Entre os muros da escola

Fui assistir a este filme na terça-feira. Confeso que fiquei muito tocada e pensativa com o que vi. Uma história verdadeirade um professor da periferia parisiense numa classe bem heterogênea e que, na verdade, ao querer ser amigo dos alunos os afasta cada vez mais. O filme é muito tenso o tempo todo (bem verdade que é muito longo e alguns momentos cansativos), os diálogos estão sempre acima do tom. Não acredito que seja diferente nas escolas do Brasil. Mas o que mais me chamou a atenção foi a falta de entendimento, dos pedidos de socorro dos próprios alunos, e da escola que, já sabemos, hoje em dia não é mais interessante para ninguem. No quesito fotografia – que é o que interessa a este blog, uma cena me chamou muito a atenção. O professor de francês (protagonista do filme ) após a leitura do Diário de Anne Frank, pede aos alunos que escrevam uma redação fazendo seu próprio autorretrato. Um único aluno usa a fotografia para contar sua história. É um aluno problemático do qual os amigos zombam o tempo inteiro dizendo que ele não sabe escrever (a turma é de adolescentes), mas ao fotografar ele consegue contar sua história. Parece que o professor se interessa por isso, mas é apenas um átimo, ele não percebe  a força da linguagem deste garoto. Em seguida parece que o próprio professor se desinteressa por ele, voltando sempre à antiga questão  de uma escola que não esina e não desperta o interesse dos alunos. Também muito boa a cena da aluna ofendida sistematicamente pelo professor (que é sempre questionado e ofendido por ela)  e que o surpreeende ao dizer que leu a República de Platão. Um filme (guardada às devidas proporções de ser em alguns momentos bastante cansativo e repetitivo) que nos coloca frente à questão de ensinar e aprender e a falta de sentido que muitas vezes o ensino faz para quem aprende. Após o filme lembrei imediatamente do método Paulo Freire e também de uma frase de Leonardo Da Vinci: “só aprendemos o que nos interessa!” A fotografia aparece como forma de integração, de ligação e de discurso, mas é abandonada pela retórica da linguagem falada e escrita. Um filme que faz pensar e que para mim, valeu muito a pena.

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5 comentários em “Entre os muros da escola

  1. Muito legal vc falar desse filme no seu blog. Também gostei muito. Aqueles conflitos todos e tudo sempre dentro daquela escola, nada alivia, só percebemos a passagem do tempo pelas roupas dos alunos… as cenas em que aparece a mãe africana, precisando de um tradutor para entender o próprio filho e o que ele faz na escola… Para mim é um filme que vai muito além dos muros da escola, sem nunca ter saído dela… Ah, a última cena em que a menina adimite não ter aprendido nada é de rasgar o coração!!

  2. Simonetta,

    Ainda não vi o filme, mas seu post me fez refletir sobre o meu trabalho. Aproveitei minha experiência como professora de fotografia para adolescentes numa escola construtivista e dei um jeito de colocar a fotografia no meu estágio de conclusão de curso (Letras, na UFPE). E tem sido uma experiência deliciosa associar o ensino de língua portuguesa com a leitura de imagens, ou para fins teóricos, textos não verbais. Venho refletindo bastante sobre a escola e o ensino de fotografia, e tenho tentado, na minha prática, fazer da fotografia examente esse espaço “de integração, de ligação e de discurso.”

  3. O velho problema da educação parece não ser privilegio apenas do Brasil. Este é, na verdade, um grande problema social em todas as sociedade onde as famílias estão cada vez mais desagregadas. Na periferia de Paris ocorre um fato que agrava ainda mais este problema. Lá, geralmente , existe formações de ghetos de estrangeiros, especialmente africanos que se sentem excluídos da sociedade.

    J. Geraldo Padilha

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