A onda carioca de Francesco Zizola

Depois da exposição “Modos de Olhar” em Recife e “Linha de Frente”em São Paulo, agora é a vez do Rio. A exposição “Onda Carioca” abre nesta sexta-feira, dia 29 no Ateliê da Imagem (Av. Pasteur, 453 – Urca), na Urca a partir das 19h.

Se em Modos de Olhar, Francesco Zizola apresentou seu olhar mais autoral e sua visão particular do mundo e em Linha de Frente nos mostrou seu trabalho como fotojornalista, em Onda Carioca, ele apresenta sua visão de convivência nas praias cariocas, como escreve no catálogo da mostra a crítica de fotografia, Claudia Buzzetti:

“A geografia da Cidade Maravilhosa parece ter sido criada para privilegiar a praia: sem dúvida alguma ela é o centro em torno do qual acontece grande parte da vida dos cidadãos. Para entender isto basta passear pela orla e observar todas as atividades que lá acontecem. Ela não é um lugar muito especial só para os moradores dos bairros próximos, mas para todos os habitantes da cidade, e representa um espaço democrático, sem diferença de classe social, cultura ou cor da pele. No Brasil, um dos países com litoral mais extenso do mundo, as praias não podem ser privatizadas. O olhar rápido e esperto de Francesco Zizola captou as diversas cenas que encontramos nelas, e mostra como o Rio de Janeiro e suas praias se tornam em instantes cenários de filme perfeitos”.

Se você ainda não viu, não deixe de ver:

“Modos de Olhar”- Arte Plural Galeria – Rua da Moeda, 40 – até 21/11, Recife


“Linha de Frente”- Território da Foto – Rua Mateus Grou, 580 – São Paulo


Novos Cursos no MAM_SP

Começam na semana que vem mais dois cursos meus no MAM-SP. O de História da Fotografia, com duração de três meses, sempre às quintas-feiras, das 20.15 às 22.15; o curso de Fotografia e Simbologia, apenas três aulas, no sábado das 10.30 às 12.30h.

O de História da Fotografia, com  início no dia 11 de março, pretende discutir a importância da fotografia na transformação do olhar e visualidade. Como sua invenção transformou o pensamento. Estudar esse fenômeno a partir dos grandes movimentos fotográficos como sua discussão com o jornalismo,  as artes plásticas, a antropologia, e a fotografia artística na época contemporânea.

Já o da Fotografia e Simbologia, com início no dia 13 demarço,  vai estudar a fotografia a partir da definição dos conceitos de mito, símbolo e arquétipos. Passaremos por mitos, contos de fada, obras de ficção, tendo sempre como pano de fundo a imagem.

Informações pelo: 50851312

Espero vocês!

Imagens sem Fronteiras

Este texto não é novo. Saiu no Caderno 2 do Estadão no final do ano passado, mais precisamente no dia 28 de dezembro. Eu mesma, só vi o texto quando voltei ao Brasil. Mesmo assim eu gostei e acho que vale a pena transcrevê-lo aqui já que é uma análise dos eventos fotográficos do ano passado. Portanto lá vai:

O reconhecimento do valor cultural da fotografia é algo ainda relativamente novo no campo das expressões e das ciências humanas. Tratada muitas vezes como suporte, como estudo, ela se viu transformada nos últimos anos em protagonista e também matéria-prima do fazer e das discussões em relação à imagem contemporânea.

Neste ano, pudemos ver isso de forma prática e não apenas na literatura ou nos campos acadêmicos. Nos últimos 20 anos, tem sido foco de discussão e reapresentação ou ressignificação de sua própria ontologia. Isso fica evidente quando ela – que sempre fez parte dos acervos museológicos como ferramenta objetiva ou de informação da modernidade – passa a fazer parte das galerias, das feiras de arte, como expressão que não representa, mas apresenta conceitos e significados que vão além da superfície bidimensional.

Dessa forma, pudemos apreciar exposições que retomaram o que se considera a imagem clássica como a do mestre da fotografia francês Henri Cartier-Bresson (1908-2004), reconhecido por suas imagens jornalísticas, mas que apresentadas como retrospectiva do autor – e pela sua própria edição – provaram muito mais a evolução de seu olhar, do seu pensamento imagético, do que propriamente uma narrativa de mundo. O mesmo pode ser dito da exposição de retratos de fotojornalistas do Estado, que inaugurava a entrada da SP-Arte/Foto, evento que reuniu 17 galerias e mais de 300 imagens. Os retratos, editados pelo jornalista Antonio Gonçalves Filho, privilegiavam o olhar autoral de cada artista, ou, melhor dizendo, repórter-fotográfico, na citação clara de que pensar que fotojornalismo não tem estética é mais uma falácia em torno da pequena-grande história da fotografia. Outra mostra que trouxe à tona essa discussão é a de Walker Evans (1903-1975), conhecido por seu trabalho durante a depressão americana da década de 1930.

Pensar a fotografia como objeto e não como ferramenta, obviamente não é novo, nem fruto do século 21. Considerada a expressão moderna por excelência, foi tomada de assalto pelos artistas vanguardistas, das primeiras décadas do século 20, que dela se apropriaram justamente por causa de sua funcionalidade, e aqui devemos destacar, com mais ênfase, dadaístas e surrealistas. As questões hoje são outras, falar da funcionalidade da fotografia já se tornou uma não-questão. Mas outras problemáticas acabam surgindo como a da sociedade do entretenimento, na qual quase todas as imagens se destacam não pelo seu conteúdo, mas por uma estética vazia, que transforma imagens em espetáculo no que de pior tem esta palavra.

E embora tenhamos visto excelentes mostras neste ano, a quantidade de fotos em cada uma – 150, 200, 300 – demonstra uma vontade de assombrar sem nada acrescentar. Caso por exemplo da exposição de Vik Muniz, uma mostra midiática em que se confunde o fazer artístico com o fazer espetáculo. Grandes produções, belos shows. Na contramão desse tipo de evento, no Itaú Cultural, a mostra A Invenção de Um Mundo, recorte do acervo da Maison Européenne de la Photographie, com curadoria de Eder Chiodetto e Jeal-Luc Monterosso, nos apresenta a imagem contemporânea pensada a partir da subjetividade de seu autor. A escolha dos curadores, bastante definida e dirigida, nos exibe artistas que por parábolas e metáforas acabam por questionar essa falta de profundidade a que temos assistido repetidamente. Como se a fotografia, ou a imagem, se bastasse por si. Seguindo essa linha da reflexão cognitiva e não do reflexo-espelho, tivemos as imagens de Robert Polidori, fotógrafo canadense trazido ao Brasil pelo Instituto Moreira Salles. E adota o grande formato como uma forma de evidenciar a passagem do tempo. Suas fotografias trazem as marcas do caos urbano causado pelo homem ou pela natureza.

Mas não foi só nas exposições que a fotografia foi protagonista neste ano. Na área editorial também houve belas publicações. Ainda pelo Instituto Moreira Salles, tivemos os belos livros de Maureen Bisilliat e Marcel Gautherot (1910-1996). A Companhia das Letras publicou o Elogiemos os Homens Ilustres, uma matéria elaborada pelo jornalista James Rufus Agee e pelo fotógrafo Walker Evans. Outro ponto alto do ano para o segmento foram, sem dúvida, os festivais em Porto Alegre, Rio, São Paulo e Paraty, onde a discussão se fez presente nas várias entrevistas com autores de estéticas completamente diferenciadas.

Mas se tudo foi brilho neste ano para a fotografia aqui no Brasil, tivemos também duas perdas bastante relevantes. Morrem Otto Stupakoff (1935-2009), o primeiro fotógrafo de moda brasileiro que fez vida e carreira nos Estados Unidos, mas havia retornado ao Brasil; e Mario Cravo Neto (1947-2009), um artista que sempre se destacou pela força de seu trabalho, retratando de forma bastante singular a cultura brasileira, em especial, a baiana. Otto teve bela exposição organizada pelo IMS e Mario Cravo Neto, a mostra Eternamente Agora: Um Tributo a Mario Cravo Neto, com curadoria de Paulo Herkenhoff e Christian Cravo.

Foi um ano de pensar a fotografia, de discutir as imagens sem impor barreiras ou fronteiras. Um ano que parece ser a preparação para uma nova década que se inicia não só no fazer, mas, acima de tudo, no pensar a fotografia. O espaço conseguido parece ser irreversível. Cada vez mais ouviremos falar sobre ela.

Curso Lightroom 2.0 em podcasts

Clicio Barroso, fotógrafo de moda e publicidade, mas também conhecido por seus concorridos workshops sobre o Lightroom está disponibilizando agora o curso em podcasts. Clicio respondeu algumas perguntas para explicar melhor este seu mais recente projeto.

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1. Fale sobre este projeto?  O projeto é antigo; permitir acesso irrestrito e gratuito a conteúdos educacionais é o caminho correto e que faz mais sentido nos dias de hoje. No caso específico do Lightroom 2.0, que não tem manual em português, e nem livro escrito (hehehe, eu sei, não deu tempo…), achei que ir postando os casts de quinze em quinze dias ajudaria a muita gente, e democratizaria ainda mais a distribuição de conteúdo. Além disso, eu gosto de gravar os episódios, editar no After Effects, sincronizar. Me divirto bastante.

2. O que é um videocast? Podcasts, originalmente apenas disponíveis em audio, são episódios periódicos comparáveis a programas de rádio, com a vantagem do espectador poder conservá-los em seu computador ou celular, e assisti-los a qualquer momento de sua conveniência. Videocasts, a evolução natural dos podcasts,  tem o seu modelo baseado exatamente nas redes de canais de televisão, tanto as abertas como pagas. São também programas ou episódios em vídeo que também podem ser assistidos a qualquer momento,  o que os torna muito confortáveis para o espectador. No site que hospeda os episódios, também há a possibilidade do usuário/espectador se inscrever, com um simples clique em RSS-Feed, e assim passar a receber avisos automáticos toda a vez em que houver um novo episódio disponível.

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3. Por que isso é bom?  Porque tutoriais de qualidade, gratuitos, que podem ser vistos de três formas, facilitam a vida de muita gente que precisa aprender e não sabe para onde correr.

Os episódios podem ser vistos online, em alta resolução (800x600px), podem ser baixados para os computadores em vários formatos e tamanhos, e podem ser sincronizados pelo iTunes, para iPods, iPhones, TVs e PDAs. Bem conveniente, agora que há de fato um esforço pela inclusão digital; os episódios podem ser acessado e vistos de qualquer lugar.

 

4. Como o aluno pode tirar dúvidas com você? Por e-mail, que respondo pessoalmente, ou pelas listas de discussão, o que acho mais democrático, já que muitos tem sempre as mesmas dúvidas. Há o projeto de se colocar um FAQ no site, assim como a possibilidade de um chat, mas são planos para o futuro.

O importante agora é a facilidade de acesso, o fato do conteúdo ser didático e relevante para os fotógrafos, e a regularidade dos episódios.

 

Para saber mais acesse aqui: http://www.clicio.com.br/portuguese/podcast.html

No iTunes: Buscar por Lightroom em português, na área de podcasts (loja americana), e se subscrever. 

 

Sob os holofotes

 

Ontem participei com Cristiano Mascaro, Hélio Campos Mello e um jornalista da Reuters Brasil , Todd  Benson- da gravação de um programa do Roda Viva com dois fotógrafos Greg Gibson e Robert Clark, que vieram ao Brasil participar do PhotoImageBrazil. (leia aqui) Foi muito bom! Robert Clark, fotojornalista trabalha na National Geographic e recentemente fez um trabalho jornalístico viajando 50 dias pelos Estados unidos e fotografando com telefone celular, além de ter sido um dos primeiros profissionais a fotografar o ataque às Torres Gêmeas, o famoso 11 de setembro da sacada de seu apartamento. Greg Gibson, fotógrafo de combates, guerras e campanhas presidenciais, além de ter feito a cobertura do caso Monica Lewinsky (lembram dela? Se não, não tem a menor importância) cansou deste perigo e passou para outro: fotografar casamentos. Durante o programa falamos sobre jornalismo, manipulação de imagens, imagem contemporânea, etc. Foi muito agradável !  Na saída, ganhei um super presente, uma caricatura do Paulo Caruso! Não sei ainda quando o programa irá ao ar, mas assim que souber avisarei!

Créditos: foto acima: Greg Gibson- manifestação religiosa em frente à casa Branca; Robert Clark, ataque às torres gêmeas.

De volta!

Nossa que semana! Pensamos que estamos de férias e mais sossegados, mas foi justamente o contrário. Fiquei um tempo sem escrever, mas acumulando assuntos para postar. Começaremos com um mais tranquilo: estive ontem à convite da Arfoc- SP discutindo com fotojornalistas a questão do fotojornalismo na Internet. Na mesa comigo o Flavio Florido, editor de fotografia da UOL e Marcos Riboli, fotógrafo do G1 (Globo). O auditório estava lotado e o debate foi muito bom! Tanto que precisou ser cortado. Caso contrário, acredito que estaríamos lá até agora! Foi muito legal, mas as críticas dos repórteres fotográficos são as mesmas de cem anos atrás. É engraçado. Acho que passou por DNA, ou talvez e  melhor, pelos químicos da analógica. Mas o importante que ficou do encontro foi a vontade de refletir sobre o papel da fotografia no jornalismo contemporâneo. Espero que a Arfoc-SP continue neste caminho de discussão e chame outros profissionais para debater esta questão!

A delícia de fotografar livre e solto

Particularmente gosto muito do trabalho do Daniel Aratangy. O conheci quando entrou para a Faculdade de Fotografia que largou logo em seguida por incompatibilidade de horários. Mas ficou o contato. Adoro seus retratos e na sua maneira calma  e tranquila ele tem conseguido se colocar muito bem na mídia – especialmente na área de retratos. Ele foi o único  brasileiro a participar de uma empreitada fotográfica organizada pela Motorola para a campanha de um celular em parceria com a Kodak. Foram escolhidos oito fotógrafos no mundo todo. Nova York, Pequim Londres, Moscou, Bombaim, Cidade do México e Sidney. A pauta, cobrir a cidade em que vivem durante 24 horas seguidas. A idéia de fotografar uma cidade em 24 horas é bem antiga (vários livros já foram feitos sobe isso), mas o bacana é sair livre e solto com apenas um celular: isso faz com que tenhamos maior mobilidade e quase uma brincadeira lúdica. Pode-se perceber os fotógrafos se divertindo no making off realizado. (Veja youtube=http://br.youtube.com/watch?v=cDl8YO7DL6M] ). O resultado está agora exposto em Pequim, mas vai rodar o mundo!