A história da feiura

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Sou super fã do Umberto Eco. Dos seus livros teórios aos seus romances e obras de ficção. Acho maravilhosa sua visão de mundo. Em outubro ele lançou na Itália seu mais recente livro “Storia della Brutezza” (não sei se alguma editora já vai traduzir para o portugues, mas acredito que sim)  o lado B do seu livro a  “História da Beleza” (traduzido no Brasil pela Editora Record).  Aparentemente beleza e feiura são conceitos que dependem um do outro. Entendemos por feio o que não é bonito. Pra saber o que significa um, basta definir o outro. Neste livro Umberto Eco trata do feio ou da feiura através dos séculos e nos apresenta de que forma ele se manifestou em quase três mil anos de história . 

Ainda não tenho o livro,  mas  li uma entrevista que Umberto Eco deu  para o jornal La Republica, para falar do seu mais novo ensaio. Traduzo aqui livremente alguns pedaços da matéria feita por Francesco Merlo. Tenho certeza de que um dia eu também vou entrevistar o Umberto Eco.

Mas vamos aos trachos da matéria:

“Houve um tempo em que preferia a beleza urbana, suja e inquietante. Hoje prefiro morar no campo. Nas cidades italianas de hoje o que prevalesce é a feiura. Existe um processo que enfeia as cidade. Tenta-se respeitar a paisagem, mas quando fazemos intervenções fazemos horrores”.

“As cidades pertencem ao belo natural e não ao belo artístico. O belo artístico é o que é e nada pode modificá-lo ao contrário da paisagem urbana”.

“Hoje me dia ninguém faria uma guerra pela belza de Helena (guerra de Tróia- grifo meu), admitindo que tenha sido feito por isso mesmo…”

“Existe o feio natural e o feio artístico, onde a feiura nasce da representação, o feio lindamente descrito”.

“Apesar do otimismo dos metafísicos, neste mundo existe algo que é terrivelmente horrendo e maligno”

Surpresa 1: Umberto Eco detesta ser fotografado. Segundo Francesco todas as poses lhe parecem forçadas. Digamos que ele tem razão!

Supresa 2: assim como eu, ou eu como ele, talvez fique mais certo, Umberto Eco gosta de assistir televisão e assiste todas os seriados policiais e de crimes.

Bom vamos voltar ao livro:

“no mundo moderno que sempre representou de maneira grotesca e malígnas o inimigo religioso e político, nasce a caricatura”.

“Monstros feios mas gentilissimos como ET e os extraterrestres de Guerra nas Estrelas, fascinam não só as crianças, mas também os adultos, que muitas vezes se relaxam assistindo filmes hiper violentos”.

E por aí vai. Tomara que este livro chegue logo entre nós para acrescentarmos mais elementos às discussões sobre estética e poranto também sobre ética.

 

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2 comentários em “A história da feiura

  1. Veja entrevista com Edney Silvestre no GloboNews

    http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM749433-7823-UMBERTO+ECO,00.html

    Dá vontade de ficar conversando com ele até não poder mais…

    Existe uma faixa de consenso, mas conceito de feio e belo, embora um pouco ligado a proporções e simetrias, sempre terá uma interpretação pessoal e singular em cada indivíduo.
    “Quem ama o feio, bonito lhe parece”.

    Acabei de chegar do lançamento do Africa do Salgado, onde alguns críticos poderiam usar a definição do Eco: “feio lindamente descrito”. Mas as imagens do Salgado são muito mais, são cortantes. Especialmente porque os significados são ainda mais lancinantes.

  2. Também sou super fã do Umberto Eco. Este livro deve ser muito interessante mesmo. Os padrões de referência que orientam a percepção/representação da beleza e feiúra remetem a outras implicações da vida humana, repercutindo no território da ética e dos processos de convivência social. Tem muita coisa para pensar olhando o mundo contemporâneo sob este prisma, não é?
    bj

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