Novo curso no Território da Foto

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Frase do dia….

“Os textos se olham, as fotografias se lêem.”

 Arrigo Benedetti (1910-1976)  diretor de redação  e fundador da revista L’Europeo, em 1945….

 

A pesquisa do olhar

Foi no último sábado, dia 21 de setembro. Chovia, estávamos no meio de um feriado. Mesmo assim, nos reunimos no Sesc Pompéia para ouvir a aprender com o Alexandre Sequeira. Um bate-papo calcado em causos que ele ía contando como poucos saber contar. Um texto que ilustrava suas imagens. Ale, apresentou dois trabalhos: o conhecido Nazaré de Mocajuba, um seu retrato da comunidade eo o delicado  Meu Mundo Teu, uma emocionante pesquisa a partir das imagens de dois adolescentes: Jefferson e Tayana. Muito mais do que narrar suas experiência, o que ele nos trouxe foi seu papel de facilitador e de educador do olhar. Alexandre Sequeira é de Belém e também participou do FotoAtiva do Miguel Chikaoka, foi lá que ele desenvolveu esta sua vontade de ensinar a ver e portanto, a aprender a ver. A sua pesquisa, na verdade, não está apenas na imagem, mas na história e no processo de construção de seu trabalho. Idéias que foram debatidas por mais de duas horas e no final uma vontade em todos de produzir mais. Só devemos que agradecer a este belo e afetivo encontro que nos alimentou  os olhos e durante algumas horas nos fez sonhar.

A memória e o tempo

Assisti recentemente o filme Valsa com Bashir, do diretor israelense Ari Folman. A história é  verídica  e autobiográfica: ele,  soldado isralense participou do massacre de Sabra e Shatila que terminou com o assassinato de refugiados civis palestinos. O diretor não lembra mais de nada depois do ataque e procura reconstruir sua memória por meio da narrativa de “companheiros” que tambám participaram da ação. O filme é absolutamente  fantástico, mas ele me lembou muito dos dois livros do fotógrafo francês o-fotografoDidier Lefèvre, que durante anos acompanhou a missão dos Médicos Sem Fronteiras registrando o dia-a-dia destes profissionais. A lembrança veio pelos dois livros publicados, aqui no Brasil, pela editora Conrad ” O Fotógrafo”, com ilustrações de Emmanule Guilbert e imagens do próprio fotógrafo. Levéfre1Didier, que morreu, aos 50 anos, em 2007, registrou as guerras do Afeganistão. A semelhança entre os dois trabalhos está no registro, memória e percepção de uma guerra. Tanto o filme como os livros valem a pena!

 

Antologia das linguagens fotográficas e suas inovações sígnicas.

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Falar sobre este tema nos leva necessariamente a retroceder no tempo  e pensar no surgimento da fotografia da modernidade. Claro que aqui, não nos interessa esta viagem no passado, mas apenas algumas representações que vão permanecer até o presente.Parte-se portanto aqui da última  frase do texto do Walter Benjamin “Pequena História da Fotografia” que lembra fotógrafo húngaro Moholy-Nagy e afirma: “o analfabeto do futuro não será quem não souber ler, mas quem não souber fotografar”.

Qual o papel da fotografia na sociedade contemporânea? O que significa a imagem? Vamos partir de um conceito – entre os muitos possíveis, já que a fotografia é polissêmica,  e que antes de mais nada ela pertence à esfera da comunicação! Quem fotografa quer dizer algo! Portanto antes de mais nada estamos falando de ato comunicacional. •Depois disso temos que partir do fato que antes de mais nada, fotografia é documento.

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E aqui abro espaço para trazer a frase da fotógrafa e estudiosa Gisèle  Freund, que afirma: “Na minha opinião uma fotografia é primeiramente e principalmente um documento. Às vezes obra de arte,  mas raramente” E podemos continuar com outra frase, desta vez do mestre Henry Cartier-Bresson: “fotografia é ação, desenho meditação”

Tudo isso para entendermos as inovações sígnicas da fotografia. Desde sua invenção, ou seja, metade do século XIX a fotografia  cria uma nova significação para o mundo. Não só ela nos ensina a olhar, mas também nos ajuda a perceber este mundo. Para entendermos o discurso fotográfico devemos ir além do traço primeiro que a imagem traz e compreender que ela nada mais é do que a concretização do nosso imaginário. Por mais calcada no real, toda e qualquer imagem é ficção.

Qual a função de uma imagem fotográfica? Devemos partir da premissa que fotografias não documentam objetos ou pessoas, mas documentam nosso imaginário. Onde é possível perceber isso? Nas imagens que querem tratar ou retratar não só o cotidiano, mas também fatos que escapam deste mesmo cotidiano. Uma das primeiras coisas ou clichês que devemos quebrar é de que a fotografia é uma linguagem universal.

A significação das mensagens fotográficas é culturalmente determinada. E sua recepção necessita de códigos de leitura. O que queremos dizer com isso, como afirmou André Bazin,  é que se  a fotografia não  nega o real, ela o desloca. A fotografia é da ordem da impressão, do traço e da marca. Não podemos também esquecer que ainda existe um denominador comum que define a fotografia como uma mensagem portadora de um valor absoluto: por semelhança ou convenção. O que sabemos pelos vários estudos teóricos da imagem é que ela cumpre funções sociais. •Se ela é vista como realista e objetiva é porque lhe atribuíram estas funções para responder questões específicas  de uma sociedade. Hoje com a Internet, a linguagem digital, a grande maioria das pessoas sabe  que uma imagem pode ser manipulada, então cria-se um novo discurso sobre credibilidade da imagem.

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Existem formas que a sociedade gosta de ser representada. Mais uma vez a fotografia ajuda a concretizar estas representações. Mas atenção: numa época em que tudo ou quase tudo é virtual, podemos caminhar novamente para uma visão positivista da imagem. Ou seja, torná-la novamente espelho do real, assim como no século XIX ao privilegiar o aparelho em detrimento do olhar particular de cada um.

 

O homem não vive num mundo só de impressões imediatas, mas também num mundo de conceitos abstratos. Acumula não só a experiência sensorial imediata, mas também a experiência social formulada no sistema de conceitos abstratos. Portanto o homem reflete a realidade não através das sensações imediatas, mas através da experiência racional abstrata. Ou seja construímos ou produzimos conhecimento por meio de representações.O filósofo alemão Friedrich Nietzche, afirmava que a realidade é criada e não descoberta. Os meios de comunicação – no nosso caso a fotografia – não são meros transmissores de informação ou conteúdo simbólico, mas são também criadores de novas formas de ação e interação no mundo social.

Férias, finalmente!

Hoje entro oficialmente de férias! Delícia!

Ainda falta escrever a matéria sobre a exposição “Labirinto de Miradas”, resultado da minha conversa com o Claudi Carreras, na Galeria Olido, durante o Encontro dos Coletivos. A matéria é  para o Estadão. Provavelmente será publicada no ano que vem (a exposição vai até março). Quando sair, publico no blog.

Neste final de ano, também recebi inúmeros livros, o que demonstra que finalmente temos uma publicação sistematizada de fotógrafos e livros de fotografia no Brasil. Aproveitando as férias vou resenhá-los, um por um aqui  no blog. Adiantando os títulos: “Heliópolis”, de Renata Castello Branco; “A curva e o caminho”, de André François : “Emergentes”, de Érico Hiller e “Onde a água encontra a terra” de Paulo Herkenhoff. Na área teórica, estou devendo há tempos a leitura do “Man Ray a imagem da mulher” de Georgia Quintas, que para mim, já tive oportunidade de escreve-lo, é umnome  importante do pensar a fotografia no Brasil e  um livro que aparentemente não tem nada a ver com fotografia, mas tudo a ver com minha linha teórica e de pensamento que é “Psicologia cultural da mídia”, de Giuseppe Mininni. Neste livro, só para entender porque vou resenhá-lo para o blog, o autor parte de uma questão crucial que é: “as representações difundidas pela mídia são um reflexo da realidade ou contribuem para construí-la?”. Acho que isso tem tudo a ver também com a representação fotográfica na mídia.

Isso vai me permitir me dedicar com mais afinco ao blog. Tenho muito que escrever pois o próximo ano, com certeza será de muito trabalho e novidades.

A primeira é que iniciei uma parceria com Fernando e Luciana da Arte Plural Galeria de Recife! Estou adoroando. Vamos juntos pensar fotografia e fazer alguns trabalhos em conjunto. Eu que já adoro o Recife, vou ter a oportunidade de estar mais vezes por lá e encontrar os vários amigos que fiz. Aliás já descrevi e escrevi isso em outro post.

Outra novidade é que fui convidada pelo Marcelo Reis (Instituto Casa da Photographia) para levar meu workshop “Pensadores da Fotografia”, para a Bahia, em junho deste ano. Estamos nos acertando e espero que tudo dê certo! Mais uma oportunidade para aprender ouvir e ver o que pos baianos estão fazendo e produzindo!

Terei novos cursos no MAM . Além de continuar escrevendo minhas matérias para o Estadão e a Coleção Senac de Fotografia!  Também quero montar o curso “Pensadores da Fotografia 2” . Enfim, trabalho que não acaba mais.

Uma boa leitura!

Nesta segunda-feira, finalmente, consegui terminar a leitura do livro “O Instante contínuo – uma história particular da fotografia”, do romancista inglês Geoff Dyer.  Disse finalmente porque comecei há algum tempo a ler o livro. Em geral leio muito rápido, mas achei o livro tão bom que fui degustando devagar. Geoff Dyer não é fotógrafo e nem fotografa, mas fez uma super, hiper pesquisa de história da fotografia. Claro que sua visão sobre o assunto é dele e particular (como qualquer outra, afinal), mas eu adorei o que li. Agora vou resenhar para o Estadão. Mas a visão de Geoff me entusiasmou para pensar uma série de artigos e novas pensatas sobre a fotografia. Como eu sempre disse, o estudo aprofundado da história da fotografia, a vasta leitura que ele fez dos fotógrafos, suas biografias, o ler e desvendar suas fotos o levaram para um caminho, no mínimo interessante! É uma passei pela leituras de imagens. Ele escolhe alguns temas que se reptem nas imagens nos mais diferentes fotógrafos: cegos, espelhos, portas, barbearias, interiores, postos de gasolina, etc. A partir destes temas recorrentes ele vai desenvolvendo e trabalhando possibilidades imagéticas. Uma leitura que eu aconselho a todos!