Cascatas fotográficas

No post de ontem, É brincadeira no Granulado, Carla Romero lembra de seu trabalho no NP e da fama de cascateiros dos fotógrafos do jornal. Embora ela negue de pés juntos. E com razão. Esta história das cascatas ou das fotografias “decoradas” me lembrou que a fama surge no Brasil na revista “O Cruzeiro” .

 01.jpgFamosa a reportagem feita pelo Ed Keffel e João Martins em 1955 sobre discos voadores que invadiram a praia da Tijuca no Rio de Janeiro. Varios conhecedores dos ufos desmentiram a história com provas e contra-provas. Diz a lenda que teríam jogado pratos no ar. Mas claro que isso nunca foi provado, não passa de lenda ou, como se costuma dizer, intriga da oposição. Os repórteres morreram negando a maracutaia. (leia aqui texto do próprio João Martins, 4 anos depois da reportagem, confirmando a veracidade das fotos).

Mas parece que levar objetos para dramatizar uma imagem fotógrafica era prática comum de alguns fotógrafos da revista, pelo menos segundo depoimento publicado no livro “A Fotografia Moderna no Brasil” de Helouise Costa e Renato Rodrigues da Silva, na pág 105:

“Quando um fotógrafo saía para registrar uma ocorrência policial, ia prevenido: bonequinha e chupeta na mão. Aí, no local, arrumava a cena: lá no fundo um carro amassado; aqui na frente uma boneca rasgada, uma chupeta jogada bem longe. Era a “cascata”: uma foto que chocava emocionalmente e vendia” (depoimento de João Pires a Stefânia Abril, publicado inicialmente na revista Íris jan/fev 87.)

Quem conta também sobre as mentiras fotógraficas é o fotojornalista Flavio Damm, que trabalhou na revista O Cruzeiro e hoje escreve no portal da Photos. Aliás, a coluna do Damm é leitura obrigatória para quem gosta de fotojornalismo.

Mas arrumar as fotos começa com a própria idéia do fotojornalismo, ou melhor da fotografia de guerra, quando durante a Guerra de Secessão nos Estados Unidos, no século XIX, Alexander Gardner contou que ele e Timothy  O’ Sullivan montavam as cenas dos mortos em campo de batalha antes de fotografar 

civil-war-098.jpgSegundo livros de história da fotografia ,Gardner e  O’Sullivan levaram o soldado para o trincheira e arrumaram a cena. 

Naquele tempo poderia até ser aceitável, visto que ainda não existia uma linguagem de fotografia de guerra  ou de fotojornalismo, as câmeras era de grande formato e pesadas e as guerras…estas também eram outras. Depois disso a montagem de uma cena no fotojornalismo não faz mais sentido,  não é admissível e nem é ético! 

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8 comentários em “Cascatas fotográficas

  1. Bem, voltei!
    Fui pesquisar uma informação: desde março de 2003, quando Bush Filho ordenou a invasão do Iraque, mais de duzentos jornalistas foram mortos, de acordo com os Repórteres Sem Fronteiras. Só na guerra do Iraque! Se eles tivessem levado os corpos para as trincheiras, será que teriam se protegido melhor? (Se é que é possível se proteger no meio de uma guerra!)
    Comportamento ético – não tem o que se discutir. É o que se espera de todos os profissionais, a qualquer tempo.

    Renata

  2. Já vimos gente perder prêmio nos USA por causa da manipulação digital. Sobre o Iraque já ocorreu várias. Hoje não tem linguiça dentro do sapatinho na área do sinistro – dizem, não sei se é verdade – mas tem o tal do photoshop…

    Bem, a lição que eu tiro dessas histórias todas é que a maioria não concorda e nem faz armação prá tirar fotos impactantes; e depois, a net, jornais e revistas estão cheias de fotos terríveis tão verdadeiras… quando me lembro daquela criança iraquiana que os USA mutilaram com bomba… Ainda bem que não apareceu ninguém prá dizer que foi montagem ou que a criança era um boneco de cera no leito de um hospital bombardeado. Amém!

  3. Voltei a esse post, depois que vi alguns artigos de Flavio Damm. Muita sabedoria tempera suas palavras. Conselhos simples…e muito bons de seguir. Não custa nada.
    Bem, mas o melhor vem agora. Ontem enquanto folheava uma das boas Fotosite, dei de cara com um artigo de Cristiano Mascaro que esmiuça a receita para o novo fotógrafo entra no mercado de arte.
    Compre a revista. Está fenomenalmente criativo e hilário. Deve ser a décica nona ou a vigésima. Tá muito porreta. Ri de doer a barriga.

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