Pierre Jahan, fotógrafo surrealista e de publicidade

Uma das exposições que mais gostei em Arles, foi a do fotógrafo francês Pierre Jahan (1909-2003) um dos expoentes da fotografia surrealista e da fotografia publicitária. Para os que ainda (sic!) tem preconceitos em relação à fotografia publicitária  e/ou de moda, lembro que os primeiros fotógrafos destas modalidades foram justamente os pictorialistas, dadaístas, surrealistas. Ou seja, aqueles que acreditavam na fotografia construída, pensada e os que queriam dar à fotografia o status de expressão autônoma. A exposição foi montada no Musée Réattu, que conserva algumas obras do autor.

Pierre, não quis se ligar a grupo nenhum e andou com total liberdade – coisa aliás comum naquela época – nas mais variadas linguagens fotográficas: fotógrafo surrealista, publicitário e até fotojornalista. Para lembrar uma de suas imagens foi exposta no MAM-SP, na mostra “Olhar e Fingir”.

Mas o que mais me chamou a atenção foi seu trabalho publicitário. Era o início desta linguagem fotográfica que – como já disse acima – estava ligada muito ao surrealismo, já que foram eles ou este movimento que percebei que a fotografia era índice, era rastro, mas que convencia graças ao fato de estar colada em seu referente.  Lindas e sensuais suas fotos sobre o nú, sobre o amor. Imagens estas que foram usadas para ilustrar um poema de Jean Cocteau. Começou a fotografar nos anos 30, época em que chegou a Paris, cidade onde morou a vida toda. Independente, fotografava por prazer. Livre, fez sempre o que quis. Apaixonado pela experimentação, ousou sempre que pode. Defensor dos direitos dos fotógrafos ajudou na fundação da Federação Francesa da Associaçãos dos Fotógrafos.

 

 

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7 comentários em “Pierre Jahan, fotógrafo surrealista e de publicidade

  1. Simonetta,

    Muito pertinente sua colocação em relação ao preconceito obsoleto a respeito da fotografia publicitária. Tenho ouvido de gente muito, muito categorizada, acadêmicos respeitados, frases como “apesar de publicitárias, as fotos de fulano eram obras de arte”, ou “beltrano perde assim o respeito da comunidade fotográfica ao praticar a fotografia editorial”.
    Por favor, senhores! Estamos em 2011!
    Fiz um post a respeito intitulado “Malditos Publicitários” em:
    http://www.clicio.com.br/blog/2010/malditos-publicitarios/
    PS- Adorei as fotos do Pierre Jahan

    Clicio

  2. Obrigado pelo site com informacoes maravilhosas, atuais e oportunas sobre fotografia.

    Estou lendo todo o seus posts e aprendendo cada dia mais sobre esse maravilhoso tema.

    Num dos seus primeiros posts, vi a indicacao do livro de Charlotte Cotton “The Photograph as Contemporary Art” e que naquele momento ainda nao tinha traducao.

    Interessado que fiquei, acessei, hoje, um site de livros e vi que esse ja esta disponivel em portugues, foi publicado esse ano. Ja encomendei o meu.

    Grato novamente e felicitacoes,
    Claudio Serra

  3. Adorei sua colocação sobre o preconceito contra fotógrafos publicitários e editoriais, Clicio.
    Ao meu ver, o olhar segue treinando e criando imagens não importa a mando de quem e independente do objetivo do trabalho.
    A paixão pela fotografia e a vontade de fazer um bom trabalho não é exclusiva de alguma categoria.
    Viva 2011, viva a fotografia!
    Abs,
    Evelyn

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