Fotógrafos na Literatura

Na semana passada acabei de ler “O livro das emoções” de João Almino. Para falar a verdade ainda não sei muito bem se gostei do livro ou não, mas isso se deve ao viés que dei para minha leitura. Explico: o livro é na verdade um diário de um fotógrafo cego que ajudado por uma assistente revive momentos importantes de sua vida – muito mais a pessoal do que a profissional – a partir de algums fotografias que fez enquanto ainda enxergava e ganhava a vida como fotojornalista. A história toda se passa entre o Rio de Janeiro e Brasília. Ao começar minha leitura fiquei prestando mais atenção às descrições da fotografia do que ao enredo e muito mais nas semelhanças com alguns fotógrafos conhecidos e que o autor descreve. Isso não quer dizer que ele estivesse descrevendo alguém, mas eu, por conta da minha imaginação, reencontrei em suas descrições algumas figurinhas conhecidas. Um erro fazer uma leitura dessas e, fã que sou do Umberto Eco, deveria ter aprendido com ele que isso não se faz! Aliás ele, (Eco) deixa isso bem claro em seu livro “Limites da Interpretação” : “um texto ‘aberto’ continua mesmo assim sendo um texto, e um texto pode suscitar uma infinidade de leituras sem contudo permitir uma leitura qualquer. É impossível dizer qual a melhor interpretação de um texto, mas é possível dizer quais as interpretações erradas”. Sem dúvida, a minha foi errada, mas muito divertida! Mesmo assim, João Almino levanta algumas questóes fundamentais em relação ao fazer da imagem fotográfica hoje em dia, chegando inclusive a criar um personagem que se torna famoso só por fazer grandes ampliações e fotografias desfocadas. O nome deste personagem? Escadinha! Nada a ver com o personagem da vida real, mas tudo a ver com um cara que usou uma “escada” para a partir do nada se tornar famoso. Será que minha leitura foi tão errada assim? Sei lá!

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Um comentário em “Fotógrafos na Literatura

  1. É claro que eu não duvidei que seria um bom blog quando a minha amiga e parceira Nathalie fez a indicação dessa leitura – aquela menina tem faro [e talento – tenho dito!] -, mas acontece que ao deslisar meus olhares pela página, logo vi Eco. Umberto Eco!, e não pude mais exitar a leitura. Você está de parabéns pela ótima e envolvente construção textual. Gostei bastante.

    Percebi seu apreço pelo italiano. É apenas um apreço mesmo, ou é além disso? Desculpe a intromissão logo assim de supetão, mas é que sou apaixonada pelo idioma. Espero que aceite, sem problemas, fazer parte de nossa lista de leituras diárias.

    Un grande abbraccio, caro!

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