Não é bem assim!

O artigo de ontem do Ombudsman da Folha de São Paulo traz três imagens, que segundo ele, por terem sido identificadas de forma errônea transformara-se em mentiras. Até aí tudo certo e concordo com ele. Só gostaria de ressaltar que, enquanto muitos falam da foto que mente, que foi alterada, etc; na maioria dos casos é o texto que leva a uma compreensão errada da imagem e é a legenda – lida antes da foto – que mente, ou erra, ou engana, etc. Isso porque – não é o caso das imagens apontadas no texto – muitas vezes os editores de texto descontextualizam a imagem: ou seja ela foi feita para um determinado fim, mas como ele só a percebem como ilustração a adaptam para outro. Como se ela servisse para tudo. Não é, nem nunca foi bem assim! Uma foto feita para contar uma história não pode ser utilizada para contar outra completamente fora do contexto original. Daí a importância do bom pesquisador iconográfico, do editor da imagem e dos bons indexadores dos bancos de imagens.

Dito isto, me parece que o próprio ombudsman acaba se confundindo ao falar da foto do Joe Rosenthal, a fomosa foto de 1945 e que já foi discutida várias vezes no cinema. (leia aqui) Diz o jornalista que ele é publicada como se fosse a primeira do local e que determina o fim da guerra que na verdade continuou. O que se discute sobre esta imagem não é bem isso: sabe-se que ela não é a primeira, mas a segunda e ninguém fala do fim da guerra ,mas sim do imagético simbólico no qual se transformou. O que se discute na verdade é que Joe Rosenthal pediu para os soldados repetirem a cena da colocação da bandeira que já  havia acontecido. O que se discute é a armação da imagem: com discussões a favor e contra. e não se é a primeira ou a segunda. Inegável porém sua força, visto que volta e meia ela retorna à páginas dos jornais.

De qualquer maneira vale a pena ler o texto da Folha e retomar a antiga discussão- tão velha quanto o próprio fotojornalismo – a necessidade de editores da imagem que atuem como tal e que conheçam além da técnica, e de jornalismo a história da fotografia.

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2 comentários em “Não é bem assim!

  1. Olá querida!!

    Só para somar:

    “Uma primeira bandeira foi erguida naquele mesmo dia no Monte Suribachi, próximo ao campo de batalha. Porém, o Secretário da Marinha Americana quis guardá-la como lembrança. O comandante do Segundo Batalhão, Coronel Chandler Johnson, mandou erguer outra bandeira que foi recolocada no lugar da primeira (HOWE, 2002).

    Rosenthal fotografou a reposição da bandeira, ele sabia que aquela cena se tornaria um símbolo muito mais atraente do que as cenas do sangrento combate que havia ocorrido antes da bandeira ser içada.

    Sontag (2003) afirma que com o passar do tempo muitas fotografias encenadas se tornam testemunhos históricos, ainda que impuros.” (ANDRADE, 2005)

    HOWE, Peter. Shooting Under Fire: the world of the war photographer. New York: Artisan, 2002.

    SONTAG, Susan. Diante da Dor dos Outros; tradução de Rubens Figueiredo. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

    ANDRADE, K. Fotografia de Guerra – Uma análise crítica da imagem na perspectiva histórica das guerras. Trabalho de Conclusão do Curso de Especialização em Comunicação e Artes. São Paulo: Senac, 2005

    BEIJOS MIL .. ATÉ BREVE!!!

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