Uma aula de fotografia

erva-do-rato-poster01Fui assistir ao filme “Erva do Rato” de Julio Bressane. O filme, bem hermético para dizer a verdade, parte de dois contos do Machado de Assis: “O Esqueleto” e “A Causa secreta’. Mas o que eu quero contar, na verdade, é que gostei muito da fotografia do Walter Carvalho. Aliás fiquei fã dele (do Walter) depois que o entrevistei para o projeto Encontros com a Fotografia da Fnac.  O filme, para mim, basicamente fotografia (até porque não tenho conhecimento suficiente para falar dos filmes do Bressane, só sei do que gosto ou não) é de uma delicadeza e sutileza incríveis. Em muitos momentos fiquei muito emocionada com as imagens, com a luz selecionada e criada por Walter Carvalho.  Valeu a pena  poder olhar e pensar na imagem.

Derrubada por um vírus!

Sim, como um computador. Entrou o virus da gripe e desde quinta-feira estou mal! Febre alta, dores no corpo, etc. Então nada melhor do que aproveitar e colocar alguns assuntos em dia. Um deles foi assistir ao DVD da Annie Leibowitz: “A vida através das Lentes”. Confesso que não é de arrancar suspiros, ou talvez eu não estivesse no clima. Mas é uma bela reportagem sobre sua forma de trabalhar, compreender a fotografia e como sua parceria com a revista Rolling Stones a ajudou a crescer profissionalmente, visto que o diretor sempre lhe deu liberdade total de ação. É também interessante ouvir os fotografados e perceber como ele se sentiram ao trabalhar com ela. Tudo isso recheado com depoimentos familiares, enfim… De qualquer fomar vale a pena!

Também li a nova revista “Santa ART Magazine”, publicada pela Cerebelo Artes, no Rio de Janeiro. O tamanho da revista é meio incômodo, não dá para ler na  cama. No editorial deste primeiro número, Sergio Mauricio, escreve que “Santa chega ao mundo com a intenção de propagar imagens significantes. Sem compromisso fechados, nem com o canônico, nem com as iconoclastias celebradas a cada momento”. Vamos ver! Todo editorial da primeira edição é uma carta de intenções que, obviamente, se alteram com o tempo. Não é uma revista de fotografia, embora neste primeiro número ela mande, apresentando um volumoso ensaio com as fotorafias de Marcos Prado realizado no Tibet entre 1986-1997 (me lembro que escrevi matéria sobre isso em 1996 na Paparazzi), acompanhado de um texto do historiador e pesquisador de fotografia Pedro Karp Vasquez que fala sobre “As Descobertas do Tibet”. Tem também entrevista com Affonso Beato, diretor de fotografia e as brincadeiras que Paulinho Moska está fazendo com sua digital. A revista é trimestral. Tomara que tenha vida mais que longa, visto o deserto que temos nesta área no Brasil! É para brindar sua chegada! (leia o que foi publicado no Pictura Pixel, do amigo Claudio Versiani)

Também comecei a ler o “O livro das emoções”, de João Almino, sobre um fotógrafo cego (mais um) que relata sua vida a partir de um diário fotográfico. Este ainda não acabei. Comentarei mais tarde!

 

Estou muito feliz!!!!!

 edgar.jpg

 

Enfim! Nos últimos tempos só tenho feito o que mais gosto! Minhas aulas no MAM – uma delícia. Sempre me divirto. Minhas matérias no Estadão – adoro escrever, sempre quis e continuo querendo ser jornalista. Decidi isso aos 13 anos! E agora, depois de muitos percalços, que não vêem ao caso, a Coleção Senac de Fotografia está de volta. Ainda neste mês – já está na gráfica – sai o número 13 com  Edgar Moura, mais conhecido por seu trabalho como fotógrafo de cinema, mas que atuou e muito na fotografia nos anos 70 no Brasil e América Latina. Um belo livro com belas imagens de fotojornalismo. Além, é claro, da própria história do Edgar. Já em produção também o livro nº 14 com a fotógrafa de moda e still Ella Dürst. Tudo de bom!

Fotógrafo em cena!

cattarinich_25_bn_1.jpg

Mimmo Cattarinich é um dos mais conhecidos fotógrafos de cinema. Trabalhou com os grandes mestres italianos como Federico Fellino, Pier Paolo Pasolini, Bernardo Bertolucci,  numa época em que o cinema italiano fazia e contava a história e, mais recentemente, Pedro Almodovar. Seu escritório é na famosa Via Veneto onde tantos personagens como Sofia Loren, Marcello Mastrioiani foram imortalizados. Mimmo começou sua carreira em 1961 quando pela primeira vez foi fotógrafo de cena, antes disso trabalhou alguns anos como laboratorista nos estúdios do produtor Dino de Laurentis. Depois que iniciou a carreira como fotógrafo de stills não parou mais. Suas luzes e contra-luzes, a dramaticidade das cenas o uso preciso do preto-e-branco são algumas caracteríticas das suas fotos, como a imagem de Bernardo Bertolucci retratado no deserto durante uma filmagem (foto acima). Assim como teatrais e dramáticas são suas fotos coloridas, como a do filme “Os contos de Canterburry” do Pier Paolo Pasolini (foto abaixo). Agora parte de seu trabalho poderá ser vista em São Paulo, no Sesc Pinheiros, onde será aberta uma exposição na próxima quinta-feira 24 de janeiro.

07.jpg 

Vale a pena ver um dos grandes mestres das luzes!

Também vale a pena ler a matéria de Flávia Guerra publicada hoje no Caderno2 do jornal Estado de S.Paulo.  Flávia entrevistou Mimmo e traz um monte de histórias saborosas.