Mais um belo texto de José de Souza Martins, desta vez com suas fotografias

A imparcialidade das chamas, em imagens e palavras
José de Souza Martins,
O Estado de S. Paulo, 18/10/09

Pobreza não sensibilizou o fogo, que acabou por devorar as magras posses dos favelados

Percorri os escombros da favela incendiada, no Jaguaré, no dia seguinte. Num canto ainda saía fumaça da madeira caída. O fogo comeu os barracos por cima até chegar ao chão, que, molhado pela água dos bombeiros, reteve muita coisa chamuscada ou parcialmente queimada. Roupas coloridas pareciam confete sobre o solo negro. Quase 350 famílias ficaram sem nada.

imageA frase interrompida pelo fogo em uma página de fascículo da Secretaria da Educação diz que é texto sobre “os direitos da criança”. Outra página, queimada pelas bordas e retorcida, propõe “questões de compreensão” no que sobrou: “Ao conjunto de pessoas que habitam determinado lugar é dado o nome de população. Existem, por exemplo, a população mundial, a população brasileira, etc. A quais populações você pertence?” A criança dona do caderno não teve tempo de responder que pertencia à população da favela Diogo Pires, São Paulo, Brasil, nem poderá fazê-lo, pois a favela não existe mais.

Em diferentes pontos do terreno recoberto de cinza e carvão, talheres, especialmente garfos, estão espalhados ao redor de determinados pontos, ao lado de canecas partidas de porcelana e pratos cheios com uma sopa de carvão. Ali existiram as mesas improvisadas do pão nosso de cada dia. Em vários pontos o calor estourou saquinhos de plástico com alimentos: aqui, um pacote de arroz Piccinin; ali, um pacote de feijão Prato Bom; acolá, um pacote de arroz Pateko; mais adiante, um pacote de macarrão Renata, “com ovos”, esclarece o invólucro. Num outro ponto, salsichas e cabeças de alho transformadas em carvão estão espalhadas pelo chão.

imageNa direção da Rua Diogo Pires, um barraco ficou parcialmente de pé. Num cômodo que era quarto e cozinha, um tabique divide duas imaginárias metades, construído com restos de uma placa de posto de gasolina. Servia como privada e banheiro. Aparentemente, a família havia acabado de jantar. Na cuba e sobre a pia de aço inoxidável, pratos recém-usados, talheres. Na parede, com um rombo aberto pelo fogo, um bonito armário branco de portas verdes. Sob a pia, um gaveteiro envernizado, uma das gavetas aberta, o conteúdo esvaziado por alguém na pressa de fugir. Encostado ao tabique do banheiro, o estrado de uma cama de casal: para a família ter espaço durante o dia, a cama era desmontada. Penduradas num canto do estrado, coloridas roupas de crianças.

Lá fora, fogões a gás, geladeiras e máquinas de lavar roupa, queimados, cobrem o terreno enegrecido e encharcado. Para que morador de favela, morando em precário barraco de madeira, quer máquina de lavar roupa? O monturo tem uma mensagem: os bens de consumo duráveis como investimentos na casa imaginária, a casa que esperam ter um dia, que corresponda à realidade daquelas coisas. São sinais de esperança, modos de se equiparem para dias melhores como os dos ex-favelados do condomínio ali do lado, que há pouco receberam seus apartamentos do governo do Estado e da prefeitura.

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Nas proximidades, dois homens conversam. “Isso é castigo”, diz um deles. Irrito-me e comento: “Estranho! Só pobre é castigado. Só favela pega fogo, queimando casa de montão”. Um deles responde, surpreso: “É mesmo!” E se retiram. Quatro crianças caminham na minha direção: “Moço! Tira uma foto?” Tiro. “Quando é que a gente vai aparecer na televisão?” Os pobres querem ser vistos. Um senhor muito simples se aproxima, trazendo pela mão o menino Vinícius, limpo e arrumadinho, como sempre acontece com crianças e adultos de favela: compensam na aparência o que lhes falta na vida. Quer que tire uma foto de seu filho pequeno.

Alguns cachorros perambulam. Um deles se deita encostado ao resto de uma parede. “Está esperando o dono, que morava aí; deve estar com fome”, comenta a moradora do barraco vizinho, que não foi queimado. Uma vizinha diz que o incêndio começou quando um homem, na outra ponta da favela, quis pôr fogo na mulher. Ela responde: “Tem que linchar ele! Não lincharam ainda?” As chamas da imaginação vão tomando conta de todos para explicar o inexplicável.

Ali perto, encontro o corpo carbonizado de um gatinho, que não conseguiu escapar. Sinal de fogo rápido. Se os vizinhos não tivessem corrido para retirar crianças pequenas, algumas delas teriam sido consumidas pelo fogo que se espalhou depressa. Duas gêmeas foram retiradas de um barraco por moradores, enquanto outros vizinhos retiravam seus sete irmãos e a mãe carregava uma filha paraplégica. Aqui e ali, alguns moradores desabafam, vários com forte sotaque nordestino: “Saí com a roupa do corpo. Ficou tudo pra trás”.

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Poderia não ter ficado. Bem ao lado, erguem-se os novos e belos edifícios de um programa habitacional do governo do Estado e da prefeitura, o terreno ajardinado, um menino andando de bicicleta na calçada. É parte do projeto de urbanização da favela, apartamentos entregues aos moradores há pouco tempo pelo governador. Com a novidade, em relação ao Cingapura: além de apartamentos de dois quartos, há varandas de acesso e também apartamentos de três quartos, para as famílias maiores. Há seis meses a prefeitura tenta adquirir do dono o terreno invadido pelos favelados da Diogo Pires, abandonado por uma empresa de reparação de vagões ferroviários. Já há um projeto pronto para extensão do condomínio para aquela área e construção de apartamentos para 400 famílias. Propriedade privada, o governo do Estado nada pode fazer enquanto não se tornar proprietário do terreno. Não fosse esse empecilho, os prédios já estariam adiantados, como vários ao lado, e a favela não estaria lá.

Já no fim da tarde, numa das pontas da favela aparece um grupo que vem trazer lanches e café com leite para os desalojados. Na outra ponta, um homem chega discretamente com seu automóvel carregado de pacotes de leite e os distribui. Na igreja do Jaguaré, um jovem casal, vindo de São Caetano, traz roupas para as vítimas. No cenário escuro dos caibros e paredes carbonizados, bate forte o coração luminoso dos que se esquecem do eu e se pensam como nós.

 

Cuide-se Sophie Calle

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Vamos combinar: eu gosto da Sophie Calle, mas gosto muito mais de suas idéias do que das suas realizações. Não a considero fotógrafa, mas acho que o que ela faz sempre desperta interesse. Achava! Fui ver no Sesc Pompéia, na última quinta-feira às 11 horas da manhã a exposição “Cuide de você!“. Além do barulho ensurdecedor dos vários vídeos e dos seguranças que resolveram competir com eles( não sabia quem gritava mais) não havia ninguém. Pude, portanto, ver com bastante calma, ler com todo o tempo e aproveitar bem da exposição. Para mim se trata de uma bela e bem sucedida, além de inteligente, jogada de marketing.

FLIP/PARATYSophie e Grégoire na Flip, crédito: Ag. Estado

Não acredito que Mr X, ou Grégoire Boullier, tenha escrito aquele e-mail.  Além do mais, ele começa sua carta dizendo: “há algum tempo venho querendo lhe escrever e responder ao seuu último e-mail”. Ninguém, nenhuma das mulheres questiona o que ela escreveu no e-mail para ele responder daquela forma?  Interessante a idéia de compartilhar uma carta para tentar demonstrar como cada um a sua maneira intererpreta, compreende e reage a um estímulo.  Não gostei da edição. Se 107 foram as mulheres todas deveriam ser mostradas. A impressão que tive é que foi tudo muito dirigido, daí minha frustração. Eu não achei nada de mais no e-mail do suposto ex-namorado (pelo que se ouviu na Flip, eles se divertiram muito com toda situação, eu também acharia engraçado). Mas enfim, extrapolando, acho que ela traz inúmeras questões que poderiam ser aprofundadas: mundo privado X mundo público, a incomunicabilidade do ser, a importância do aparecer, etc., etc., etc.,  Mas com o disse a idéia era boa a forma como ela tentou resolve-la nem tanto. Achei infantil! Ela tem trabalhos melhores.

 

Entre os muros da escola

Fui assistir a este filme na terça-feira. Confeso que fiquei muito tocada e pensativa com o que vi. Uma história verdadeirade um professor da periferia parisiense numa classe bem heterogênea e que, na verdade, ao querer ser amigo dos alunos os afasta cada vez mais. O filme é muito tenso o tempo todo (bem verdade que é muito longo e alguns momentos cansativos), os diálogos estão sempre acima do tom. Não acredito que seja diferente nas escolas do Brasil. Mas o que mais me chamou a atenção foi a falta de entendimento, dos pedidos de socorro dos próprios alunos, e da escola que, já sabemos, hoje em dia não é mais interessante para ninguem. No quesito fotografia – que é o que interessa a este blog, uma cena me chamou muito a atenção. O professor de francês (protagonista do filme ) após a leitura do Diário de Anne Frank, pede aos alunos que escrevam uma redação fazendo seu próprio autorretrato. Um único aluno usa a fotografia para contar sua história. É um aluno problemático do qual os amigos zombam o tempo inteiro dizendo que ele não sabe escrever (a turma é de adolescentes), mas ao fotografar ele consegue contar sua história. Parece que o professor se interessa por isso, mas é apenas um átimo, ele não percebe  a força da linguagem deste garoto. Em seguida parece que o próprio professor se desinteressa por ele, voltando sempre à antiga questão  de uma escola que não esina e não desperta o interesse dos alunos. Também muito boa a cena da aluna ofendida sistematicamente pelo professor (que é sempre questionado e ofendido por ela)  e que o surpreeende ao dizer que leu a República de Platão. Um filme (guardada às devidas proporções de ser em alguns momentos bastante cansativo e repetitivo) que nos coloca frente à questão de ensinar e aprender e a falta de sentido que muitas vezes o ensino faz para quem aprende. Após o filme lembrei imediatamente do método Paulo Freire e também de uma frase de Leonardo Da Vinci: “só aprendemos o que nos interessa!” A fotografia aparece como forma de integração, de ligação e de discurso, mas é abandonada pela retórica da linguagem falada e escrita. Um filme que faz pensar e que para mim, valeu muito a pena.

Emergentes!

capa_emergentes Érico Hiller é o tipo de pessoa que fica matutando o que vê, o que lê e o que ouve. É o mote para criar um projeto e sair pelo mundo. Foi assim com o trabalho que fez sobre “Violência contra mulher” que foi exposto no Sesc Vila Mariana. É assim com este seu mais recente trabalho lançado em livro no final do ano passado “Emergentes”, (edição do autor, Patrocínio Gerdau, apoio PAC) quando decidiu  fotografar tensões sociais e ambientais em países qu vivem as mesmo tempo situações de extrema riqueza e pobreza. Entre pesquisa e as fotos em si, passaram-se três anos. 2008 foi praticamente passado viajando por seis países: Brasil, Argentina, China, Índia, México e Russia. Érico não é fotojornalista, mas um documentarista. Aliás os grandes documentaristas da história da fotografia não são fotojornalistas, são movidos por outras questões e outros olhares para fotografar. Érico é assim: movido por um interesse social, atual e contemporâneo, mas acima de tudo movido por sua curiosidade de conhecer. Ele decidiu vivenciar em primeira pessoa o que estava absorvendo teoricamente. Ou como ele mesmo diz em seu texto, belo texto, por sinal: “minha idéia era enfrentar as dificuldades que as pessoas enfrentam, ver em que condições trabalham, se locomovem ou moram e sentir nos meus pulmões o mesmo a poluído que respiram. Na prática, transformei-me em personagem do meu próprio documentário”. 

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E é dessa forma que ele fotografou e trouxe para nós as suas impressões de viagens. A edição das imagens nos livros é fundamental para isso, mesmo que em alguns instantes, ele tenha se deixado levar pelo clichê, pelas imagem mais fácil (muito por- do- sol para meu gosto). Mas faz parte. O importante é que a teoria ou a pesquisa não sobressai às imagens, ela é pano de fundo, o que torna a leitura das imagens agradável. 

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Érico nos mostra semelhanças, diferenças, transformações a partir do cotidiano das pessoas. Ele não define, não critica, não julga, nos abre a possibilidade de nossas inúmeras e abrangentes considerações sobre o que ele definiu “as ansiedades das nações”.

Vocês também podem acompanhar o desdobramentos da viagem do Érico Hiller em seu blog

Encontro de coletivos

Começa hoje, na galeria Olido, em São Paulo, o “Encontro de Coletivos Fotográficos Ibero-Americanos”, com curadoria geral de Claudi Carreras e em São Paulo de Iatã Cannabrava. Contemporaneamente poderemos ver a exposição “Labirinto de Miradas”  Eu me inscrevi e pretendo participar das discussões. Não poderei estar presente em todas devido aos horários. Mas estarei lá.

Enquanto isso vou pensar um pouco neste fenômeno mundial dos coletivos que em grande parte me lembra o fenômeno acontecido há mais de 20 anos, quando começaram a pipocar pelo mundo várias agências fotográficas. Ok. Eu sei. Os coletivos não são necessariamente agências fotográficas e, é claro, que o momento é outro. Mas as justificativas ou explicações para este fato parecem ser as mesmas: a necessidade de se organizar, de poder se inserir num mercado lotado e uma forma de vencer as grandes agências internacionais. No Brasil especificamente, estas discussões eram muito presentes no final dos anos 70 e inicio da década de 1980, com o surgimento de várias agências mais ligadas ao fotojornalismo.

 

Calles de san salvador. El Salvador, 1992.

Coletivo Pandora – Espanha

As preocupações sem dúvida são outras. A estética também. Acho engraçado que em muitos sites e blog tenho visto a explicação do que é um coletivo tirada dos dicionários e usada como introdução ao discurso. O melhor disso tudo é a possibilidade de falarmos de forma aprofundada sobre este assunto, ouvindo, repensando posições, reafirmando outras.  

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Coletivo ONGV – Venezuela

Outra questão que –acredito eu – será levantada nos debates é a da autoria. A linguagem digital e o tratamento de imagens como forma de pós-produção está na ordem do dia. O trabalho da equipe. Me pergunto, porém, se era diferente quando você passava às vezes dias ao lado do laboratorista discutindo a ampliação de uma imagem, os contrastes, os cortes, etc., etc., etc. Sempre considerei o laboratorista um co-autor, ou pelo menos, um grande parceiro.

Portanto nesta colocação da pós-produção (hoje tudo é pós) também não vejo novidade nenhuma: do quarto escuro, para o quarto claro.  Mas estas são firulas!

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Coletivo Mondafoto – México

A questão é que estamos diante ou atravessando uma transformação na visualidade. Sempre defendi a idéia de que o digital iria transformar nossa forma de trabalhar, e mais nossa percepção, nossa forma de ver. E pelo que parece ou se lê de trabalhos acadêmicos ou se ouve em discussões de mesa de bar (em geral bem mais divertidas e eficientes) é isso que está acontecendo. Em 2004, a filósofa Dominique Baqué em seu livro “Photographie Plasticienne, l’ éxtrême contemporain”, escreveu: “… que a fotografia por ser um meio de comunicação de massa, como já havia bem definido Walter Benjamin, vai se revelar como um dos mais importantes fatores da desconstrução do mito modernista”, ou seja, da preservação da obra de arte da contaminação da indústria mediática. Numa sociedade pós-moderna onde vivemos “a reprodução da reprodução”, conforme Roland Barthes, ou do “simulacro” se preferirmos Baudrillard, me parece claro que muitos conceitos deferiam ou acabaria por ser re-definidos ou re-significados.

O fenômeno dos coletivos é, portanto conceitualmente e não na sua forma uma questão da pós-modernidade.  Por isso este evento é fundamental. O legal disso tudo é que o coletivo multimídia Garapa (que, por sinal, faz um trabalho muito bom, inteligente e com postura) estará fazendo a cobertura diária do evento. Já vale a pena ler a entrevista que fizeram com Claudi que coloca de forma muito precisa o que será discutido nestes dias.

 

Eu já me inscrevi!

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José de Souza martisn, fotógrafo e poeta

livro1A Editora Edusp, dentro de sua coleção “Artistas da USP”, acaba de laçar livros com fotos e poesias do sociólogo José de Souza Martins. Textos e imagens, segundo as próprias palavras do professor, nasceram concomitantemente: “enquanto fotometrava, enquadrava e concebia a fotografia que pretendia fazer, as imagens imaginadas me expunham a sua fala contida, como se as coisas inertes alí na minha frente, ao desenharem formas e cores cambiantes, quisessem ser ouvidas. Outras vezes eram as pessoas invisíveis nos cenáreios vázios que me pediam a palavra ou que sussuravam no meu ouvido a cantilena de sua ilusória ausência. Pediam-me que traduzisse também em palavras seu conteúdo dissimulado ou sua presença invisível nas ruínas de um perecimento real e verdadeiro”.

São imagens feitas em Parabiacaba, numa antiga fábrica de São Caetano, as ruínas de uma outra indústria. Olhar de um sociólog que se interrroga, que registra como ele mesmo diz “os retratos do silêncio”.

Oba! Eles responderam!

No sábado escrevi que o primeiro passo do “Fotografia Rodante” já estava na estrada. Pena que choveu! Mesmo assim, já no final de semana, eles mandaram as primeiras notícias. Eu demorei para escrever o post, pois – para variar – estou fazendo mil coisas ao mesmo tempo. Mesmo assim vai agora, lembrando que eles têm um blog onde você poderá acompanhar passo a passo o que o ciM (centro independente da imagem) anda fazendo. Participem!!!!

Excelente!

Matéria hoje no jornal Folha de S. Paulo com a artista e fotógrafa Sophie Calle feita em Paris pela jornalista Gabriela Longman. Ela soube com suas perguntas trazer à tona muito desta artista que eu gosto muito. Como ela consegue, de forma não caricatural, trazer problemas existenciais e transformá-los em imagens. A entrevista mais parece uma bate-papo entre amigas. É isto que a faz interessante. Sophie estará presente na próxima Bienal aqui em São Paulo que inaugura agora em outubro. Pena que o trabalho que os curadores escolheram seja muito antigo (1981). Infelizmente Sophie não virá ao Brasil agora, mas no ano que vem estará por aqui: no segundo semestre ela vai passar por São Paulo, Rio e Salvador, apresentando um trabalho novo – pelo menos para nós: “Prenez Soin de Vous”! Em português: “Cuide-se!”, final da carta de um namorado que estava terminando a relação: uma instalação multimídia que ela mostrou na Bienal de Veneza no ano passado.

Sophie Calle vale a pena! E vale a pena ler a entrevista!

É hoje!

Começou o projeto “Fotografia Rodante” (leia aqui). Vamos ver o que Marcello Vitorino, Nilva Bianco, Nario Barbosa, Leonardo Colosso, Daniel Tossato e Celisa Beraldo vão nos contar. Muitos participaram com livros, revistas e máquinas fotográficas. Espero que os organizadores nos mandem algumas fotos para que possamos mostrar!

Sucesso ao grupo do CiiM- Centro Independente da Imagem!

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