Histórias mediáticas

A pedidos conto mais esta história aqui no blog. Ela acontenceu há tempos, no começo desta década. Estava eu me preparando para sair de minha casa para dar aula, quando toca meu telefone. Reproduzo a conversa:

– Alô?

-É a Simonetta?

– Sim.

-O que você acha do Militão?

– Desculpe, mas quem está falando. De quem você está querendo saber?

– Me disseram que você sabe tudo sobre o Militão….

Neste momento como um ato-reflexo sai da janela e me abaixei no chão. Nunca se sabe. Que ligação louca era aquela. De que Militão estavam querendo saber. Pior….já havia dito que era eu no telefone. Respiro fundo e recomeço:

-Quem está falando?

– Aqui é a reporter do jornal …… e me mandaram falar com você.

Ufa! Respirei aliviada! Tinha que lidar com uma repórter, pelo jeito recém- formada. Tudo bem. Todos já fomos assim, ainda mais quando em início de carreira incumbidos de fazer uma matéria rápida. Muitas vezes o editor não explica nada, manda e a gente executa. Sentei. E recomecei…

– Pode ser mais tarde estou de saída…

-Não.Fecho a matéria em cinco minutos.

Ri! Este truque é muito antigo. A adrenalina do fechamento! Estamos sempre fechando, sempre atrasados. E eu nunca vi um jornal ou revista deixar de sair porque alguém atrasou. Mas tudo bem. Não sou a pessoas mais paciente do mundo. Aliás não tenho paciência mesmo. Não sei se defeito ou qualidade, mas é assim. Mas meus anos de jornalismo e de professora me ensinaram a segurar alguns minutos.

– Ok. O que você quer saber?

– Já disse o que você acha do Militão.

-Sei, mas de quem você está falando do seu amigo, do padeiro da esquina, de quem?

– De um fotógrafo….velho…antigo….

– Tá do Militão Augusto de Azevedo?

– Isso!

Ótimo. Dei minha impressões sobre ele. Ainda indiquei o Museu Paulista (do Ipiranga) onde grande parte do material está arquivada. A repórter do outro lado da linha anotava. Eu, com conhecimento de causa, e, apesar da minha pressa, estava falando bem devagar.

– Anotou tudo? Alguma dúvida?

– Não.

– Por que você está me fazendo estas perguntas. Vai ter alguma exposição ou livro sobre ele?

– Não! Parece que roubaram algumas fotos dele do Arquivo do Estado!

– Nossa! O que? Você sabe?

– Não!

-Então tá! Obrigada e tchau!

– Ah! Espera um pouco….

Nesta altura eu já estava chamando o elevador, bolsa e pasta a postos. Só esperando desligar para jogar o telefone dentro de casa e sair.

– Diga….

– Você sabe quem roubou estas fotos?

Desliguei na hora. E confesso fiquei apavorada com o que ela ía escrever. Quando a matéria saiu fui conferir: meu nome estava errado, minha profissão também, assim como o lugar onde eu trabalhava! Melhor assim! Eu nunca dei esta entrevista!

 

 

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5 comentários em “Histórias mediáticas

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