Crimenes Banales

crimes.jpgConheci  a fotógrafa argentina Ananké Assef, durante o 1º Fórum Latino-Americano de Fotografia de São Paulo (ver aqui), realizado em outubro no ItaúCultural. Parte de seu trabalho esteve , exposto na mostra Sútil Violento, durante o mesmo evento. Gostei muito de suas fotografias sempre direcionadas para as questões sociais, identidade e para a discussão da violência. Fiquei feliz quando ela me mandou o convite para sua mais recente exposição em Buenos Aires, “Crimenes Banales” que abriu no último dia 14 de novembro no Centro Cultural Recoleta e, mais feliz ainda, quando ela concordou em dar esta entrevista para o Tramafotográfica.

  1.      Seu trabalho é muito bom. Tive oportunidade de vê-lo aqui em São Paulo, também. Como surgiu a idéia dos Crimenes Banales? Em São Paulo mostrei um pedaço deste trabalho maior que é a série Potencial. Crimenes Banales é composto de três séries: Potencial, com 19 fotografias, Vigilia, que 8 vídeos em loop e Rueda de Reconocimiento, que é uma vídeo-instalação interativa.Bom, respondendo à tua pergunta: um dos meios de controle por excelência do capitalismo contemporâneo é a produção do medo. Como cidadãos vamos adotando estratégias de proteção que modificam, entre outras coisas, os hábitos cotidianos. O medo está sempre presente e a ameaça em todos os lados. Uma das consequências é que no imaginário coletivo se cria um modelo de “suspeita”. Em Crimenes Banales, as pessoas retratadas respondem a este “modelo”. Desta maneira quastiono, entre outras coisas, os mecanismos incriminatórios.Há três anos trabalho neste projeto com a intenção de juntar diversas peças do meu trabalhos. Chegar ao título Crimenes Banales me ajudo muito.Os artistas têm determinadas temáticas que permeiam sua obra pessoal. A violência, entre outras questões e em diferentes formas de exposição e explicitação, é recorrente em meu trabalho.  

2.      Como você vê e entende a violência destas pessoas que se armam?  Vejo a arma como um objeto feticista, símbolo de morte e também de poder. Conviver com uma arma pode ter inúmeras razões, desde herdá-la até comprá-la porque a pessoas se sente mais segura. A violência para mim tem raízes no sentimento de poder que gera e muitas vezes na inconsciêcia do perigo real que traz.  

3.      Como foi o processo de trabalho. Eles posaram rapidamente para você, não tinham vergonha em se mostrarem armadas? Os retratos fotográficos carregam certo tipo de violência. O retratado está numa situação violenta  que consciente ou inconscientemente eu induzi. Ele está “submetido” a outra arma muito semelhante a uma de fogo, que é a câmara fotográfica, em uma pose construída por quem aperta o botão da câmara (eu) e segura sua arma de fogo que nestas sociedades ou estratos sociais não é bem vista nem aceita.Elas concordaram em ser fotografadas quando entenderam que se tratava de uma obra de arte.   

4.      Quais os crimes não banais? Aqueles realizador por um serial killer, por um ladrão, entre outros. Premeditados dentro de uma ação deliberativa..Os crimes banais são aqueles cometidos por acidente, passionais, tiros que nos escapam. Geralmente  ter uma arma à mão, facilita este tipo de crime. 

5.      Fotografia para mim é….. Trabalho com fotografia, video, e vídeos-instalações interativas. Mas minha raíz é a fotografia. A fotografia, a imagem é muito poderosa porque captura elementos da realidade. Por esta razão lhe é conferido o atributo de documento e veracidade e daí seu poder intrínseco. A fotografia é uma ferramenta de fragmentação e representação da realidade e é a minha maneira de trabalhar estéticamente. Hoje, para mim a arte é uma ferramenta estética de reflexão e denúncia.       

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