Um colega para Evgen Bavcar

Durante anos o fotógrafo esloveno Evgen Bavcar dominou a cena como fotógrafo cego. Na verdade ele perdeu a visãodo olho esquerdo aos 10 anos de idade em um acidente com um galhode árvore; no ano seguinte ao brincar como uma mina feriu também o olho direito e aos poucos suas luzes foram se apagando. Sua história é bastante conhecida e você pode também acompanhá-la aqui. Na semana passada li um artigo no  jornal italiano “Corriere della Sera” sobre o fotógrafo norte-americano Pete Eckert, ele também cego, mas devido à retinine pigmentosa. Peter aos 50 anos e vinte com cegueira total, acaba de vencer o concurso fotográfico “Exposure”, organizado pelo grupo “Artists Wanted” em Nova York.  Assim como seu colega esloveno Pete escolheu começar a fotografar para “mostrar ao mundo que posso ver usando os outros sentidos: as lembranças, as emoções, os sons, o tato”, ele contou ao jornal. Cria-se então uma discussão aqui que vai além do ato fotográfico para entrar na questão do ver e enxergar, da visibilidade, do questionamento do que é afinal enxergar e como formamos imagens na nossa memória. Este assunto também foi abordado no filme “A Prova”,  (1991 – dirigido com Jocelyn Moorhouse), assim como no documentário “Janela da Alma”, (1992 direção de João Jardim e Walter Carvalho). Em 1992, o historiador francês Georges Didi-Huberman, lançou o livro “Ce que nous voyons, ce que nous regarde” (No Brasil o livro foi publicado pela Editora34 “O que vemos, o que nos olha”, 1998). Isso sem falar nos livros de neurologistas como Oliver Sacks e V.S. Ramachandran.