A fotografia do Pará

Acabo de ler o livro “Sequestros”, (Belem- EDUFPA, 2007) de Orlando Franco Maneschy. É um tratado sobre a fotografia do Pará, mais especificamente sobre a imagem na arte contemporânea paraense.O livro, resultado de uma pesquisa viabilizada pelo Programa de Apoio ao recem Doutor, implementado pela Universidade Federal do Pará, é sim, apesar do que escreve ao contrário o professor Ernani Chaves no prefácio do livro, um mapeamento da arte fotográfica do Pará. É isso não é pouco. Não sei porque isso deveria ser menos. Não entendi o porque do professor achar que mapeamento é algo simples. Tendo em vista os textos teóricos sobre nossa fotografia não é.

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Ao contrário, Orlando Maneschy, fotógrafo e pesquisador de imagem nos traz sim um relato do desenvolvimento da fotografia no Pará e nos ajuda a entender como a produção se desenvolveu. Isso no meu entender, é muito mais interessante do que qualquer opinião ou crítica sobre um determinado trabalho. Ensaios teóricos como este e como o de Aristides Alves sobre a fotografia baiana, é que nos ajudam a criar um panorama da nossa criatividade e da nossa produção. Precioso o primeiro capítulo: Orlando parte  do histórico da fotografia na região para tentar explicar, ou melhor, como ele mesmo diz, compreender a cena contemporânea. É disso que nós precisamos. O resto são firulas.

E ele sabe disso. Tanto que seu segundo capítulo recebe o nome, acertadamente, de mapeamento da produção. Historicamente, mas sem querer ser didático o autor nos leva por meio de imagens e situações contextualizadas a entender como os artistas do Pará chegaram a esta produção atual. Quais os caminhos trilhados, quais as fontes, quais as vontades.

Isso aliás, têm sido uma constante nos último anos. temos alguns exemplos importantes como o livro de Angela Magalhães e Nadja Fonsêca Peregrino “Fotografia no Brasil: um olhar das origens ao contemporâno”; o livro já acitado acima do Aristides Alves “Fotografia na Bahia “ e agora “Sequestros”.

É um livro importante para pesquisadores, historiadores e também fotógrafos, pois além da parte teórica nos traz um amplo painel imagético. Aliás, este é um outro problema. Quando é que as editoras brasileiras (salvo raras exceções) vão entender que nos livros de fotografia a imagem é fundamental? Quando vão entender que ela precisa ser bem impressa, bem colocada que ela não é adorno, mas a questão centraldo livro?

O livro do Orlando Maneschy peca, como quase todos aliás, por isso. As imagens são  mal tratadas na edição. Pena!

 

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5 comentários em “A fotografia do Pará

  1. Querida,

    Muito bom poder te ler todos os dias nesse espaço incrível que você transformou em casa de fotografia! Mata um pouquinho as minhas saudades de você e me mantém atualizada!
    Fiquei super interessada neste livro que você indicou. Ando bem voltada para a fotografia paraense e acho que esse livro vai ser muito útil! Vou comprar correndo!
    Beijos, muitos beijos,
    Mimi

  2. estava lá quando esse livro foi lançado.
    e tive a oportunidade de conhecer o miguel… entendo que graças a ele, todo paraense fotografa. e fotografa bem, por sinal. a exposição no fotoativa, dos alunos que passaram por ali, poderiam estar do lado de trabalhos de paulistas que pesquisam pinhole há anos… por que será?
    acho que descobri quando assisti uma aula dele…
    revolucionário o japa… : )

  3. Gente,

    Sou de Belém, e aqui, imprimir um livro com fotografias é quase um milagre. Adorei o livro, mas, sinceramente, as imagens estão muito bem tratadas. Acho que o crítico deve estar se pautando por livros impressos em São Paulo, pois nunca vi imagen tão bem impressas em Belém e sei que o autor ficou 19 horas por dia na gráfica (!) acompanhando tudo e foi reimpresso duas vezes. Sacanagem detonar assim a impressão!

  4. Com um pouco de atraso leio a referência feita ao meu “prefácio” ao livro de Orlando Maneschy. Creio que a crítica feita não é pertinente: não escrevi nada que desqualifique a necessidade de um mapeamento da produção fotográfica paraense. Apenas afirmei que o livro do Orlando oferece muito mais do que um “mapeamento”. Daí a sua importância e o interesse que ele pode ter.

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