras maldades. De um lado, calou fundo sua teima no desvio das águas do Rio São Francisco para perenizar rios temporários do Nordeste seco: tirar o sangue de um moribundo para supostamente dar vida aos mortos. De outro lado, a vítima poderosamente simbólica dessa truculência política, d. Cappio, o paulista que é bispo de Barra, na Bahia, com sua greve de fome contra a violência ambiental e social, fez a decisão de Ciro e do governo Lula incidir, violando-o, sobre o sagrado tema da vida da teologia católica, revelou na decisão política a feiúra de um pecado.

Na polissemia das imagens, reais ou imaginadas, é necessário levar em conta as funções desconstrutoras do inesperado e do indesejável. Uma ação judicial contra este jornal proíbe no noticiário sobre atos que têm merecido o repúdio da opinião pública a menção ao nome do filho do presidente do Senado. Forma de dar um retoque cidadão num retrato que é expressão típico-ideal da dominação patrimonial. A trama oligárquica desses arcaísmos do poder aparece justamente numa foto, em que estão juntos os vários que compõem essa forma anômala da concepção do mandato na nossa opção republicana, até mesmo o juiz. Quanto mais a censura permanece, mais revela o caráter do censor, mais o censor nela se retrata. A República do retrato retocado expõe-se na corrosiva imagem invertida do negativo.

Francesco Zizola, é o cara!

dia 2 paraty-12Confesso que não  foi  para mim uma supresa entrevistá-lo. Sabia o que viria.  Conhecia e acompanhava há tempos seu trabalho, sua fotografia e não só por sermos ambos romanos, mas porque desde que ele começou a aparecer na mídia, no final dos anos 80, início dos anos 90, me deparei com suas fotografias na imprensa italiana durante uma das minhas viagens a Roma. Nunca mais deixei de ser seguidora de seu trabalho. Não o havia encontrado antes, nunca havia lido nada que tivesse sido escrito por ele, mas já tinha lido entrevistas com ele e acompanhado uma sua entrevista no youtube feita pelo critico de fotografia italiano Sandro Iovine. Sabia de antemão quem encontraria pela frente. Mesmo assim,ao entrevistá-lo, como raras vezes aconteceu em minha vida profissional, fui como uma fã (lembro minha primeira entrevista com Sebastião Salgado e com Olivieiro Toscani). Sua desinvoltura, sua coerência e conhecimento sobre o que é ser jornalista e fotojornalista, suas noções éticas – que deveriam ser de qualquer um – suas criticas aos mídias e aos editores de fotografia ou de arte e sua completa disponibilidade em ouvir supreenderam. Importante também quando tocou no seu estudio 10 B e falou sobre o uso de photoshop nas imagens.

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No estudio 10B desenvolveu um belo trabalho onde procura demonstrar quando de fato a foto foi manipulada pelo photoshop e quando não. Assim também como falou de sua participação da agência Noorcriada por ele e mais nove fotógrafos, em torno de um mesmo ideal de fotojornalismo.

 

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Sua cultura fotográfica, não apenas jornalística, é bastante ampla e profunda. Não fala por falar. Está sempre bem preparado. Mesmo que muitas vezes jogue frases com uma irreverência própria dos romanos. Não só quando foi entrevistado, mas também quando presenciou várias entrevistas e participou fazendo perguntas. De caderneta em punho anotava e escrevia , numa conversa, talvez, com ele mesmo. Depois me confessou que eram perguntas que lhe surgiam durante os depoimentos dos entrevistados. Idéias a serem desenvolvidas quem sabe um dia. Tomara! Sem dúvida Francesco Zizola faz a diferença!

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A reprodução destas imagens foi uma cortesia do autor. PROIBIDA A REPRODUÇÃO

Paraty em Foco: uma reflexão

paratyNão dá para negar. O 5º Paraty em Foco foi um sucesso. Muito bom mesmo. Desta vez, trabalhei pouco, pude então seguir muitas entrevistas, ver exposições e, até, curtir a balada (não adiantava negar, já que há várias testemunhas). Foi bom ver a participação das diversas galerias, representações diferenciadas, as projeções, os bate-papos com os profissionais nas ruas de Paraty. Fudamental a carta-documento que reuniu os agitadores culturais em torno da fotografia. A reunião contou com a presença de representantes do Minc. A Carta de Paraty, como foi denominada,  foi lida antes do leilão das fotografias. A intenção dos agitadores é obter maior respaldo governamental para ações ligadas á fotografia no país.  Infelizmente não pude seguir tudo até o final. Precisei retornar para São Paulo no domingo de manhã perdendo assim os dois últimos encontros. Mas o resto vi, assisti, ouvi. Além disso, como todos sabem tenho uma rede bem larga de “informantes” alunos e ex-alunos que me contam tudo, participam de tudo e me fazem relatórios diários. Quase uma agência de notícias. A projeção das entrevistas na tenda da matriz, também facilitou muito. Se não estávamos na Casa da Cultura, palco onde aconteciam as entrevistas, poderíamos entrar na tenda e também acompanhar. A participação do público foi massiva e realmente não dá para reclamar. Mas dá para algumas decepções e desilusões em relação a alguns temas e personagens. Mas isso direi nos posts que vou escrever sobre cada caso. No mais, foi ótimo poder participar de mais um Paraty em Foco.

Encontros com a fotografia- lançamento

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Agora é só correr para o abraço! Espero todos vocês para o lançamento em São Paulo, na Fnac-Pinheiros no dia 22 de setembro, terça-feira a partir das 19.h. No dia seguinte o lançamento será na abertura do Paraty em Foco. Estão todos convidados. Vamos brindar à fotografia!