“Ele era o Tolstói da Fotografia…” Richard Avedon

cartier_bresson_olhar_seculo14  Acabo de ler a biografia do Bresson, escrita pelo jornalista Pierre Assouline, que durante 5 anos conversou, entrevistou, escarafunchou os arquivos dos fografo. Fiquei meio receosa de ler o livro, quando o primeiro capítulo vem com o título: “O herói que virou amigo”, mas a leitura é fascinanete. Nas mais de 300 páginas (e além da exaustiva pesquisa do autor), a vida de Cartier-Bresson flui por nós da mesma maneira como sabemos que ele fotografava. Leve, tornando-se muitas vezes invisível, registrando obsessivamente o dia todo. Como ele próprio dizia, usando a sua Leica, suas fotografias como um diário de anotações. Fantástico saber – isso sim todo fotojornalista deveria fazer, ou ter possibilidade de fazer – que ele escrevia as legendas e exigia que as imagens fossem publicadas com as legendas que ele havia preparado. Seguir o Bresson por suas viagens, suas dúvidas, seus relacionamentos com personalidades, fatos, a forma como ele nos ensinou a ver o mundo é mágica. Pierre Assouline, se coloca como narrador, como a voz de Bresson, não critica, não analisa, não julga. A impressão que eu tive ao ler o livro – e é claro, que pode ser só minha – era e de que eu mesma estava sentada ouvindo as histórias contadas pelo próprio fotógrafo. Seu fascínio e repulsa pelos surrealistas, embora suas fotos não fossem surrealistas, como ele mesmo diz.Suas conversas com Capa, que lhe sugere sempre de fugir dos rótulos, o nascimento da Magnum, no pós-guerra, a ligação do fotógrafo com a Ásia, mas acima de tudo como Cartier-Bresson entendia a fotografia e sua função. Seu caráter irrascível e muitas vezes autoritário, e ao mesmo tempo sua capacidade de ficar quieto para não atrapalhar o pintor Matisse. Seu papel como fotojornalista, e – para botar mais lenha na fogueira no texto abaixo – como fotografava as guerras, de lado, do outro lado, mas mostrando por meio de rostos e expressões os horrores. É disso que se trata. Sua dor pela perda dos amigos, em especial do Robert Capa e sua decisão de abandonar a Magnum nos anos 60.

Aliás, ri muito quando li o texto escrito em 1961, por Elliot Erwitt, em 1961.Reproduzo:

“Por que estamos na Magnum?

Sera porque é cômodo e porque todos ficaremos ricos? Será porque queremos que nossos nomes constem ao lado de HCB? Será por hobby? Será por hábito? Será por simples preguiça? será pelo valor do nosso nome como simples moeda de troca? Será pela glória da nossa imagem? Será porque podemos vencer mais como grupo do que como indivísuos na selva da fotografia? Será porque nossa paixão pelo futuro da fotografia é desinteressado? Será o golpe dos “historiadores do nosso tempo”?…”

O texto é irônico, mas ainda hoje ouvimos isso por aí, não em relação à Magnum, é claro…..

“Cartier-Bresson, o olhar do século”, foi a bela leitura do começo de 2009. Recomendo!

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3 comentários em ““Ele era o Tolstói da Fotografia…” Richard Avedon

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