Rodrigo Albert no Uruguai

rodrigo3.jpg

 

 Conheci o trabalho do fotógrafo mineiro Rodrigo Albert quando ele me convidou para escrever o texto do catálogo de sua mostra “Identidade Cultural Brasileira”. Lembro de ter escrito que o que mais me havia chamado antenção em em suas fotografias era um sopro de novo nos velhos assunto. Não foi com supresa, portanto, que soube que ele foi convidado a mostrar seu ensaio “Inserção”, no Fotograma, o Encontro Internacional de Fotografia de Montevideo, organizado pelo Centro Municipal de Fotografia. A jornada se iniciou em novembro, mas a exposição do Rodrigo abre amanhã e vai até março. Antes de ir ele falou com o tramafotográfica. 

rodrigo.jpg

Você é o  fotógrafo convidado a participar desta mostra no Uruguai. Dá um friozinho na barriga?Estou muito ansioso, afinal é minha primeira individual Internacional. Dá um frio, porque sou convidado especial para encerrar as atividades do Fotograma de 2007. Estão me dando todo apoio e atenção.Meu trabalho ficará exposto por três meses, de 14 de dezembro a 05 de março. O Fotograma é um evento internacional de fotografia, com leituras de portfólios, wokshops, palestras e exposições. Além do meu trabalho o evento apresentou outros fotógrafos, como: Alejandra Stoulman (Chile), Daniel Benaim (Venezuela), Eugène Atget (Francia), Laura Mariategui (Argentina), Santiago Roose (Espanha), Iatã Cannabrava (Brasil). 

Que trabalho é este que você apresenta?Inserção é documentário imaginário, uma coletânea de imagens e textos produzidos a partir de visitas aos estabelecimentos prisionais do Estado de Minas Gerais, que utilizam o Método Apac (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados). A principal diferença entre a Apac e o sistema carcerário comum é que nas Apacs os próprios presos cuidam da segurança da penitenciária sem a presença de guardas civis ou militares. O método APAC foi idealizado e implantado pelo advogado paulista Mário Ottoboni em 1972, na cidade de São José dos Campos (SP). Já são mais de 100 unidades espalhadas em todo o território nacional, e em vários países como no Equador, Argentina, Peru, Estados Unidos, Noruega, Nova Zelândia, Alemanha, Holanda, Coréia do Sul, País de Gales, Inglaterra entre outros, em fase de implantação. Desde 1986, a Apac é filiada a Prision Fellowship Internacional, órgão consultivo da ONU pra assuntos penitenciários. Em 1991, foi publicado nos EUA um relatório afirmando que o Método Apac podia ser aplicado a qualquer lugar do mundo. No Uruguai será apresentado parte do trabalho que realizo nos estabelecimentos prisionais desde 2002. Serão fotos no formato de 70X105cm a 100X150 e um video. 

Qual a idéia de Inserção? Trata-se de um processo de inserção particular, que busca refletir e promover o confronto de visões de mundos – que se superpõem, distinguem, mas também se complementam. Os registros visam apresentar o dia-a-dia, dificuldades, sonhos e desejos desses homens. Assim, a proposta é acrescentar, criar uma nova gramática com representações não fechadas sobre a verdade dos personagens, imaginários, percepções e modo de viver. Apresentar através das imagens uma tentativa de produção de um mundo comum que é o do encontro, da pluralidade e, essencialmente, da diferença. É a minha inserção no mundo carcerário e na arte. A idéia não é sugerir uma reforma, mas destacar essas ligações invisíveis.  

Inserção é um trabalho mais antigo, porque escolheu ele para participar do evento? No mês passado em Montevidéu, conheci o Daniel Sosa, coordenador geral do CMDF. Marcamos uma reunião e apresentei meu trabalho a ele. O tema lhe interessou muito, o problema carcerário no Uruguai também é muito precário. Uma semana depois, estava em Buenos Aires e recebo o e-mail do Daniel me convidando para exposição. Fiquei surpreso, não esperava ser o convidado especial do evento. A idéia de apresentar Inserção foi de Daniel. 

Como você definiria seu olhar fotográfico?Não tem uma coisa exata, minha fotografia é um processo independente, um dia parei e procurei no silêncio. Assim, o meu modo de pensar e de agir ficou mais interessante. Este é o meu imaginário, não é um saber é uma força que me empurra, vem do meu desejo de fugir, de buscar e amar.   

 

  1.                   

4.                 

  

Anúncios

2 comentários em “Rodrigo Albert no Uruguai

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s