Como nasceu o “recorta e cola”

Bela e interessate matéria da Tonica Chagas para o Estadão de hoje. Vale a pena ler.

Quem for para Nova York, vá ver.

Mostra em Nova York reúne fotocolagens das súditas da rainha Vitória, que usavam a técnica para entreter amigos e exibir status

Tonica Chagas, ESPECIAL PARA O ESTADO, NOVA YORK

Com suas tesourinhas, potinhos de cola e aquarela, senhoras e senhoritas da aristocracia britânica já criavam fotocolagens cheias de imaginação décadas antes de a vanguarda artística do início do século 20 começar a compor com essa técnica. Organizada pelo Art Institute of Chicago e em exibição no Metropolitan Museum até 9 de maio, a pequena e divertida Playing with Pictures: The Art of Victorian Photocollage lembra este fenômeno pouco conhecido da fotografia de meados do século 19. Os 48 trabalhos reunidos ali, entre eles um de autoria da princesa Alexandra (1844-1925) e cedido pela rainha Elizabeth II, mostram um aspecto da sociedade vitoriana guardado em álbuns feitos para entreter amigos, puxar conversa com pretendentes e exibir o círculo de amizades, real ou não, de suas criadoras.

Uma das coisas que estimulou aristocratas vitorianas a criar seus álbuns foi o uso das cartes de visite, os cartões de visita com retratos, que disseminou a fotografia entre a classe média e deu celebridade a gente da high society. Com uma câmera de quatro lentes, podia-se expor oito retratos com poses diferentes num único negativo em placa de vidro, barateando e multiplicando a produção. Colecionar retratos de amigos, parentes e figuras da nobreza virou, então, uma febre, a cartomania. Em vez de apenas guardar os retratos em álbuns comuns, as britânicas ricas e educadas os recortavam e colavam em cenas elaboradamente desenhadas com aquarela nos seus álbuns especiais.

Para uma súdita da rainha Vitória, desenhar e pintar demonstravam não só refinamento e talento como também eram sinal de status, de que ela tinha meios para comprar manuais e pagar aulas particulares. Na época, como era preciso muito tempo de exposição do negativo para capturar uma imagem, as pessoas posavam para a câmera como tableaux vivants e aquelas artistas produziam as colagens dos seus álbuns da mesma maneira. Uma das vantagens que tinham era representar situações impossíveis de fotografar, como pessoas passeando ao luar, por exemplo, pois ainda havia limitação técnica para capturar movimento com pouca luz.

A fantasia visual nos álbuns de Playing with Pictures demonstra também o humor de quem os criou. Composições com cartas de baralho lembram um passatempo comum da alta sociedade vitoriana, assim como o “mixed pickles”, jogo em que se formam sentenças engraçadas com palavras escritas em papeizinhos tirados ao acaso de dentro de um jarro. Outra inspiração comum eram as histórias infantis dos Irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen e o Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, que induziam a brincar com proporções, fazer combinações surreais de cabeças humanas com corpo de animais ou armar cenários de contos de fadas com rostos de criancinhas de verdade.

Alimentados pela troca de cartes de visite, os álbuns também funcionavam como um site de relacionamento social de hoje em dia. Quanto mais figurão aparecesse em seu álbum, mais alto seria o lugar de sua dona nos escalões do “quem era quem” da sociedade vitoriana. Às vezes esse status nem vinha do berço, como era o caso de Mary Georgiana Caroline Filmer (1840-1903). Apesar de não ter título aristocrático, desde cedo ela circulou no meio político e no grand monde de Londres. Fotos dela aparecem nos álbuns da princesa Alexandra e da condessa de Yarborough e sabe-se que o príncipe de Gales, o futuro Eduardo VII e conhecido mulherengo, manteve um longo flerte com ela por meio de cartões de visita. Num de seus álbuns, numa cena de visita em sua sala de desenho, lady Filmer colocou o príncipe em lugar de destaque e colou uma foto menorzinha do marido sentado perto de um cachorro.

Os álbuns reunidos em Playing with Pictures formam um autorretrato coletivo da aristocracia vitoriana e apontam as origens da fotocolagem como arte. Enquanto a maior parte da fotografia britânica naquele período era produzida por homens, exibida em salões anuais e impressa para venda, as mulheres a usaram para o prazer particular e anteciparam movimentos artísticos tão importantes como o surrealismo e o construtivismo.

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Imagens sem Fronteiras

Este texto não é novo. Saiu no Caderno 2 do Estadão no final do ano passado, mais precisamente no dia 28 de dezembro. Eu mesma, só vi o texto quando voltei ao Brasil. Mesmo assim eu gostei e acho que vale a pena transcrevê-lo aqui já que é uma análise dos eventos fotográficos do ano passado. Portanto lá vai:

O reconhecimento do valor cultural da fotografia é algo ainda relativamente novo no campo das expressões e das ciências humanas. Tratada muitas vezes como suporte, como estudo, ela se viu transformada nos últimos anos em protagonista e também matéria-prima do fazer e das discussões em relação à imagem contemporânea.

Neste ano, pudemos ver isso de forma prática e não apenas na literatura ou nos campos acadêmicos. Nos últimos 20 anos, tem sido foco de discussão e reapresentação ou ressignificação de sua própria ontologia. Isso fica evidente quando ela – que sempre fez parte dos acervos museológicos como ferramenta objetiva ou de informação da modernidade – passa a fazer parte das galerias, das feiras de arte, como expressão que não representa, mas apresenta conceitos e significados que vão além da superfície bidimensional.

Dessa forma, pudemos apreciar exposições que retomaram o que se considera a imagem clássica como a do mestre da fotografia francês Henri Cartier-Bresson (1908-2004), reconhecido por suas imagens jornalísticas, mas que apresentadas como retrospectiva do autor – e pela sua própria edição – provaram muito mais a evolução de seu olhar, do seu pensamento imagético, do que propriamente uma narrativa de mundo. O mesmo pode ser dito da exposição de retratos de fotojornalistas do Estado, que inaugurava a entrada da SP-Arte/Foto, evento que reuniu 17 galerias e mais de 300 imagens. Os retratos, editados pelo jornalista Antonio Gonçalves Filho, privilegiavam o olhar autoral de cada artista, ou, melhor dizendo, repórter-fotográfico, na citação clara de que pensar que fotojornalismo não tem estética é mais uma falácia em torno da pequena-grande história da fotografia. Outra mostra que trouxe à tona essa discussão é a de Walker Evans (1903-1975), conhecido por seu trabalho durante a depressão americana da década de 1930.

Pensar a fotografia como objeto e não como ferramenta, obviamente não é novo, nem fruto do século 21. Considerada a expressão moderna por excelência, foi tomada de assalto pelos artistas vanguardistas, das primeiras décadas do século 20, que dela se apropriaram justamente por causa de sua funcionalidade, e aqui devemos destacar, com mais ênfase, dadaístas e surrealistas. As questões hoje são outras, falar da funcionalidade da fotografia já se tornou uma não-questão. Mas outras problemáticas acabam surgindo como a da sociedade do entretenimento, na qual quase todas as imagens se destacam não pelo seu conteúdo, mas por uma estética vazia, que transforma imagens em espetáculo no que de pior tem esta palavra.

E embora tenhamos visto excelentes mostras neste ano, a quantidade de fotos em cada uma – 150, 200, 300 – demonstra uma vontade de assombrar sem nada acrescentar. Caso por exemplo da exposição de Vik Muniz, uma mostra midiática em que se confunde o fazer artístico com o fazer espetáculo. Grandes produções, belos shows. Na contramão desse tipo de evento, no Itaú Cultural, a mostra A Invenção de Um Mundo, recorte do acervo da Maison Européenne de la Photographie, com curadoria de Eder Chiodetto e Jeal-Luc Monterosso, nos apresenta a imagem contemporânea pensada a partir da subjetividade de seu autor. A escolha dos curadores, bastante definida e dirigida, nos exibe artistas que por parábolas e metáforas acabam por questionar essa falta de profundidade a que temos assistido repetidamente. Como se a fotografia, ou a imagem, se bastasse por si. Seguindo essa linha da reflexão cognitiva e não do reflexo-espelho, tivemos as imagens de Robert Polidori, fotógrafo canadense trazido ao Brasil pelo Instituto Moreira Salles. E adota o grande formato como uma forma de evidenciar a passagem do tempo. Suas fotografias trazem as marcas do caos urbano causado pelo homem ou pela natureza.

Mas não foi só nas exposições que a fotografia foi protagonista neste ano. Na área editorial também houve belas publicações. Ainda pelo Instituto Moreira Salles, tivemos os belos livros de Maureen Bisilliat e Marcel Gautherot (1910-1996). A Companhia das Letras publicou o Elogiemos os Homens Ilustres, uma matéria elaborada pelo jornalista James Rufus Agee e pelo fotógrafo Walker Evans. Outro ponto alto do ano para o segmento foram, sem dúvida, os festivais em Porto Alegre, Rio, São Paulo e Paraty, onde a discussão se fez presente nas várias entrevistas com autores de estéticas completamente diferenciadas.

Mas se tudo foi brilho neste ano para a fotografia aqui no Brasil, tivemos também duas perdas bastante relevantes. Morrem Otto Stupakoff (1935-2009), o primeiro fotógrafo de moda brasileiro que fez vida e carreira nos Estados Unidos, mas havia retornado ao Brasil; e Mario Cravo Neto (1947-2009), um artista que sempre se destacou pela força de seu trabalho, retratando de forma bastante singular a cultura brasileira, em especial, a baiana. Otto teve bela exposição organizada pelo IMS e Mario Cravo Neto, a mostra Eternamente Agora: Um Tributo a Mario Cravo Neto, com curadoria de Paulo Herkenhoff e Christian Cravo.

Foi um ano de pensar a fotografia, de discutir as imagens sem impor barreiras ou fronteiras. Um ano que parece ser a preparação para uma nova década que se inicia não só no fazer, mas, acima de tudo, no pensar a fotografia. O espaço conseguido parece ser irreversível. Cada vez mais ouviremos falar sobre ela.

Adeus, Irving Penn!

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Morreu hoje o grande ícone da fotografia Irving Penn, aos 92 anos em Nova York. Mestre da fotografia de moda, deixa um vazio no que esta estética tinha de melhor. Iniciou a fotografar para Vogue em 1943 e, praticamente fotografou até o final da sua vida. Segundo seu assistente, ele nunca parou de fotografart. Irving Penn é um dos poucos fotógrafos, de sua época,  a estudar arte numa universidade.Seu professor de design foi Alexey Brodovitch, que em 1934, ano em que Penn entra na escola, é chamado para ser diretor de arte da Harper’s Bazaar.

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Durante anos Irving Pen trabalha com publicidade até que decide romper com tudo e muda-se para o México, para pintar e fotografar. Fascinado por pintura, será nela que Penn buscará inspiração para suas fotos. Em suas imagens a valorização da composição formal. Além de suas fotos de moda são famosas suas imagens do lixo, como por exemplo bitucas de cigarro, ou seus retratos.

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Penn vai redefinir o papel do fotógrafo de moda: que não é aquele que fotografa roupa mas um autor no verdadeiro sentido da palavra. Sem dúvida irving Penn marcou a história fotografia sendo um dos nossos grandes mestres.

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A mente aberta, a espinha ereta e o coração tranquilo

Assim era Henry Cartier-Bresson. Quem teve a oportunidade de vê-lo em ação (dá para ver nos filmes que fizeram com ele) ele parece mais um gafanhoto saltitante, do que o grande fotógrafo que foi. Gafanhoto de respeito, diga-se de passagem. Chega a ser engraçado.  Muito se fala sobre ele. Sobre o momento decisivo (que definitivamente não foi ele que inventou), de suas imagens surreais (embora ele mesmo afirme que era amigo deles, mas que sua fotografia era absolutamente geométrica, de formas, inspirada nas aulas do pintor formalista André Lothe) que é o grande mestre da fotografia do século XX, embora ao lado dele figurem profissionais de igual importância, como André Kertesz, Robert Capa, Man Ray, só para citar alguns. Mas nada disso importa. O que fica nas imagens de Cartier-Bresson é sua paixão pelo fugaz, pelo átimo que poucos percebem, por seu jeito de perceber e registrar cenas.

cartier_bresson_gdeTudo isso agora pode ser visto ao vivo e em preto e branco, na exposição “Henry Cartier-Bresson: fotógrafo”, que abre oficialmente ao público na próxima quinta-feira dia 17 de setembro em São Paulo, no Sesc-Pinheiros. O nome é retirado do livro homônimo, que também sera lançado na mostra numa parceria entre a editora Cosac Naify e as Edições SescSP. Este livro foi editado pelo próprio fotógrafo junto com editor Robert Delpire, responsável também pela curadoria da exposição. 133 fotografias realizadas em 23 países durante os 40 anos em que fotografou. Eu pessoalmente, no Brasil, só vi uma mostra de Cartier-Bresson, há muitos anos – nem me lembro quando – , mas com certeza no século passado. Foi no Masp, também em São Paulo e foi uma exposição em conjunto com Sebastião Salgado.

Sem dúvida é uma exposição imperdível, até porque além da fotos em si – que já são um belissímo presente que o ano França no Brasil e o Sesc nos proporcionam, dois debates com profissionais como Helouise Costa, Jean Luc Monterosso, Maurício Lissovsky e Gabriel Bauret, vão acrescentar discussões fundamentaisem relação à imagem fotográfica em geral. Haverá também uma série de oficinas e conversas.

Leia aqui, o texto que publiquei no jornal Estado de São Paulo sobre a mostra.

Leia aqui programação do Sesc-Pinheiros, sobre a mostra.

 

A fotografia morreu? Menos, menos, por favor!!!!

Soube ontem que anda ocorrendo uma discussão via twitter ( não tenho twitter, mas confesso que não sei como isso pode acontecer, visto que me parece – mas, com certeza estou enganada – que não dá para expandir uma conversa, enfim!) sobre a morte da fotografia. Confesso que na hora me deu uma vontade enorme de gargalhar! Anda na moda matar: fotografia, fotojornalismo, autores, etc…. Estes factóide mais parecem desabafos ao pé da mesa de um  bar e conversa jogada fora. Menos, por favor, menos! Estamos mudando? Que bom! Vamos ter que aprender a filmar? Excelente! Todos fotografam? Melhor ainda.

pauldelaroche01Só para lembrar ( o que esqueceram e para os que não conhecem) no dia em que a Academia de Ciências e Artes da França tornou pública a invenção da fotografia, o pintor Paul Delaroche (na foto ao lado, 1797-1856) saiu pelas ruas de Paris e aos berros vaticinava: “A pintura morreu! Qualquer um agora pode produzir imagens”. Anos e anos depois essa profecia, como bem sabemos, não se realizou. Ainda bem. Além disso, várias invenções ao surgirem foram duramente criticadas. Quando foi inventada a televisão, o rádio deveria morrer, assim como o cinema: o som do filme acabaria com a magia do cinema. Isso para não falar do surgimento do vídeo. Nada morreu. Até o velho e saudoso LP (vinil) está de volta. Portanto, muita calam nessa hora.  Se como diz a lenda a fotografia libertou a pintura, o digital vai libertar a fotografia.

461px-Delaroche_-_Bonaparte_franchissant_les_AlpesEm tempo: um dos quadros mais famosos de Paul Delaroche, “Bonaparte cruzando os Alpes”foi feito 10 anos após a invenção da fotografia, em 1848….

 

Parabéns! Feliz aniversário!

Não quero e nem vou comemorar o dia internacional da fotografia contando como ela foi inventada, mas mostrando imagens que foram super importantes para mim.Fotografias que fizeram com que eu passasse a me interessar pelo assunto 30 anos atrás. Fotógrafos que me ensinaram a pensar imagens. Não se ofendam os que não estão presentes. Todos me ajudam o tempo todo a pensar fotografia, mas decidi escolher aqueles que para mim foram seminais. Ou, como alguns gostam de dizer,: mestres. Aqueles que muito antes que eu pensasse em me dedicar à fotografia, já tocavam meu coração. O ano? Final dos anos 1970.

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 Hugo Pellis (1882-1943) especialista em literatura e fotógrafo. Fotógrafo friulano,(região nordeste da Itália, cuja capital é Udine) iniciou a fotografar depois da primeira guerra mundial e quis fazer um levantamento antropológico do homem pós-guerra.

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Tina Modotti  (1896-1942) – assim como Hugo Pellis, fotógrafa friulana. Revolucionária, socialista, foi morar no México em 1922 e abraçou a casa dos campesinos.  Fotografou apenas sete anos. Mas deixou uma forte marca na fotografia mundial. Morreu jovem, aos 42 anos.

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Eugene Atget (1856-1927) fotógrafo francês que dispensa apresentações. Ele nos ensinou a olhar.

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Andrè Kertezs (1894-1985), fotógrafo hungaro, criador do conceito do momento decisivo,  nos trouxe o estranhamento do olhar.

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Robert Capa (1913-1954), nada a declarar.

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Edourd Boubat, (1923-1999), o meu preferido.

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Martin Chambi, peruano, pelo que sabe foi o primeiro fotógrafo indigena da América Latina. Simplesmente imperdível.

 

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Manoel Álvares Bravo (1902-2002), fotógrafo mexicano. Quando os surrealistas quiseram cooptá-lo para o movimento, sua reposta foi: “eu não sou surrealista. Surrealista é o México”. D. Manuel, e basta!

Em agradecimento ao meu tio, Manlio Michelutti, que me apresentou muitos fotógrafos!

O olhar fotográfico de Robert Polidori

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Com certeza, uma das melhores exposições (sem esquecer “Olhar e Fingir”, no MAM_SP) que vi neste ano (pelo menos até agora) foi a de Robert Polidori, no IMS, do Rio de Janeiro. Canadense, morando nos estados Unidos desde criança e colaborador da revista “The New Yorker”, Polidori não fotografa o factual, o ato, a notícia. A começar pelo formato que escolheu: o grande formato (filmes de até 20 x 25 cm) ele nos traz um olhar há muito esquecido nas páginas dos jornais. Ele fotografa as marcas que as tragédias deixaram nas casas, nas paredes. De acordo com uma linguagem onde o fotográfico é o sujeito, ele nos apresenta grandes espaços vazios, abandonados pela presença do homem depois das tragédias.

 

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Até em decorrência da escolha de seu equipamento – que nos apresenta uma riqueza de detalhes e definição invejável  Como está escrito no catálogo: “ao afirmar o vinculo da fotografia com as aparências do mundo, sua obra caminha numa direção oposta às vertentes contemporâneas que investem na distorção de formas, na encenação ou na criação de imagens artificiais a partir de tecnologias digitais”.

 

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Imagens impactantes não apenas pelo tamanho, mas e principalmente pela riqueza de ontologia fotográfica nelas apresentadas, Polidori, sem grandes fogos de artifícios, clichês, ou frases de efeito, nos demonstra que ainda há espaço para a boa fotografia, mesmo quando as fronteiras entre documentação jornalítica e arte se misturam. Como se ele se alinhasse mais para o lado do fotógrafo Alfred Stieglitz que, no início do século XX, ao criar um olhar moderno para a fotografia, tinha entre suas frases preferidas que “a fotografia não é serva da arte” e de que “os forógrafos devem parar de se envergonhar por fazzer fotografia”, do que dos pictorialistas pós-modernos que à exemplo de seus antecessoreres do final do século XIX, faziam de tudo para provar que tudo faziam menos fotografia. Bela mostra, bela escolha do IMS. Provavelmente, assim como a do Paul Strand (que ainda não vi) a exposição do Robert Polidori chegará em São Paulo em outubro. Vale a pena ver! Esta é uma das que eu indico.