Frase do dia

Ontem à noite, durante aula na Escola São Paulo, discutíamos a estética da fotografia contemporânea, quando Otávio, um aluno-fotógrafo do Piauí, pediu a palavra. Segundo ele, todas as imagens que hoje vemos, especialmente as postadas nos flickrs são todas absolutamente iguais. E foi aí que ele soltou uma frase que achei engraçadíssima:

“na verdade, vivemos hoje uma  estética flickeriana pós-moderna!”.

Adorei a ironia!

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29 comentários em “Frase do dia

  1. acho que o flickr é uma ferramenta do seu tempo, tem um padrão; é engraçado dizer que todas as imagens do flickr são iguais; o legal seria ter a paciência de “ler”de verdade as imagens ali postadas, já que cada imagem ali relfete um momento, um assunto e o ponto de vista do fotógrafo e do assunto fotografado; enfim, não temos mais álbum de papel, temos o flickr, por assim dizer, e é esse o modo a partir do qual a imagem é vinculada na web. a ironia é de fato engraçada, e boa para pensar o sucesso do flickr (que não é somente usado por fotógrafos). a ferramenta flickr é fruto do tempo, e viva a tecnologia!

  2. Pois é, eu também estou cansada de ir a mostras fotográficas em que o cara copia a cópia da cópia- tipo apartamento Alfredo Mathias – que copiou muito mal o Lindenbergh que copiou (mal) o neo clássico…Mas o pior não é o cara não ser criativo- o pior é que além de ser cópia da cópia o cara não sabe fotografar, não sabe cropar e muitas vezes nem usar direito o PHotoshop!
    A gente tem que pecorrer horas e horas de flickr até achar algo diferente.

  3. Juízos desta natureza são ótimos panos de fundo para debates! Eu particularmente não consegui fazer uso do flickr e do também tendencioso deviantart… existem sim, tendêcias criadas a partir destes veículos, modas… e toda moda é perigosa e em essência, passageira. Outra coisa que causa desconfiaça nestes ambientes são os usuários, é muita simpatia… resumindo, são sites de relacionamento.
    Mas existe opção… talvez … http://www.jpgmag.com
    vou seguir esse blog… Simonetta Persichetti, obrigado!

    desde 2007? como é que eu fiquei tanto tempo sem … meu deus!

  4. Tem razão os que aqui escreveram ,dizendo e reconhecendo a ironia e a brincadeira, que este é um ótimo pano de fundo para debates mais sérios. Caso contrário, como bem disse nosso amigo luso, fica só na brincadeira.
    Em breve escreverei umn post falando sobr estética fotográfica em geral e abrindo o debate.
    obrigada. Continuem e escrevam!

  5. Simo

    Olá!
    Faz tempo, né?!
    Acho o FLickr uma excelente ferramenta e nada contra a tecnologia, mas que ele nos apresenta um modelo de padrão para lá de utilizado, sem dúvida.
    O que me parece interessante é que a fotografia continua sendo, acredito que nunca deixará de ser, um exercício do olhar. Portanto pouco importa a tecnologia utilizada. O que o Flickr nos mostra é um olhar viciado e cheio de modismos. Na busca em ser diferente todo mundo fica igual.
    Atenção, nas regras sempre existem exceções!!!

  6. O flick é meu diário…acho um saco certas definições…modismo ou não…as pessoas tem que deixar as coisas fluirem…deixem as pessoas copiarem, ousarem, se descobrirem…ainda bem que existe flick, orkut, twitter, facebook, e outros mais…viva a tecnologia…dá um tempo prás pessoas se divertirem, afinal tudo é cópia, até a crítica é cópia…deixem o povo, nós sermos felizes…bregas, fúteis, volúveis…afffff

  7. Amigos,
    vou tentar explicar de alguma forma como a idéia da estética flickeriana pós-moderna surgiu…
    o que é pós moderno? o que é estética da imagem? o que é o flickr? a simonetta poderia me ajudar e responder melhor esses questionamentos para mim.
    concordo com várias idéias e argumentos contra o argumento que todas as imagens do flickr são “iguais”, mas não esquecam, a frase é somente uma irônia, com uma pitada de verdade.
    quantas vezes vc já pulou de um flickr para o outro e viu fotos que pareciam ter sido fotografadas pelo mesmo fotógrafo ou terem sido clicadas no mesmo lugar, pelo simples fato das fotos se utilizarem constantemente dos mesmos recursos técnicos, somente em busca de resultados “estéticos” visualmente diferentes e “impactantes”… A imagem não tem propósito, de ser, ou estar, naquele álbum virtual.
    “Imagina se houvesse flickr no início do século XX… quantas milhares de fotos iguais de cidades e famílias teria-se que percorrer até garimpar um Man Ray!” disse Vinícius Mariano, concordo! mas qual era o propósito de se fotografar naquela época esses temas? era justamente mostrar as cidades, as famílias, de uma forma “óbvia”, pois o importante para os que fotografavam e os fotografados era isso.
    “Mas o pior não é o cara não ser criativo- o pior é que além de ser cópia da cópia o cara não sabe fotografar, não sabe cropar e muitas vezes nem usar direito o PHotoshop!” disse ester hamermesz,
    isso é que para mim é o grande problema. não nos preocupamos mais em pensar na fotografia, ficamos presos, avaliando quem sabe usar mais ou menos o photoshop, quem sabe fazer certo tipo de tratamento ou não, enfim… isso deveria ser o assunto secundário, quando se fala de fotografia. A estética da fotografia para mim se define, a partir do momento que o fotógrafo pensa na imagem, criando a partir de todo o repertório que carrega no seu inconsciente ‘imagético’…
    acho que superficialmente é isso, temos que nos aprofundar nos questionamentos que coloquei no início da resposta, para tentar entender um pouco mais esse “conceito”.

    perguntas?

  8. Olá de novo!
    Entendo esta afirmação como uma provocação. E de provocações saudáveis eu gosto.
    Mas não creio que aqui fique bem uma resposta com mais de 2300 palavras. Que nem eu a devo impor e haverá quem não tenha paciência para tal.
    Assim, deixo-vos uma resposta concreta, ainda que em forma de síntese, a esta provocação, dividida em onze pontos.
    Estou em crer que cada um deles daria para muito mais que o conjunto lá apresentado, mas sempre fica uma contra-provocação.
    Aqui http://spotmeter98.blogspot.com/2009/08/sobre-o-flickr.html

  9. Opa, esse é um assunto que me interessa. Olha só, sou flickriana convicta e ainda assim concordo com o Otávio. Só que eu faço uma ponderação. Na mesma medida que o Flickr traz mais do mesmo, que existe uma total falta de compromisso com o olhar/pensar/entender fotografia, que há uma preocupação maior com visibilidade do que desenvolvimento e aprofundamento do trabalho…o Flickr é também um dos melhores lugares para exercitar fotografia.

    Eu sou um exemplo típico. Eu passei a fotografar muito mais depois de entrar no Flickr em dezembro de 2006 (e claro, investir em fotografia digital). Eu conheci muita gente interessante que desenvolve um trabalho aprofundado, eu fiz amigos, eu discuti fotografia, eu repensei minha forma de fotografar. Claro, eu também fiz rolês (evidentemente você não desenvolve trabalho de autor com mais 10 fotógrafos na sua cola. Logo, um monte de gente postando fotos dos mesmos lugares), me envolvi em picuinhas, fiquei de saco cheio etc.

    No balanço, acho o flickr mais interessante do que desinteressante. Com o crescimento do serviço há mais usuários e cada vez menos o foco em fotografia pura. E daí o problema é nosso e não deles. O Flickr não é para ser levado tão a sério mesmo. Nós é que damos excessiva importância para ele. A Getty Images que encontrou uma forma de conseguir ser o maior banco de imagens do mundo utilizando bons apertadores de botões e fotógrafos que estão no Flickr (porque há as duas coisas por lá, entre outras categorias).

    Eu acho que o Flickr me trouxe visibilidade e um reconhecimento que me ajudou a ter mais segurança no trabalho (pode rir, mas é verdade). E mesmo o Getty Images sendo uma merda e dando um trabalho do cacete eu gostei de subir 10 das trocentas fotos minhas que eles selecionaram. Isso diz que eu sou uma boa fotógrafa? Não, no máximo uma apertadora de botão competente, mas ainda assim foi um marco na minha vida (eu espero que outros mais significativos aconteçam, claro).

    Antes eu, alguns professores, amigos, familiares e colegas de trabalho gostavam do que eu produzia. Hoje, minha rede de contatos é bem maior. Eu sei que tem alguém na Índia vendo as fotos que eu produzi quando estava lá e isso gera relacionamento. É a possibilidade de continuar uma conversa que poderia não existir se não fosse pelo Flickr. E isso interfere no futuro do meu trabalho fotográfico, em como eu vejo o mundo.

    Dizer que o Flickr é bobagem é como os jovenzinhos “revolucionários” que acham que o old school está morto e eles – o new school – é que entendem de fotografia. Eu acho que há espaço para todo mundo e que cada um cumpre sua função.

    Óbvio que o Flickr é um espaço pequeno demais para o pensar fotográfico. Eu prefiro acreditar em perenidade (e no Flickr isso é impossível. Eu tenho mais de 17 mil fotos favoritadas. Eu não fico revendo as fotos, mas eu guardo na memória as minhas favoritas. Aliás, eu nem sei porque eu insisto em favoritar sabendo que nunca mais vou ver a foto. Acho que é para criar algum tipo de conforto psicológico. De que eu realmente guardei a foto. Enfim, divago).

    O Flickr e outras ferramentas/situações têm me deixado um pouco ansiosa ultimamente. Porque de uma maneira geral, as pessoas têm deixado de pensar e colocar as coisas em perspectiva. E é isso que tem me incomodado. Por isso que, apesar de fã ardorosa do Flickr e entusiasmada com as possibilidades que ele traz para quem está no começo do namoro com a fotografia, eu concordo com o Otávio.

    Quem quer se dedicar de verdade vai correr atrás de outras coisas. Por exemplo, fazer aulas no MAM com a Simonetta ;o) (é, eu sou a aluna que não parou de rir na aula de quinta. Infelizmente você terá que me aturar por muito tempo)

    Enfim, comentário longo e (provavelmente) confuso. Mas é o meu momento. Abs.

    ps: e eu ganhei minha primeira câmera com 8 anos, mas eu nunca fui tão feliz como (pseuso)fotógrafa quanto nos 2 últimos anos de Flickr. Só que eu acho que essa Era, para mim, acabou.

  10. Acho muito interessante essa discussão pois este é exatamente o tema da minha dissertação de mestrado na UnB.

    Concordo que existe uma estética flickeriana. O NYTimes Magazine publicou no ano passado um artigo falando justamente sobre a estética do flickr (flickr style), “denunciando”as cores saturadas, o excesso de pós-produção, etc, etc (http://www.nytimes.com/2008/04/27/magazine/27wwln-medium-t.html?pagewanted=1&_r=1 )

    O que vejo no flickr é principalmente uma dinâmica social. E, como já foi dito aqui, cada um faz da ferramenta o uso que bem entender, no entanto, o objetivo principal me parece ser mesmo o estabelecimento de laços sociais. A fotografia acaba por se adaptar a essa estética do flickr para que ela faça parte do tipo de imagem considerado popular pela comunidade (vejam as ferramentas de favoritar uma imagem, o próprio interestingness do flickr, a contagem de visualizações e comentários e assim por diante). Se uma imagem é popular, o perfil se torna popular. Esse artigo do NYTimes fala de uma fotógrafa islandesa, Rebekka, cuja produção é basicamente de autos-retratos e muita pós-produção. Recentemente ela saiu como uma das 5 fotógrafas mais badaladas da internet. Mas a sua produção é voltada para uma preocupação fotográfica ou para o estabelecimento de relacionamentos na rede????

    No entanto, também não podemos desconsiderar totalmente o aspecto estético dessa produção. Bourdieu, na década de 60 fala sobre os usos sociais da fotografia e deixa bem claro que o que para um esteta pode não ser considerado “estética”, para o fotógrafo amador tem sim algum caráter estético, pois se relacionou a alguma experiência específica e particular desse indivíduo.

    Seria, então, essa estética do flickr, então, uma estética de socialização? Difícil dizer. As dinâmicas dessas comunidades virtuais ainda estão se desenvolvendo…cabe a nós observar e ver a que caminho essa dinâmica vai levar a linguagem fotográfica.

    Certo é que, hoje, com a internet, a produção fotográfica se tornou mais descentralizada e passou a ser mais facilmente distribuida. O flickr e outras comunidades virtuais (bem como outras ferramentas disponíveis online, como sites e blogs como este aqui, por exemplo) são pontenciais espaços de discussão sobre a fotografia. No entanto, temos que saber como usá-los para não cair apenas na mesmície que é o que incialmente mais chama a atenção.

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