A memória e o tempo

Assisti recentemente o filme Valsa com Bashir, do diretor israelense Ari Folman. A história é  verídica  e autobiográfica: ele,  soldado isralense participou do massacre de Sabra e Shatila que terminou com o assassinato de refugiados civis palestinos. O diretor não lembra mais de nada depois do ataque e procura reconstruir sua memória por meio da narrativa de “companheiros” que tambám participaram da ação. O filme é absolutamente  fantástico, mas ele me lembou muito dos dois livros do fotógrafo francês o-fotografoDidier Lefèvre, que durante anos acompanhou a missão dos Médicos Sem Fronteiras registrando o dia-a-dia destes profissionais. A lembrança veio pelos dois livros publicados, aqui no Brasil, pela editora Conrad ” O Fotógrafo”, com ilustrações de Emmanule Guilbert e imagens do próprio fotógrafo. Levéfre1Didier, que morreu, aos 50 anos, em 2007, registrou as guerras do Afeganistão. A semelhança entre os dois trabalhos está no registro, memória e percepção de uma guerra. Tanto o filme como os livros valem a pena!

 

Uma aula de fotografia

erva-do-rato-poster01Fui assistir ao filme “Erva do Rato” de Julio Bressane. O filme, bem hermético para dizer a verdade, parte de dois contos do Machado de Assis: “O Esqueleto” e “A Causa secreta’. Mas o que eu quero contar, na verdade, é que gostei muito da fotografia do Walter Carvalho. Aliás fiquei fã dele (do Walter) depois que o entrevistei para o projeto Encontros com a Fotografia da Fnac.  O filme, para mim, basicamente fotografia (até porque não tenho conhecimento suficiente para falar dos filmes do Bressane, só sei do que gosto ou não) é de uma delicadeza e sutileza incríveis. Em muitos momentos fiquei muito emocionada com as imagens, com a luz selecionada e criada por Walter Carvalho.  Valeu a pena  poder olhar e pensar na imagem.

Entre os muros da escola

Fui assistir a este filme na terça-feira. Confeso que fiquei muito tocada e pensativa com o que vi. Uma história verdadeirade um professor da periferia parisiense numa classe bem heterogênea e que, na verdade, ao querer ser amigo dos alunos os afasta cada vez mais. O filme é muito tenso o tempo todo (bem verdade que é muito longo e alguns momentos cansativos), os diálogos estão sempre acima do tom. Não acredito que seja diferente nas escolas do Brasil. Mas o que mais me chamou a atenção foi a falta de entendimento, dos pedidos de socorro dos próprios alunos, e da escola que, já sabemos, hoje em dia não é mais interessante para ninguem. No quesito fotografia – que é o que interessa a este blog, uma cena me chamou muito a atenção. O professor de francês (protagonista do filme ) após a leitura do Diário de Anne Frank, pede aos alunos que escrevam uma redação fazendo seu próprio autorretrato. Um único aluno usa a fotografia para contar sua história. É um aluno problemático do qual os amigos zombam o tempo inteiro dizendo que ele não sabe escrever (a turma é de adolescentes), mas ao fotografar ele consegue contar sua história. Parece que o professor se interessa por isso, mas é apenas um átimo, ele não percebe  a força da linguagem deste garoto. Em seguida parece que o próprio professor se desinteressa por ele, voltando sempre à antiga questão  de uma escola que não esina e não desperta o interesse dos alunos. Também muito boa a cena da aluna ofendida sistematicamente pelo professor (que é sempre questionado e ofendido por ela)  e que o surpreeende ao dizer que leu a República de Platão. Um filme (guardada às devidas proporções de ser em alguns momentos bastante cansativo e repetitivo) que nos coloca frente à questão de ensinar e aprender e a falta de sentido que muitas vezes o ensino faz para quem aprende. Após o filme lembrei imediatamente do método Paulo Freire e também de uma frase de Leonardo Da Vinci: “só aprendemos o que nos interessa!” A fotografia aparece como forma de integração, de ligação e de discurso, mas é abandonada pela retórica da linguagem falada e escrita. Um filme que faz pensar e que para mim, valeu muito a pena.

Mais um filme sobre fotógrafos e fotografia.

Esta dica vem do blog Olha,vê, de meu amigo Alexandre Belem. Acaba de ser lançado o documentário sobre a lendária imagem de Eddie Adams :”Un Unlikely Weapon”. É sobre a inesquecível imagem feita durante a guerra do Vietnã: o chefe de polícia de Saigon atira num vietcong em frente à câmara de Eddie Adams. para muitos, esta imagem foi determinante para as discussões que culminaram com o fim da guerra.

Mas leia  no blog do Alexandre – e veja um pedaço do filme!