O Granulado deu primeiro

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Há uma semana tive o privilégio de ser convidada pelo Granulado para escrever um texto em comemoração ao primeiro mês de vida do blog. O texto não deveria ser de parabéns e sim, um post normal. Escrevi então sobre a exposição do Luis Humberto que acontece aqui em São Paulo, no MIS, até dia 4 de novembro.

Hoje resolvi escrever aqui também sobre este fotógrafo, trazendo alguns recortes de meu artigo publicado no Caderno2 do jornal Estado de S. Paulo.

Seguem: Fotógrafo que registrou momentos importantes da nossa história quando trabalhava para revistas como Veja, Istoé ou o Jornal de Brasília, Luis Humberto tem uma visão particular do que é a fotografia ou o ato fotográfico. Visão esta que começou a esboçar em seu livro “Universo e Arrabaldes”, publicado em 1983, mas que intensificou em 2000 quando definiu a fotografia como a “Poética do Banal”. É o seu jeito de entender um ato que aparentemente faz parte do nosso cotidiano, mas que é preciso encontrar “como um flanar, um vagabundear por aí na busca de uma imagem que se concretiza na intermediação entre a câmera e o olhar que procura e descobre”.

As imagens do Luis Humberto são assim. Flagrantes precisos,  fragmentos que num átimo conseguem nos trazer a totalidade de uma situação. A fotografia do cotidiano que se encontra no rosto de enfado do então ministro Simonsen, em 1976 ou o jogo entre palavra e imagem quando fotografa a cidade de Brasília, mais precisamente o Congresso Nacional nos anos 70, onde todo cuidado era pouco. Aliás, Luis Humberto percebeu a importância da imagem justamente no período do governo militar, onde as palavras não podiam ser escritas e a fotografia tomou para si na imprensa o papel de contar o que acontecia na sociedade pós AI-5. São imagens contundentes, indiciais que requerem tempo para serem decifradas. O mesmo que se dá na aparente simplicidade das fotografias domésticas. Átimos de um dia-a-dia que já nos esquecemos de perceber, ou de entender. Fotografias que se resolvem nos detalhes e não na retumbância da forma ou do conteúdo: “não é preciso esperar um grande acontecimento para começar a fotografar. Ela está no cotidiano, pulsando, esperando por um olhar revelador”, nos ensina.  No final acho que esta e a grande lição de Luis Humberto.

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