Os encontros da fotografia em Arles

Passei 9 dias em Arles acompanhando a edição deste ano dos “Les Rencontres d’Arles Photographie”. Foi muito bom. Vi muitas exposições, participei de quase todas as palestras e segui com atenção redobrada o seminário do ano: “Fotografia: colecionar, expor, ensinar”. O tema do ano  “Du lourd et du Piquant”, teve como símbolo um rinocerente rosa choque: nas exposições (centradas a maioria em fotojornalismo) a questão de memória, identidade, reconhecimento. Os homenageados do ano: os argentinos que trouxeram lindas exposições. A melhor de todas porém, sem dúvida, foi a de um artista plástico que usa a fotografia Léon Ferrari. Genial! E imperdível!.

Na Europa, questões como arte e fotografia nem se colocaram – pelo menos não neste simpósio. Uma questãio para eles – e deveria ser também para nós – já ultrapassada. Mas discutiu-se muito  o fazer fotográfico, coleções de fotografia, fotografia e multimídia, transformação de visualidade.

Um dos embates mais legais foi sem dúvida entre a editora de fotografia da Time Magazine, Kira Pollack, uma garota empolgadíssima com as novas tecnologias e a vedete do momento o Ipad. Mostrou um vídeo promocional (diga-se de passagem, muito bom”!) da transformação da Time e falava de forma entusiasmada do novo jornalismo/fotojornalismo. Não convenceu os europeus que se mantém firmes em sua defesa da fotografia pura. Ouvi de um fotojornalista: “agora eles querem que sejamos cineastas. Não faço cinema, faço fotografia. Filmar com a câmara não nos interessa”.

Na noites de projeção, sem dúvida o destaque foi o trabalho “Blanco”, de Stefano de Luigi (falarei sobre este ensaio nos próximos post). Dos que eu assisti foi o único aplaudido após a projeção. De uma delicadez ímpar!.

O calor estava insuportável. Arles, cidade de pedra e, no verão, muito pouco verde – por isso mesmo tem ótimos vinhos e azeites – me fez refletir profundamente sobre como encaramos a fotografia aqui no Brasil.

No debate estratégias para entrar no mercado, quem brilhou foi o polêmico fotógrafo argentino (ele faz questão de ser definido assim) Marcos López que, diante da fala assumidamente comercial de Paolo Woods que defendia a universalidade da imagem e a importância de fazer o que as galerias querem retrucou -“não sou universal, sou argentino e fotografo problemas e questões argentinas. Estratégia comercial não combina com arte. Não entendo desta maneira o fazer fotográfico. Minha fotografia não é universal, é argentina”. Foi aplaudido.

Outro momento para mim impactante, foi na Arena, quando três curadores defenderam a escolha dos selecionados para o prêmio Revelação Luma. Havia já visto a exposição e achado absolutamente péssima. Mas meu espanto foi quando a Arena vaiou os curadores. De  tal forma que o diretor geral dos encontros pediu a palavra e pediu calma. Afinal o próprio público votaria, no melhor trabalho. Um dos curadores disse: “vocês estão errados”. Levou uma vaia maior e ouviu “o errado e completamente equivocado é você!”. 

Nos próximos post vou apresentar cada uma das exposições que eu achei mais interessante (desculpem, mas assim é) e falar um pouco também do seminário.

Voltei cheia de idéias, projetos, fiz contatos excelentes, conheci pessoas maravilhosas. Vi muita porcaria também….

Mas isso é um outro assunto.

 

Fotografia brasileira na Brasileiros

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A revista Brasileiros de outubro (sim, ela ainda está nas bancas) abre 22 páginas para falar de fotografia. Sem dúvida, fiquei orgulhosa em ver que ela abriu espaço para o projeto Encontros com a Fotografia”, da Fnac,

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mas também traz duas belas entrevistas: uma com o João Urban, fotógrafo documental de Curitiba e outra com a Claudia Andujar . Bom para a fotografia!

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Direto de Paraty

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Estou agora confortavelmente sentada escrevendo este blog, num silêncio invejável. Delícia! Na quarta começou o Paraty em Foco. Foi também o lançamento oficial do documentário e do projeto “Encontros com a Fotografia”, realizado pela Fnac Brasil. Foi muito legal e, confesso, que fiqui muito emocionada. Uma sensação de que, “sim, valeu a pena. Todos nós fizemos um ótimo trabalho”. A equipe toda. Com este livro deentrevistas, são 21 as publicações com as quais participei efetivamente como entrevistadora: “Imagens da Fotografia Brasileira 1”, “Imagens da Fotografia Brasileira 2”, 18 volumes da Coleção Senac de Fotografis e agora Encontros com a Fotografia.

Nunca escrevi um post, assim tão pessoal.Mas, sim estou muito feliz!

Encontros com a fotografia- lançamento

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Agora é só correr para o abraço! Espero todos vocês para o lançamento em São Paulo, na Fnac-Pinheiros no dia 22 de setembro, terça-feira a partir das 19.h. No dia seguinte o lançamento será na abertura do Paraty em Foco. Estão todos convidados. Vamos brindar à fotografia!

Mario Cravo Neto

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Ele se foi! Cedo, muito cedo! Foi com Mario Cravo Neto que iniciei minhas colaborações para o Estado de São Paulo, em 1996. Foi ele que abriu minha coleção de perfis para o jornal. Doze anos depois, o reencontrei desta vez em sua casa em Salvador, em março deste ano para o projeto “Encontros com a Fotografia”, da Fnac. Neste dia, já abatido pela doença, mas com  bom humor foi muito generoso com a equipe. Falou, e falou muito, contou sua vida profissional, mostrou sua casa seu ateliê, suas fotos e livros. Artista multimídia há muito tempo,  Mario Cravo Neto iniciou na escultura, ainda adolescente, antes de começar a fotografar, ofício que também abraçou bem cedo.

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Não bastava: fez cinema e, em 1976, foi diretor de fotografia do filme “Ubirajara, de André Luiz Oliveira. Em 1991, durante a guerra do Golfo, fez o vídeo “GW 41 – Persian Gulf”, utilizando os noticiários da tv. Na primeira entrevista que me concedeu,em 1996, definiu o que para ele era fotografia: “a fotografia é como uma cicatriz no corpo, às vezes intrigante porque plasma o momento da ação. Por vezes direta e intencional às vezes acidental e ocasional; por serem diversas em seus significados, são marcas que contam mentiras diferentes. A sua função é como de toda grande arte -unir os homens, aproximá-los de uma idéia comum. É como poesia, a mais gestual das manifestações criadoras. Contém em si o sinal da cruz – o elo de ligação entre o céu e o inferno”.

 

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Sobre suas experiências com diversas linguagens: “elas pertencem ao meu desenvolvimento como artista plástico. São minha extensão, os tentáculos que ajudam a me relacionar com o meio ambiente, comigo mesmo e com o futuro. Deixei o cinema, pois não me agradava o tipo de vida que teria de me submeter. Em meus vídeos eu os dirijo, fotografo e edito. Em outras palavras posso contar a história à minha maneira. A curiosidade, a técnica e as linguagens diferenciadas fazem parte do desenvolvimento de todo artista. Sobre suas fontes de inspiração: “os que me inspiram tem sempre algo de poético. São músicos, artistas, fotógrafos, poetas. Tudo o que me toca me inspira”.

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Em 2009, a entrevista, ainda inédita, girou em torno de seu livro “Laróyé”, lançado em 2001, em São Paulo, na própria Fnac, e resultado de 30 anos de registro do carnaval, candomblé e festas populares.Pioneiro em colocar a fotografia no mercado das artes no Brasil, Mario Cravo Neto deixa um vazio sobre o pensar e fazer a fotografia. Espero que suas imagens e seus trabalhos permaneçam sempre como um norte, como linhas mestras e que, acima de tudo, guiem nossos olhos.

Tchau, Mariozinho!

 

na foto: 

Mario Cravo Neto, eu, Rosely Nagakawa , durante gravação do DVD “Encontros com a Fotografia” .

Crédito: Manu Costa

Encontros com a fotografia – reta final

Estamos há mais de 15 dias trancados finalizado este projeto; editando imagens, fazendo a pós-produção do vídeo e escrevendo os textos. O projeto será lançado em setembro para comemorar os 10 anos da Fnac no Brasil e o ano França no Brasil. Veja o clipe para saber o que fizemos.

Encontros com a fotografia

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Crédito das fotos; Mario Cravo Neto, Christian Cravo, Tiago Santa e Gustavo Moura

Mais uma etapa finalizada. Desta vez foi o Nordeste. Começamos em Salvador, onde entrevistamos Mario Cravo Neto e Christian Cravo. Seguimos para Juazeiro do Norte, onde passamos o dia com Tiago Santana  para seguirmos para o sertão do Carari paraibano onde nos encontramos com Gustavo Moura. Falta só mais uma viagem, agora ao Rio de Janeiro. Depois é  trabalho mesmo! Transcrever e editar as entrevistas, editar o vídeo e o making off. Aguardem, em breve o making off estará aqui no Trama. O diretor de imagem Mauricio Valim já está trabalhando nisso.

Encontros com a Fotografia

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Crédito fotos: Eustáquio Neves, Paula Sampaio, Alberto Bittar, Dirceu Maués, Luiz Braga, Miguel Chikaoka.

A caravana Fnac continua na estrada. Continuamos o projeto Encontros com a Fotografia, (leia aqui).  Acabamos de voltar de Diamantina, onde entrevistamos o Eustáquio Neves; Brasília, onde encontramos com o Patrick Grosner, em seguida fomos para a maravilhosa cidade de Belém no Pará, para entrevistar, Luiz Braga, Alberto Bittar, Dirceu Maués, Paula Sampaio e Miguel Chikaoka .  Na próxima semana estaremos em Salvador e Juazeiro no Norte. Em breve colocarei no ar alguns vídeos do making off destas jornadas. Aguardem!