Arte Plural cria grupos de estudo sobre edição e história da fotografia

Já estão abertas as inscrições para os Grupos de Estudo de “Edição” e de “História da Fotografia”, que terão a orientação da jornalista e crítica de fotografia Simonetta Persichetti, na Arte Plural Galeria. Os encontros serão realizados uma vez por mês, a partir de abril.

 O grupo de Edição de Fotografia vai abordar, em aulas práticas e teóricas, formas criativas e eficientes de editar uma imagem. Dentro do programa, o aluno irá aprender técnicas de como criar ritmo de leitura para uma publicação ou portfólio; saber como determinada fotografia pode ser aproveitada por programas de edição ou não; se acostumar com as diversas possibilidades de compreensão de um ensaio e escolher entre um trabalho ilustrativo e outro comunicativo. Os encontros serão nos dias 12 de abril, 10 de maio e 14 de junho, das 19h às 23h. 

Já o grupo de História da Fotografia visa a compreender a transformação dos códigos e de visualidade a partir da invenção da foto. Através de vídeos e projeções de imagens, serão estudados os principais movimentos e o surgimento da linguagem fotográfica, além de abordar um pouco da biografia dos principais profissionais na área. Os encontros serão nos dias 9 de agosto, 13 de setembro, 18 de outubro e 8 de novembro, das 19h às 22h.  

Os interessados devem correr, pois as vagas são limitadas.

O custo por participante é de R$ 350, em cada grupo, com 15% de desconto para associados da Fototech (apresentar a carteira de associado). O preço também será facilitado para quem se matricular em ambos os grupos, que sairão por R$ 300, cada. Ou em 3 vezes no cartão Visa

SERVIÇO:

Grupo de Edição de Fotográfica

Datas: 12/04, 10/05 e 14/06 – Horário: 19h às 23h. 

Grupo de História da Fotografia

Datas: 09/08, 13/09, 18/10 e 08/11 – Horário: 19h às 22h.

 Inscrição
Na Arte Plural Galeria – Rua da Moeda, 140, Bairro do Recife – Recife – PE;

Informações: (81) 3424.4431 – arteplural@artepluralgaleria.com.br

www.artepluralgaleria.com.br

Pernambuco Convida – os autores

CALEIDOSCÓPIO

por: Simonetta Persichetti

Aos poucos a exposição foi se definindo. Difícil: 10 fotógrafos com linguagens e intenções diferentes. Aos poucos os olhares foram se encontrando pela cor, pelas sombras, pelos temas. Ensaios totalmente livres, nenhuma cobrança, nenhuma imposição.

O resultado são 30 imagens que conversam entre si, se complementam se afrontam, se questionam. As imagens poéticas de Fernanda Prado que trabalham com memória e sentimento encontram apoio nas casas de Alexandre Belém feitas durante o intervalo de uma reportagem.

Fotos: Fernando Neves

O ensaio de Mariana Guerra encontra eco na cobertura de Paula Cinquetti, não só pela cor vermelha que domina, mas pela pulsão de vida que estas imagens nos transmitem. A cultura da natureza de Mateus Sá fala com as imagens transcendentais de Marcello Vitorino que procura desvendar os mistérios do candomblé, não numa leitura literal, mas na sua própria tentativa de entender ao que está assistindo. Ambos de lados diversos falam de uma busca da religião – no sentido de religar – homem e natureza. Aspecto que pode ser encontrado nas fotografias de Teresa Maia onde um rapaz se relaciona com um manequim. Poderíamos criar uma analogia entre este mundo que mais aparece do que é. Nesta mesma linha estão as buscas de Claudia Jacobowitz, Celisa Beraldo, Gabriel Boieras e Luciana Cattani do Território da Foto. Coisas não ditas, sombras, rasgos, uma visibilidade que aponta, mas não denuncia. Espreita. Assim como nós estamos espreitando a fotografia brasileira.

UPDATE 1: leia também no blog do Clício

Imagens sem Fronteiras

Este texto não é novo. Saiu no Caderno 2 do Estadão no final do ano passado, mais precisamente no dia 28 de dezembro. Eu mesma, só vi o texto quando voltei ao Brasil. Mesmo assim eu gostei e acho que vale a pena transcrevê-lo aqui já que é uma análise dos eventos fotográficos do ano passado. Portanto lá vai:

O reconhecimento do valor cultural da fotografia é algo ainda relativamente novo no campo das expressões e das ciências humanas. Tratada muitas vezes como suporte, como estudo, ela se viu transformada nos últimos anos em protagonista e também matéria-prima do fazer e das discussões em relação à imagem contemporânea.

Neste ano, pudemos ver isso de forma prática e não apenas na literatura ou nos campos acadêmicos. Nos últimos 20 anos, tem sido foco de discussão e reapresentação ou ressignificação de sua própria ontologia. Isso fica evidente quando ela – que sempre fez parte dos acervos museológicos como ferramenta objetiva ou de informação da modernidade – passa a fazer parte das galerias, das feiras de arte, como expressão que não representa, mas apresenta conceitos e significados que vão além da superfície bidimensional.

Dessa forma, pudemos apreciar exposições que retomaram o que se considera a imagem clássica como a do mestre da fotografia francês Henri Cartier-Bresson (1908-2004), reconhecido por suas imagens jornalísticas, mas que apresentadas como retrospectiva do autor – e pela sua própria edição – provaram muito mais a evolução de seu olhar, do seu pensamento imagético, do que propriamente uma narrativa de mundo. O mesmo pode ser dito da exposição de retratos de fotojornalistas do Estado, que inaugurava a entrada da SP-Arte/Foto, evento que reuniu 17 galerias e mais de 300 imagens. Os retratos, editados pelo jornalista Antonio Gonçalves Filho, privilegiavam o olhar autoral de cada artista, ou, melhor dizendo, repórter-fotográfico, na citação clara de que pensar que fotojornalismo não tem estética é mais uma falácia em torno da pequena-grande história da fotografia. Outra mostra que trouxe à tona essa discussão é a de Walker Evans (1903-1975), conhecido por seu trabalho durante a depressão americana da década de 1930.

Pensar a fotografia como objeto e não como ferramenta, obviamente não é novo, nem fruto do século 21. Considerada a expressão moderna por excelência, foi tomada de assalto pelos artistas vanguardistas, das primeiras décadas do século 20, que dela se apropriaram justamente por causa de sua funcionalidade, e aqui devemos destacar, com mais ênfase, dadaístas e surrealistas. As questões hoje são outras, falar da funcionalidade da fotografia já se tornou uma não-questão. Mas outras problemáticas acabam surgindo como a da sociedade do entretenimento, na qual quase todas as imagens se destacam não pelo seu conteúdo, mas por uma estética vazia, que transforma imagens em espetáculo no que de pior tem esta palavra.

E embora tenhamos visto excelentes mostras neste ano, a quantidade de fotos em cada uma – 150, 200, 300 – demonstra uma vontade de assombrar sem nada acrescentar. Caso por exemplo da exposição de Vik Muniz, uma mostra midiática em que se confunde o fazer artístico com o fazer espetáculo. Grandes produções, belos shows. Na contramão desse tipo de evento, no Itaú Cultural, a mostra A Invenção de Um Mundo, recorte do acervo da Maison Européenne de la Photographie, com curadoria de Eder Chiodetto e Jeal-Luc Monterosso, nos apresenta a imagem contemporânea pensada a partir da subjetividade de seu autor. A escolha dos curadores, bastante definida e dirigida, nos exibe artistas que por parábolas e metáforas acabam por questionar essa falta de profundidade a que temos assistido repetidamente. Como se a fotografia, ou a imagem, se bastasse por si. Seguindo essa linha da reflexão cognitiva e não do reflexo-espelho, tivemos as imagens de Robert Polidori, fotógrafo canadense trazido ao Brasil pelo Instituto Moreira Salles. E adota o grande formato como uma forma de evidenciar a passagem do tempo. Suas fotografias trazem as marcas do caos urbano causado pelo homem ou pela natureza.

Mas não foi só nas exposições que a fotografia foi protagonista neste ano. Na área editorial também houve belas publicações. Ainda pelo Instituto Moreira Salles, tivemos os belos livros de Maureen Bisilliat e Marcel Gautherot (1910-1996). A Companhia das Letras publicou o Elogiemos os Homens Ilustres, uma matéria elaborada pelo jornalista James Rufus Agee e pelo fotógrafo Walker Evans. Outro ponto alto do ano para o segmento foram, sem dúvida, os festivais em Porto Alegre, Rio, São Paulo e Paraty, onde a discussão se fez presente nas várias entrevistas com autores de estéticas completamente diferenciadas.

Mas se tudo foi brilho neste ano para a fotografia aqui no Brasil, tivemos também duas perdas bastante relevantes. Morrem Otto Stupakoff (1935-2009), o primeiro fotógrafo de moda brasileiro que fez vida e carreira nos Estados Unidos, mas havia retornado ao Brasil; e Mario Cravo Neto (1947-2009), um artista que sempre se destacou pela força de seu trabalho, retratando de forma bastante singular a cultura brasileira, em especial, a baiana. Otto teve bela exposição organizada pelo IMS e Mario Cravo Neto, a mostra Eternamente Agora: Um Tributo a Mario Cravo Neto, com curadoria de Paulo Herkenhoff e Christian Cravo.

Foi um ano de pensar a fotografia, de discutir as imagens sem impor barreiras ou fronteiras. Um ano que parece ser a preparação para uma nova década que se inicia não só no fazer, mas, acima de tudo, no pensar a fotografia. O espaço conseguido parece ser irreversível. Cada vez mais ouviremos falar sobre ela.

A arte de reinventar o mundo em imagens

Abriu hoje a exposição “A Invenção de um mundo” no ItaúCultural.  É imperdível. Abaixo meu texto publicado hoje no Estadão.

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La neige qui brule, Bernard Faucon

 

A arte de reinventar o mundo com imagens

Amplo recorte do acervo da Maison Européenne é apresentado a partir de hoje em A Invenção de Um Mundo, que mostra os caminhos da foto contemporânea

Simonetta Persichetti, ESPECIAL PARA O ESTADO

A imagem construída, pensada e formada, antes de tudo, pela subjetividade de seu autor: é essa a temática principal das 127 obras que compõem a exposição A Invenção de Um Mundo, recorte do acervo da Maison Européenne de la Photographie, que o Itaú Cultural apresenta a partir de hoje e até 13 de dezembro. São trabalhos realizados por mais de 30 artistas nos últimos 20 anos, quando cada vez mais a fotografia se impõe como expressão e começa a fazer sua entrada nas galerias, nas feiras de artes e no mercado mundial.

Os curadores, Jean Luc Monterosso, diretor da instituição francesa, e o brasileiro Eder Chiodetto, passaram dois anos vasculhando o imenso acervo da instituição francesa, composto de mais de 20 mil fotografias, para criar uma linha de pensamento e de temas que marcam a fase contemporânea. A fotografia como resultado do sonho, do imaginário (como todas as fotos são), imagens que surgem de uma concepção prévia de direção, produção e montagem, como escrevem os próprios curadores. Paralelamente à exposição, um seminário internacional vai discutir as “invenções” recentes do setor. Com ingressos distribuídos meia hora antes, esses encontros vão colocar nomes fundamentais para partilhar experiências e debater temas relativos à fotografia.

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Food or Drugs, Martial Cherrier

 

Escolher imagens que se repensam a partir dos anos 1980 pode estar em linha direta com o surgimento de livros que passam a pensar teoricamente a fotografia, em especial obras que questionam, ou melhor, recolocam em cena a ontologia da imagem fotográfica, como por exemplo os textos ligados à semiótica que nos ajudam a interpretar a imagem e compreender de forma mais analítica todos os seus indícios.

São imagens como as de Duane Michals, fotógrafo norte-americano que desde que começou a carreira, no começo dos anos 1960, sempre seguiu por seu caminho de autor, produzindo (muito antes de isso ser moda) séries e sequências fotográficas, montagens, sempre ligado a uma narrativa e possivelmente influenciado por profissionais das vanguardas europeias do começo do século 20. Um olhar que foge ao senso comum. Assim como fotografias da francesa Bettina Rheims, que começa seu ofício em 1978, aos 26 anos, retratando andróginos, strippers, prostitutas. Seus registros estão sempre ligados à ambiguidade e provocação, como o que será apresentado em São Paulo, Céne, uma releitura do famoso quadro A Última Ceia. Um tema bastante comum entre os artistas. Outro fotógrafo de destaque é, sem dúvida, Jan Saudek, checo que começa suas atividades nos anos 1950, sempre misturando em seus trabalhos pintura e desenho, colorindo as fotos manualmente, criando cenários expressionistas, nos quais as pessoas se misturam entre a realidade e a fantasia.

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Herbarium, Joan Fontcuberta

 

E mais: as fotos do casal Pierre e Gilles, franceses que buscam na estética pop e totalmente estilizada sua forma de contar a banalidade da vida cotidiana, sem esquecer do catalão Joan Fontcuberta, também exímio na arte da montagem, da fotocolagem e da falsificação de imagem. Tema, aliás, que ele descreve magistralmente em seu livro El Beso de Judas. Famosa também é a série em que relaciona arte e ciência. Dos brasileiros foram selecionadas as fotos objetos de Vicente Mello e o vídeo Identidade, de Cris Bierrenbach, só como exemplo.

Na mostra, as imagens foram separadas em eixos temáticos que abordam questões da memória, de identidade e dos sonhos. Neste último é imprescindível destacar os trabalhos da fotógrafa francesa Sarah Moon, conhecida por seus ensaios na área da moda. Aqui ela aparece com uma série de cunho bastante pessoal na qual aborda o universo feminino.

Trata-se, enfim, de um panorama do universo do imaginário desses artistas, preocupados com temáticas que questionam a própria imagem produzida hoje em dia, sem a menor reflexão e sempre na superfície, como se por ser imagem já desse conta de um conteúdo: “É a invenção de um mundo poético, mas, sem dúvida, também um olhar político de crítica à própria sociedade contemporânea”, afirma o curador Eder Chiodetto.

Serviço

A Invenção de Um Mundo Artes Visuais. Itaú Cultural. Av. Paulista, 149, 2168-1776. 10 h/21 h (sáb. e dom. até 19 h; fecha 2.ª). Grátis. Até 13/12

Meu olho esquerdo

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Quando ele nasceu, um anjo torto, desses que moram entre o preto e o branco, dizem que corintiano, falou: ‘Vai Ed, vai ser gauche na vida’. E ele foi, meio na contramão, e parte de seu trabalho está nesta mostra Meu Olho esquerdo” . Com esta frase, parafraseando o poeta Carlos Drummond de Andrade, o jornalista Carlos Moraes abre o texto que apresenta a exposição de Ed Viggiani. Não poderia ter sido melhor. Pois é assim mesmo que Ed nos apresenta suas fotografias. Não as mesmas que estamos acostumados a ver, mas um olhar que procura onde os outros olhares não estão.

Em 40 imagens realizadas ao longo de 20 anos podemos atravessar um Brasil dos anônimos, dos invisíveis. Por isso o nome “Meu olho esquerdo”: “quis mostrar um Brasil que mais ninguém conta. Deixar de lado a foto oficial” nos conta Ed . Muitas das imagens são inéditas, outras já conhecidas, mas recriadas e ressignificadas num discurso único, ritmado e selecionado pelo próprio Ed com a ajuda do designer gráfico Ademar Assaoka. 

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Uma exposição que ressalta a fotografia como pano de fundo para uma reflexão maior, o lado humanista do fotógrafo que se reflete na forma como ele cria suas imagens. Nada é apresentado. A fotografia de Ed não escancara, não grita. Aponta, sinaliza por meio de formas e volumes, estética utilizada como linguagem documentária e não como forma comercial e superficial.   Fotografias feitas analogicamente e ampliadas da mesma maneira, no laboratório PB: “quando fotografo analogicamente, me sinto mais reflexivo. O filme me ajuda a pensar. Isso é muito importante para mim. Apresento dúvidas e gostaria de levar o espectador também para reflexão”, comenta. Não se pense, porém, que Ed é avesso ou não utilize o digital: “cada vez mais fotógrafo menos com filme e o digital está totalmente integrado ao meu trabalho, mas este é outro tipo de trabalho”.

Pois é. Mais uma vez na contra mão da história. Num momento em que muitas das fotografias que vemos publicadas na mídia – com exceções, é claro – seguem uma mesma estética publicitária, o que as torna bastante superficiais, quando o que se discute não é mais a informação de um fato, mas a superficialidade de imagens-espetáculos facilmente descartadas de nossa memória, a exposição de Ed é um mergulho no silêncio, um trabalho profundo. E sim, este tipo de trabalho ainda faz falta na mídia.  Suas fotografias seguem a linha da fotografia documentária que traz em si além de um componente histórico, um vetor de discussão, luzes que apontam para outras realidades. Um olhar feito prosa, que narra: “procuro não alterar a imagem depois de feita. Ou seja, tento mostrar a fotografia exatamente da mesma forma como eu vi a cena, como entendi e visualizei”. Mas não deixa de ser um olhar contemporâneo, com primeiros planos fortes, seqüenciais e metalinguagens. Ele traz as questões da contemporaneidade na sua forma de registrar. Uma fotografia que é pensada antes mesmo de ser construída, realizada. São imagens do cotidiano, da banalidade, um ensaio cultural do país, visto de forma única e autoral por Ed Viggiani. Vista por seu olho esquerdo, que enxerga muito além da mera representação de um fato. Um olhar que não se perde na superfície. Por isso mesmo permanente e não descartável.

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“Meu Olho Esquerdo

De 20 de setembro a 1 de novembro de 2009

De terça a domingo, das 9 às 21h

Entrada franca

Caixa Cultural São Paulo

Praça da Sé, 111 – São Paulo (SP)

Galeria Humberto Betetto

Fone: (11) 3321-4400

www.caixa.gov.br/caixacultural

O fim de fotojornalismo

gammaLá vamos nós de novo. Volta e meia este assunto volta a baila. Quem me conhece, especialmente meus alunos, sabem que há muito tempo venho dizendo isso. Há pelo menos dez anos. Lembro de uma palestra  sobre fotojornalismo no Senac, no começo do novo século, quando disse que o fotojornalismo estava morrendo quase fui apedrejada em praça pública…Coisa de gente que não presta atenção. Agora, de novo, com a morte anunciada da Gamma, este tema retorna como se fosse uma grande novidade. É claro que o fotojornalismo não morre, mas o jeito que ele está sendo feito o matou. Excesso de photoshop, estética publicitária, etc., etc., etc. Também tenho plena consciência de que não dá para ficar num fotojornalismo romântico dos anos 60/70, mas é necessário repensar a  estética jornalística como um todo.

Abaixo o e-mail que Eder Chiodetto, curador e crítico de fotografia  me mandou:

“O Fotojornalismo acabou!!!! É o que diz a representante da falida Gamma no artigo que o Eduardo Knapp nos mandou… “vamos ter que partir para assuntos mais profundos!!!” O tempo passa e aquilo que escrevi naquela matéria em que eu comentava a exposição da Arfoc tempos atrás, e que causou todo aquele rebuliço, vai se confirmando… É claro que o fotojornalismo não acabou e nunca acabará! O que acabou e segue acabando velozmente é o modelo jornal impresso-funcionário-pautinha na mão e fotógrafo bem mandado obedecendo o sistema, contando histórias que não as que ele queria, reproduzindo o aparato ideológico de uma classe que não é a dele enquanto o veículo, mal das pernas por não saber o que fazer com a revolução tecnológica e como se reinventar diante da mídia eletrônica, segue dando mais e mais espaço para a publicidade… e fim das viagens, fim das reportagens, fim das coberturas mais aprofundadas, fim do espaço para publicar… fim! Mas alguém acredita que o mundo está se desinteressando por imagens da sua história cotidiana? Não, né? Então galera, vamos nos reinventar. Sobreviverá quem tiver histórias para contar. Só os amadores temem os amadores. Os profissionais se impõem com ideias, práticas, pesquisa, fôlego. Sim, temos que partir para “assuntos mais profundos”, a moça da Gamma fala o óbvio. E que se criem blogs, sites, coletivos, grupos de discussão, bandos do rolê, mídias alternativas… e depois, naturalmente, as empresas carentes de conteúdo e originalidade virão correndo para nos patrocinar!!!! Vamos inverter o curso das coisas. É um momento de total revisão de paradigmas. E acho fantástico viver nesse momento de turbulência. Quem souber viabilizar sua vontade/necessidade de ser fotógrafo viverá. O Knapp, assim como o Lobão, sempre tem razão: “Foto Divulgador” never more!!! “E mestre João Bittar também: “sem choradeira, vamos trocar o defunto”, que definitivamente não é o fotojornalismo, mas o modelo no qual a maioria ainda insiste.

Agora cada um pense e opine como quiser.

Este assunto também foi tema no facebook, postado pelo André Arruda e, com certeza, em muitos outros lugares….

Eu terei como falar disso com meus novos alunos da Cásper Líbero a partir da semana que vem.

 

O olhar fotográfico de Robert Polidori

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Com certeza, uma das melhores exposições (sem esquecer “Olhar e Fingir”, no MAM_SP) que vi neste ano (pelo menos até agora) foi a de Robert Polidori, no IMS, do Rio de Janeiro. Canadense, morando nos estados Unidos desde criança e colaborador da revista “The New Yorker”, Polidori não fotografa o factual, o ato, a notícia. A começar pelo formato que escolheu: o grande formato (filmes de até 20 x 25 cm) ele nos traz um olhar há muito esquecido nas páginas dos jornais. Ele fotografa as marcas que as tragédias deixaram nas casas, nas paredes. De acordo com uma linguagem onde o fotográfico é o sujeito, ele nos apresenta grandes espaços vazios, abandonados pela presença do homem depois das tragédias.

 

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Até em decorrência da escolha de seu equipamento – que nos apresenta uma riqueza de detalhes e definição invejável  Como está escrito no catálogo: “ao afirmar o vinculo da fotografia com as aparências do mundo, sua obra caminha numa direção oposta às vertentes contemporâneas que investem na distorção de formas, na encenação ou na criação de imagens artificiais a partir de tecnologias digitais”.

 

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Imagens impactantes não apenas pelo tamanho, mas e principalmente pela riqueza de ontologia fotográfica nelas apresentadas, Polidori, sem grandes fogos de artifícios, clichês, ou frases de efeito, nos demonstra que ainda há espaço para a boa fotografia, mesmo quando as fronteiras entre documentação jornalítica e arte se misturam. Como se ele se alinhasse mais para o lado do fotógrafo Alfred Stieglitz que, no início do século XX, ao criar um olhar moderno para a fotografia, tinha entre suas frases preferidas que “a fotografia não é serva da arte” e de que “os forógrafos devem parar de se envergonhar por fazzer fotografia”, do que dos pictorialistas pós-modernos que à exemplo de seus antecessoreres do final do século XIX, faziam de tudo para provar que tudo faziam menos fotografia. Bela mostra, bela escolha do IMS. Provavelmente, assim como a do Paul Strand (que ainda não vi) a exposição do Robert Polidori chegará em São Paulo em outubro. Vale a pena ver! Esta é uma das que eu indico.

Cuide-se Sophie Calle

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Vamos combinar: eu gosto da Sophie Calle, mas gosto muito mais de suas idéias do que das suas realizações. Não a considero fotógrafa, mas acho que o que ela faz sempre desperta interesse. Achava! Fui ver no Sesc Pompéia, na última quinta-feira às 11 horas da manhã a exposição “Cuide de você!“. Além do barulho ensurdecedor dos vários vídeos e dos seguranças que resolveram competir com eles( não sabia quem gritava mais) não havia ninguém. Pude, portanto, ver com bastante calma, ler com todo o tempo e aproveitar bem da exposição. Para mim se trata de uma bela e bem sucedida, além de inteligente, jogada de marketing.

FLIP/PARATYSophie e Grégoire na Flip, crédito: Ag. Estado

Não acredito que Mr X, ou Grégoire Boullier, tenha escrito aquele e-mail.  Além do mais, ele começa sua carta dizendo: “há algum tempo venho querendo lhe escrever e responder ao seuu último e-mail”. Ninguém, nenhuma das mulheres questiona o que ela escreveu no e-mail para ele responder daquela forma?  Interessante a idéia de compartilhar uma carta para tentar demonstrar como cada um a sua maneira intererpreta, compreende e reage a um estímulo.  Não gostei da edição. Se 107 foram as mulheres todas deveriam ser mostradas. A impressão que tive é que foi tudo muito dirigido, daí minha frustração. Eu não achei nada de mais no e-mail do suposto ex-namorado (pelo que se ouviu na Flip, eles se divertiram muito com toda situação, eu também acharia engraçado). Mas enfim, extrapolando, acho que ela traz inúmeras questões que poderiam ser aprofundadas: mundo privado X mundo público, a incomunicabilidade do ser, a importância do aparecer, etc., etc., etc.,  Mas com o disse a idéia era boa a forma como ela tentou resolve-la nem tanto. Achei infantil! Ela tem trabalhos melhores.

 

Nas sombra de um sonho

sonhoFoi como uma bos surpresa que vi no site do Clicio comentário sobre o livro do Claudio Marra que eu trouxe para o Brasil em 2005 e a Editora Senac concordou em comprar os direitos e publicar no Brasil. Junto com o texto do Clicio encontramos também um texto da Georgia Quintas, coordenadora da faculdade de fotografia em Recife. Claro que o o Alexandre Belém também comentou no eu Olha,Vê! Que bom. Como já havia escrito aqui é um livro que veio preencher uma lacuna nos textos sobre fotografia. Bom que ele esteja sendo lido e comentado.