De volta ao batente!

Após um mes de férias, está na hora de voltar ao trabalho! Então aqui estou. Tenho novos livros de fotografia para comentar, novos cursos que vão começar pós carnaval e está na hora de retomar as curadorias da Arte Plural Galeria. Aliás estou embarcando para Recife logo mais.

De volta ao batente!

Sol em Escorpião!

A todos que, como eu, são do signo de escorpião:

Comemore a vinda do Sol ao seu signo, que traz calor e carisma para você! Por algumas semanas, o bom é ser espontâneo, dar à luz a intuição, a criatividade e a beleza original de seu ser. Ambição e foco no sucesso e na aquisição de resultados são motivadores e estimulantes.

Horóscopo hoje da Barbara Abramo na Folha de S.Paulo.

Direito de resposta do Foto Arte

O prêmio FotoArte Brasília reivindica direito de resposta à carta de Patrícia  Gouveia publicada em meu blog. Meu blog é meu particular e não um órgão de imprensa.Além disso o trama não emitiu opinião nenhuma, só publicou a carta, não concordando com o que o escritório de comunicação afirma de que o Tramafotográfica fez uma crítica. Mesmo assim, acho que eles tem direito de falar, mas aproveito para publicar também a carta do juri que eu não havia publicado. Só gostaria de saber se eles mandaram essa nota de esclarecimento a todos os blogs ou só ao meu. Mas tudo bem. Aí vão portanto as duas cartas. Isso posto, assunto encerrado.

Carta aberta do júri do “2º PRÊMIO FOTO ARTE BRASÍLIA – Natureza, Meio Ambiente e Sustentabilidade”, organizado pela empresa ARTE 21 – Artes e Eventos Culturais Ltda.:

Informamos por meio deste comunicado que:

1 – Nós, integrantes do júri do “2º PRÊMIO FOTO ARTE BRASÍLIA – Natureza, Meio Ambiente e Sustentabilidade”, não tivemos acesso ao teor do  INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONTRATO DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS AUTORAIS antes de o mesmo ser enviado pela organização do Prêmio aos fotógrafos selecionados e premiados. Esse contrato, a ser celebrado entre os fotógrafos selecionados e premiados (cedentes) e a Arte 21 (cessionária, de propriedade da Sra. Karla Osório), deveria prever, conforme o Regulamento publicado no site do concurso, a cessão de imagens para que a empresa organizadora pudesse utilizá-la estritamente para fins de divulgação do próprio Prêmio e para campanhas da ONG WWF.

2 – O júri teve conhecimento do teor deste contrato no dia 28 de setembro de 2009 graças a um email enviado por uma artista pré-selecionada que questionava a redação do mesmo, claramente em conflito com o que previa o regulamento. O questionamento recaía sobre as cláusulas “4” e “6”, do referido contrato, que possuíam a seguinte redação:

4. A CESSIONÁRIA fica expressamente autorizada pelo CEDENTE a executar livremente a montagem das fotografias objeto deste contrato, podendo proceder aos cortes, às fixações e às reproduções necessárias.
 
6.
A CESSIONÁRIA poderá ceder os direitos sobre a(s) fotografia(s) e/ou a conceder autorização de utilização a quaisquer empresas sob seu controle direto ou indireto, bem como a entidade sem fins lucrativos, especificamente à WWF Brasil, sem obrigação de efetuar qualquer pagamento ao CEDENTE.

4 – Por entenderem que a cláusula 4 abre possibilidade para que a Cessionária venha a deturpar a obra cedida por meio de cortes aos quais os fotógrafos não teriam direito de opinar e que na cláusula 6 a Cessionária poderia “conceder autorização de utilização a quaisquer empresas”, subvertendo completamente o que previa o regulamento do Prêmio, os seis jurados encaminharam à organizadora do Prêmio, a Sra. Karla Osório, um pedido formal para que essas cláusulas fossem revistas e o contrato enviado cancelado por meio de um anúncio público.

5 –Após uma intensa discussão e consultas a departamentos jurídicos, a organizadora do Prêmio acatou em cancelar o item 4 do contrato e propôs uma nova redação da cláusula 6 que ficaria da seguinte forma:  
 
“6. O CEDENTE reitera seu aceite formal a todo o teor do Regulamento a que já aderiu de livre e espontânea vontade,  ao inscrever-se  no Prêmio, e cede os direitos sobre a(s) fotografia(s) à CESSIONÁRIA para que a mesma possa utilizá-las estritamente para divulgação do Prêmio, e à entidade sem fins lucrativos, WWF-Brasil, isentando ambas da obrigação de efetuar qualquer pagamento ao CEDENTE, pelo uso das imagens, que são cedidas, conforme previsto no Regulamento, cujo teor fica inteiramente mantido.
 
6 – Os seis jurados após sugerirem as mudanças para que a Cessão de Direitos se adequasse ao Regulamento, decidiu, de forma unânime divulgar esta carta aberta para que não pese sobre eles o falso julgamento de que os mesmos tinham conhecimento da primeira versão da Cessão de Direitos enviada aos selecionados pela organização do Prêmio.
 
7 – O júri do “2º PRÊMIO FOTO ARTE BRASÍLIA – Natureza, Meio Ambiente e Sustentabilidade” foi composto por Eder Chiodetto, Milton Guran, Tiago Santana, Rogério Assis, Susana Dobal, Marcelo Reis e Karla Osório. Assinam essa carta aberta seis dos sete jurados, excetuando-se a Sra. Karla Osório, organizadora do Prêmio.
 
Atenciosamente,
 
 Eder Chiodetto, Milton Guran, Tiago Santana, Rogério Assis, Susana Dobal e Marcelo Reis

Nota de esclarecimento

A organização do 2º Prêmio FOTO ARTE, diante da nota veiculada pelo Trama da Fotografia sobre dois pontos específicos do Termo de Cessão (cláusulas 04 e 06) enviado aos fotógrafos selecionados para a premiação, e considerando o alcance das insinuações veiculadas, algumas inverídicas, presta os seguintes esclarecimentos:

 

  1. Não fomos consultados sobre as críticas veiculadas pelo Trama da Fotografia a partir do dia 6 de outubro de 2009. Dessa forma, ficou impedida a publicação do nosso posicionamento e comprometida a prática do bom jornalismo, com a apuração e a veiculação do contraditório. 
  2. O questionamento sobre as duas cláusulas do Termo de Cessão foi apresentado à organização no dia 29 de setembro. Após cinco dias de análise, no dia 4 de outubro, foi feita a alteração que retirou uma das cláusulas (04) e simplificou a outra (06), reduzindo seu alcance ao regulamento de modo expresso.  
  3. A dúvida levantada no material veiculado pelo Trama da Fotografia, a partir do dia 6 de outubro, já havia sido sanada e comunicada aos fotógrafos no dia anterior, 5 de outubro. Ou seja, o questionamento alçado à irregularidade estava completamente resolvido quando foi publicada a nota sem que a organização do evento tivesse sido consultada. 
  4. Reconhecemos que a redação das cláusulas 04 (montagem de imagens) e 06 (uso restrito das imagens) dava margem a interpretações diversas da prevista no regulamento do Prêmio. Por isso, após consenso entre as diversas áreas envolvidas (organização, jurados, alguns inscritos e departamento jurídico), decidiu-se eliminar a cláusula 04 e reescrever a cláusula 06 detalhando informações que já estavam explicitas nos artigos 52, 55, 58 e 59 do regulamento redigido juntamente com o curador Eder Chiodetto.  
  5. Nosso objetivo foi assegurar que fossem preservados todos os direitos dos fotógrafos e dos beneficiários da cessão de imagens e garantir que não houvesse interpretações dúbias. 
  6. Esperamos que o equívoco reconhecido e prontamente resolvido não ofusque a importância da iniciativa do Prêmio FOTO ARTE 2009, que se destaca nacionalmente de modo positivo e notoriamente sério para fotografia no Brasil. Nossa expectativa é que a premiação, que será realizada nesta terça-feira, 13 de outubro, em Brasília/DF, mereça divulgação ampla e favorável do Trama da Fotografia. 

O Prêmio é iniciativa do FOTO ARTE, um dos principais festivais de fotografia do Brasil, criado em Brasília, em 2002. O festival tem trajetória de seriedade e compromisso com a fotografia, realizou centenas de eventos de âmbito internacional, sempre com catálogos e publicações de qualidade, visando beneficiar e valorizar fotógrafos, dando maior visibilidade aos seus trabalhos e chance de prêmios significativos.

 

O 2ª Prêmio elegeu o tema “Natureza, Meio Ambiente e Sustentabilidade”, unindo a arte da fotografia à conscientização da sociedade, em prol do desenvolvimento sustentável e da preservação ambiental. O Regulamento foi elaborado após longa pesquisa e estudo de vários Regulamentos, inclusive com colaboração do curador Eder Chiodetto, durante mais de um ano.

 

As fotografias selecionadas e premiadas comporão banco de imagens a ser doado à ONG WWF-Brasil, para uso em suas campanhas. Tal escolha deveu-se à solidez e credibilidade da instituição, uma das maiores e bem respeitadas organizações dedicadas à preservação ambiental, atuante em mais de 100 países. Além disso, as imagens integrarão catálogo e exposição coletiva. O Prêmio distribuirá R$ 70 mil reais em prêmios, consolidando-se como um dos principais prêmios do país para fotografia.

 

Reafirmamos que o compromisso do FOTO ARTE é promover a fotografia e seus autores, respeitando seus direitos, valorizando e ampliando a divulgação de sua obra. E mais, entendemos que o 2º Prêmio FOTO ARTE provoca um resgate inovador, associando o meio ambiente com a cultura e colaborando para conscientizar a população sobre o respeito à natureza e a importância da preservação e do desenvolvimento sustentável.

 

Karla Osório Netto

Diretora do FOTO ARTE

Carta aberta de Patrícia Gouvêa

À produção da FOTOARTE, Prêmio FOTOARTE 2009 e aos jurados,

Venho por meio desta informar que estou abdicando da Menção Honrosa recebida e que todos os materiais por mim enviados (CD com imagens am alta, biografia etc) devem ser inutilizados ou devolvidos e minhas imagens retiradas de qualquer suporte de divulgação.

Foram inúmeras as minhas tentativas, desde a última segunda-feira e as do júri para que a Sra. Karla Osório concordasse em redigir o termo de cessão de direitos de imagem, onde foram incluídas 2 cláusulas que não constavam do regulamento, cujo teor fere os direitos autorais dos fotógrafos, constituindo, portanto, ato irregular e que apenas beneficia as empresas controladas direta ou indiretamente pela ARTE 21:

4. A CESSIONÁRIA fica expressamente autorizada pelo CEDENTE a executar livremente a montagem das fotografias objeto deste contrato, podendo proceder aos cortes, às fixações e às reproduções necessárias.

6. A CESSIONÁRIA poderá ceder os direitos sobre a(s) fotografia(s) e/ou a conceder autorização de utilização a quaisquer empresas sob seu controle direto ou indireto, bem como a entidade sem fins lucrativos, especificamente à WWF Brasil, sem obrigação de efetuar qualquer pagamento ao CEDENTE.

A primeira é preocupante pois autoriza cortes na imagem, mas a segunda é ainda mais grave: por meio dela as imagens poderão ser usadas por outras empresas sob controle da ARTE 21 e outras ONGs!!!!

Todo o júri (Éder Chiodetto, presidente, Rogério Assis, Suzana Dobal, Marcelo Reis, Milton Guran e Tiago Santana) me apoiou e está pedindo que a Karla refaça os contratos e anule os antigos a partir da minha contestação, mas parece que ela, infelizmente, está optando por ignorar até mesmo o juri e passou a dizer que eu sou a única reclamante sobre o assunto, o que deixou a todos ainda mais perplexos.

Estamos num momento de mudança de paradigmas e as pessoas não podem ser irresponsáveis e precisam pensar de forma coletiva. Decidi então abdicar do prêmio, pois acredito que todos os fotógrafos tem que ter seu contrato revisto e os antigos rasurados, pois este é um problema grave que diz respeito a todos. Anteriormente a AFOTO, associação dos fotógrafos de brasília, já havia feito uma denúncia contra o prêmio, com comentários de um advogado especialista em direitos autorais: http://afotobrasilia.wordpress.com/2009/08/26/2º-premio-foto-arte-brasilia/

Este pedido foi ignorado, assim como agora um pedido coletivo e que envolve o juri do prêmio está sendo ignorado. A Sra. Karla Osório prefere manter uma atitude inflexível e colocar a questão como se fosse um ato isolado de contestação de minha parte, o que demonstrar sua falta de boa vontade com a questão, e que coloca em dúvida suas reais intenções com este prêmio. Muitas tem sido as manifestações em todo o Brasil contra esta atitude. Neste email estão copiados alguns premiados, para que tomem conhecimento da minha decisão: Macia Folleto, A.C. Júnior, Dalton Valério e Charly Techio.

Para encerrar, gostaria de deixar uma frase do Carlos Carvalho, que serve para nossa reflexão: “Prêmio é para premiar e não para chantagear.”
Atenciosamente,
 
Patricia Gouvêa

 

Estou sem internet

Desde sexta-feira cedo! Chica, cadelinha beagle do Thomaz Farkas, achou por bem derrubar e entortar meu modem…Quase comeu! Mas já estou providenciando um novo. Estou escrevendo do computador de meu pai…Assim que conseguir resolver a situação comento sobre Paraty em Foco. Minhas impressões sobre o festival, já que este ano não trabalhei muito e pude acompanhar quase todos os eventos. Também estive muito ocupada para parar e escrever no blog de lá. Só um pouco de paciência. Acho que amanhã já estará tudo certo!

Setembro e a fotografia

Até há alguns anos maio era o mês da fotografia no Brasil. Isso graças também aos dez anos de Mês Internacional da Fotografia organizado pelo Nafoto. Mas, nos últimos anos parece que setembro é que se tornou o mês das imagens: Sp-Arte Photo, Sp Photo Festival, Paraty em Foco. Ontem o Estadão dedicou 4 páginas para fotografia. Três matérias são minhas, que retorno ao Caderno2, agora que o projeto “Encontros com a Fotografia”, da Fnac ter sido finalizado. O lançamento está previsto para 22 de setembro, mas avisarei via blog. Enquanto isso leiam aqui, aqui  e também aqui as minhas matérias que sairam ontem. 

A fotografia morreu? Menos, menos, por favor!!!!

Soube ontem que anda ocorrendo uma discussão via twitter ( não tenho twitter, mas confesso que não sei como isso pode acontecer, visto que me parece – mas, com certeza estou enganada – que não dá para expandir uma conversa, enfim!) sobre a morte da fotografia. Confesso que na hora me deu uma vontade enorme de gargalhar! Anda na moda matar: fotografia, fotojornalismo, autores, etc…. Estes factóide mais parecem desabafos ao pé da mesa de um  bar e conversa jogada fora. Menos, por favor, menos! Estamos mudando? Que bom! Vamos ter que aprender a filmar? Excelente! Todos fotografam? Melhor ainda.

pauldelaroche01Só para lembrar ( o que esqueceram e para os que não conhecem) no dia em que a Academia de Ciências e Artes da França tornou pública a invenção da fotografia, o pintor Paul Delaroche (na foto ao lado, 1797-1856) saiu pelas ruas de Paris e aos berros vaticinava: “A pintura morreu! Qualquer um agora pode produzir imagens”. Anos e anos depois essa profecia, como bem sabemos, não se realizou. Ainda bem. Além disso, várias invenções ao surgirem foram duramente criticadas. Quando foi inventada a televisão, o rádio deveria morrer, assim como o cinema: o som do filme acabaria com a magia do cinema. Isso para não falar do surgimento do vídeo. Nada morreu. Até o velho e saudoso LP (vinil) está de volta. Portanto, muita calam nessa hora.  Se como diz a lenda a fotografia libertou a pintura, o digital vai libertar a fotografia.

461px-Delaroche_-_Bonaparte_franchissant_les_AlpesEm tempo: um dos quadros mais famosos de Paul Delaroche, “Bonaparte cruzando os Alpes”foi feito 10 anos após a invenção da fotografia, em 1848….

 

Entre os muros da escola

Fui assistir a este filme na terça-feira. Confeso que fiquei muito tocada e pensativa com o que vi. Uma história verdadeirade um professor da periferia parisiense numa classe bem heterogênea e que, na verdade, ao querer ser amigo dos alunos os afasta cada vez mais. O filme é muito tenso o tempo todo (bem verdade que é muito longo e alguns momentos cansativos), os diálogos estão sempre acima do tom. Não acredito que seja diferente nas escolas do Brasil. Mas o que mais me chamou a atenção foi a falta de entendimento, dos pedidos de socorro dos próprios alunos, e da escola que, já sabemos, hoje em dia não é mais interessante para ninguem. No quesito fotografia – que é o que interessa a este blog, uma cena me chamou muito a atenção. O professor de francês (protagonista do filme ) após a leitura do Diário de Anne Frank, pede aos alunos que escrevam uma redação fazendo seu próprio autorretrato. Um único aluno usa a fotografia para contar sua história. É um aluno problemático do qual os amigos zombam o tempo inteiro dizendo que ele não sabe escrever (a turma é de adolescentes), mas ao fotografar ele consegue contar sua história. Parece que o professor se interessa por isso, mas é apenas um átimo, ele não percebe  a força da linguagem deste garoto. Em seguida parece que o próprio professor se desinteressa por ele, voltando sempre à antiga questão  de uma escola que não esina e não desperta o interesse dos alunos. Também muito boa a cena da aluna ofendida sistematicamente pelo professor (que é sempre questionado e ofendido por ela)  e que o surpreeende ao dizer que leu a República de Platão. Um filme (guardada às devidas proporções de ser em alguns momentos bastante cansativo e repetitivo) que nos coloca frente à questão de ensinar e aprender e a falta de sentido que muitas vezes o ensino faz para quem aprende. Após o filme lembrei imediatamente do método Paulo Freire e também de uma frase de Leonardo Da Vinci: “só aprendemos o que nos interessa!” A fotografia aparece como forma de integração, de ligação e de discurso, mas é abandonada pela retórica da linguagem falada e escrita. Um filme que faz pensar e que para mim, valeu muito a pena.

Tentei, juro que tentei!

Fiz de conta que não ouvi, que não li, que não sabia do que as pessoas estavam falando. Mas como todo mundo falou, escreveu, comentou…não pude mais. O texto de hoje no estadão do Roberto da Mata é primordial. Não vou dizer nada. Só reproduzir. Cada um pense o que quiser….

O presidente não lê

Roberto DaMatta

Numa terra de cegos, quem tem um olho é rei. Num país de gente sedenta e carente de leitura, é desanimador e melancólico descobrir que o presidente da República, o sujeito mais importante e poderoso do sistema; a figura a quem devemos respeito e lealdade pelo cargo que ocupa; que representa não só um partido ou posição política e econômica, mas – como supremo magistrado da nação – a todos nós; o homem número 1 do País, não lê. Mais: em entrevista ao jornalista Mario Sergio Conti, para a revista Piauí, ele declara que, quando tenta fazê-lo, tem azia. Ademais, descobrimos que ele fez como o pior presidente que os americanos jamais tiveram, George W. Bush, pois dele veio a cópia de uma estrutura palaciana montada para evitar a leitura. Para um sujeito como eu, que vive para os livros e de livros, e que morreria sem livros; para quem a leitura tem sido um meio de dar sentido à vida e de lidar com o amor, com a perda, com o sucesso, com a raiva, o trabalho e com a morte, saber dessa antipatia à leitura é – digo-o sinceramente e com o coração na mão – chocante, inacreditável, triste, devastador.

Para quem tem na leitura não só uma fonte de informação e sabedoria, mas os motivos para viver, como é o caso dos professores, escritores, educadores, ensaístas, legisladores, pensadores e jornalistas; funcionários e intérpretes das normas legais, cujo trabalho consiste em aplicar regulamentos, decidindo a todo instante o que é correto; descobrir que o presidente não lê é uma bofetada na cara!

Vejam bem, há contradições triviais. O padre pecador, o ateu crédulo, o professor ignorante, o médico hipocondríaco, o economista pobre, o pastor malandro, o jornalista venal, o desembargador corrupto, o policial criminoso e o político sem caráter. Mas todos leem! Todos se informam por meio de amigos e auxiliares, mas não abandonam o contato direto com a fonte: esse foco indispensável ao conhecimento do mundo. Esse mundo feito de representações codificadas, de palavras e algarismos articulados numa determinada intenção e estrutura. Estivesse eu dizendo o que digo por meio de rimas, o efeito seria diferente. É por causa disso que eu não posso me conformar com um presidente que não lê.

O que saiu na revista deve ser um engano. Estou seguro que o presidente lê. Lula estava simplesmente brincando com o entrevistador. Ressentido ou ofendido com alguns jornais e revistas, o presidente usou o manto da ironia e resolveu chocar o estabelecimento jornalístico, dizendo que não lê. Não posso acreditar que o servidor público mais importante do meu país, apreenda o mundo apenas por meio do ouvido. Sendo instruído e informado sobre os eventos e idéias deste nosso mundo conturbado somente por meio de conversas permeadas pelo ponto de vista e emoções dos seus interlocutores. Não posso crer que o presidente se contente em apenas ouvir o canto do galo, sem jamais vê-lo em pessoa. Que ele não tenha nenhum momento a sós consigo mesmo, no qual – com um texto na frente dos olhos – coloque para dentro de seu ser, por meio da leitura solitária e individualizadora, aquilo que o autor da narrativa explicita, revela, ensina, critica, pede, descobre, interpreta, anuncia, reitera, louva, interroga, suspeita, ou condena.

Quando o presidente diz que não lê, ele envia uma poderosa mensagem à sociedade que o elegeu. No fundo, ele diz que o discernimento pode ser alcançado por vias externas. Os laços sociais substituem a experiência da leitura que usualmente vai dos jornais e revistas para os livros. O que impressiona não é apenas o fato do homem não ler. É o fato dele estar seguro de que é mesmo possível saber das coisas por tabela e em segunda mão, por meio de olhos alheios. Sem a visão direta, interiorizada, individualizada e subjetiva dos fatos e problemas, porque eles podem ser assimilados por meio dos outros. E que ele não leva a sério a imprensa livre e contraditória que, como ele mesmo admite, foi decisiva na sua eleição.

A leitura vai muito além da informação. Ela mostra que os fatos são sempre inventados, relativos e determinados por perspectivas. Um mesmo “fato” pode produzir pontos de vista diversos, relativos a um mesmo dilema ou questão. Num mundo permeado por contradições, a leitura é um instrumento privilegiado para entendê-las e eventualmente superá-las.

Em estado de choque, penso na lição daquele Machado de Assis que – diga-se logo – não pode deixar de ser lido, quando ensinou que quem conta um conto aumenta (e necessariamente subtrai) um ponto. As versões pessoais, a apreensão marcante, sempre surgem da leitura em primeira mão. Como um sujeito que morreria sem os livros, como uma pessoa cuja profissão é ensinar a ler e que vive de leitores, eu sou obrigado a imaginar que essa entrevista é, no mínimo, um conto; e, no máximo, uma catastrófica notícia.