Mega evento de Francesco Zizola no Brasil

Minha empresa “Arte em Foco”está trazendo para o Brasil um mega-evento envolvendo o premiado fotojornalista italiano Francesco Zizola, reconhecido internacionalmente e um dos membros fundadores da Noor Image.


Apresentamos a  trajetória deste fotojornalista nos seus 25 anos de carreira, trazendo  visões diversificadas sobre lugares, pessoas e paisagens que ele acompanhou, na maioria das vezes com a função de nos apresentar fatos que não poderíamos presenciar. Nem por isso, mesmo nas situações mais adversas, ele deixou de imprimir poética por meio de seu olhar crítico.O projeto é uma concepção curatorial de Simonetta Persichetti e Francesco Zizola e pretende anteceder o início do ano Itália no Brasil, que ocorrerá em 2011.

Serão apresentadas três exposições diferentes, porém simultâneas, em três galerias do Brasil: Recife (Modos de Olhar), São Paulo (Linha de Frente) e Rio de Janeiro (Onda Carioca).

Mas a idéia não apenas mostrar imagens, mas trazer todo um trabalho curatorial que vai envolver workshops e lançamentos de livros.

Abaixo você pode acompanhar a programação:

Exposições:

Dia 20 de outubro – Recife – Modos de olhar – ARTE PLURAL GALERIA

Dia 21 de outubro – São Paulo – Linha de Frente – TERRITÓRIO DA FOTO

Dia 29 de outubro – Rio de Janeiro – Onda Carioca – ATELIÊ DA IMAGEM

No dia da abertura de cada  exposição Hélio Campos Mello, da revista Brasileiros, entrevistará Francesco Zizola.

ATIVIDADES COMPLEMENTARES

Workshops

Recife:

Dias 15 e 16 de outubro. Informações:

arteplural@artepluralgaleria.com.br

São Paulo:

Dias 22 e 23 de outubro. Informações:

atendimento@territoriodafoto.com.br

Rio de Janeiro:

Dias 27 e 28 de outubro. Informações:

info@ateliedaimagem.com.br

NOITE DE AUTÓGRAFOS

Dia 25/10 – Fnac/Pinheiros – São Paulo – 19 h.

Praça Omaguás, 34

Dia 26/10 – Barra Shopping – Rio – 19 h.

Av. das Américas, 4666 – Barra da Tijuca                      A

Contamos para a realização do projeto com a ajuda de vários interessados na fotografia:

Ipsis, Gráfica e Editora que patrocinou a publicação do catálogo

Fnac Brasil, que importou o livro “Born Somewhere”,

Institutos Italianos de Cultura Rio de Janeiro e São Paulo que possibilitaram a vinda de  Francesco Zizola ao Brasil,

10b Phtotography, responsável pelo tratamento e impressão das fotografias.

Brasileiros por sua ajuda na curadoria e divulgação do projeto.

Uma questão de Imagem

É fato que a fotografia é uma das formas de expressão que estão mais em evidência no século 21. Não poderia ser diferente na Bienal de São Paulo, na qual ela aparece nas mais variadas estéticas. Desde fotógrafos artistas que se apropriam da fotografia, até profissionais com forte ligação com o registro documental, mas sem por isso esquecerem a poética da construção de um discurso usando a metáfora imagética.

Foto: Guy Velloso

Toda arte é de alguma forma dependente do contexto sócio-histórico no qual ela foi criada. E apresenta maneiras como a sociedade gosta de ser representada. Numa época em que a “manipulação” é cada vez mais presente, a fotografia que – de alguma forma – permanece ligada ao real nos traz desconstruções perceptivas e nos apresenta novos códigos visuais. Dos já conhecidos trabalhos de Rochelle Costi ou Rosângela Rennó, nesta Bienal se faz presente com força a criação africana pelas imagens trazidas por David Goldblatt, Otobong Nkanga, Moshekwa Langa Kamora, Zanele Muholi. Destaque também para o brasileiro Guy Veloso e o colombiano Miguel Angel Rojas.

O americano Allan Sekula que, além de fotógrafo, também é crítico e autor de vários livros sobre o assunto, tem discutido em suas imagens o papel da arte no nosso mundo contemporâneo. Uma imagem difícil de ser interpretada à primeira vista, mas que apresenta uma iconografia que ao mesmo tempo em que refuta ser consumida pelo mercado da arte, mantendo uma ligação extremamente forte com o real, está presente nas principais galerias do mundo. Suas obras têm força política, explorando de forma poética assuntos muitas vezes só abordados pela fotografia jornalística.

Numa outra corrente, bem mais antiga, podemos encontrar o fotógrafo David Goldblatt, que começou a registrar a sua terra natal, a África do Sul, nos anos 1940. Fotojornalista, queria chamar a atenção para os problemas locais, em especial, óbvio, o apartheid. Ironicamente, suas imagens não foram aceitas nem pelos jornais e muito menos pelas galerias de arte.

Ele não desistiu nem se curvou a modismos ou a pedidos de galerias e galeristas. Trilhou seu caminho documental e obedeceu a sua vontade de usar a fotografia para contar as histórias sul-africanas. Há muito pouco tempo, as suas imagens passaram a fazer parte do circuito internacional como uma representação poética, mas dura, das transformações de seu país. Para ficarmos ainda na África, na Bienal poderemos ver as mágicas fotografias de Otobong Nkanga, nigeriano que trabalha com várias formas de expressão, como desenho, escultura e fotografia. Procura entender na construção de suas imagens o cotidiano que o cerca.

África e Brasil. Destaque também para Moshekwa Langa, que já participou da Bienal de 2002. Sul-africano, atualmente morando na Holanda, em sua produção discute a globalização com forte cunho político, assim como a conterrânea Zanel Muholi. E há ainda o colombiano Miguel Angel Rojas, que trata de temas relacionados à cultura marginal, política e social.

Do Brasil, convém ressaltar o paraense Guy Veloso, que apresenta as suas fotografias de fé. Não uma fé dogmática ou sistemática, mas a que transparece em imagens surreais e fascinam pelo desconforto que nos causam. De toda forma, quanto mais se discute o papel da fotografia no mercado da arte, mais ela se afirma e se fixa em sua função documental.

Maureen Bissiliat expõe Alma Preta em Paraty

São 30 fotografias que compõem um painel, como se fosse um mosaico. Assim é  Pele Preta” um recorte, ou talvez, melhor dizendo, um capítulo da exposição “Maureen Bissiliat Fotógrafias”, organizada pelo Instituto Moreira Salles, que abriu no começo do ano em Sáo Paulo, seguindo depois para o Rio de Janeiro. A escolha destas imagens foi feita pela própria fotógrafa, cujo acervo de mais de 16 mil imagens foi incorporado ao acervo do Instituto Moreira Salles em 2003.

Curiosamente, este é um dos primeiros ensaios feitos por Maureen, e um dos primeiros que ela trouxe a público em 1966 no Museu de Arte Moderna de Sáo Paulo. Retratos de personagens aparentemente anônimos, mas que crescem e se impõem por meio de seus olhares, mas especialmente por meio do olhar de Maureeen. Mas a novidade daquele trabalho, naquela época, estava  na estética que ela conseguiu criar, no domínio absoluto do chiaro/escuro. Técnicas que possivelmente, que ela, nascida na Inglaterra, desenvolveu durante seus estudos com o pintor André Lothe em Paris, em 1955 ou no Art Students League em Nova York (1957), antes de se fixar definitivamente com a família no Brasil

Apresentava-se ali o início de sua trajetória como fotógrafa que inspiraria muitos fotógrafos documentaristas brasileiros, que embora tendo como referência a “realidade” sempre a registraram com uma poética diferenciada.

Nas fotografias de Maureen  transparece a busca pela cultura brasileira. Uma forma de entender, uma maneira de mostrar. Talvez por isso seu apego á literatura. Mas não só. Maureen Bisilliat, muito antes da palavra se tornar moda, já era uma artista multimídia. Há mais de vinte anos trabalha com vídeo, com textos, monta recorta, reapresenta seu acervo.

Inquieta, sempre um busca de novos desafios. Nesta edição do Paraty ela traz algo inédito que será mostrado durante a palestra na noite desta quinta-feira, dia 16: “não gosto de ficar só falando e projetar meus trabalhos não faz muito sentido para mim”, conta por telefone Maureen, “durante a exposição em Sáo Paulo, junto com o fotógrafo e cineastas, Lucio Kodato, filmamos a exposição em filme 35mm”. Para tanto usaram um grua para sobrevoar as várias salas da mostra: “o filme é curto, apenas 8 minutos, mas é como se o espectador estivesse fazendo uma viagem fluvial, deslizando pela mostra”.

Náo surpreende Maureen ter feito um filme sobre sua mostra. Ao olharmos seus ensaios, suas reportagens, percebemos sempre a necessidade de pensar em sequência, um pensamento fílmico: “gosto  de trabalhar com equipe, de juntar saberes, de vários conhecimentos que contribuem para formular uma obra, gosto quando uma imagem se alia á escrita.”

Interessada em discutir e pensar a fotografia contemporânea, Maureen espera neste encontro de Paraty poder ouvir e falar sobre a nova forma de entender a fotografia: “quando comecei  a fotografia falava por si, agora ela fala através de um autor”. Este discurso sobre o fazer imagético é que a impulsiona a produzir mais.

Cidades vistas do alto, como maquetes

Olivio Barbieri queria ser cineasta.  Estudou pedagogia e comunicação e acabou se tornando fotógrafo. Inicialmente,  na década de 1970, se interessa mais pela fotografia antropológica, mas em seguida passa a fotografar arquitetura, meio ambiente e relação do homem com a cidade experimentando sempre diversas técnicas fotográficas.  A partir de 1978 começa a expor no mundo todo , participou três vezes da Bienal de Veneza e é considerado um dos expoentes da fotografia contemporânea italiana. Depois dos ataques do 11 de setembro iniciou uma série chamada Site Specific onde fotografou do alto várias cidades do mundo usando uma lente de foco seletivo (tilt-shift) que faz com que as cidades pareçam cenários de brinquedo. Olivo Barbieri vem ao Paraty em Foco falar deste seu trabalho. De Milão onde vive falou ao Estado por telefone.

O que irá apresentar aqui no Paraty em Foco?

Especificamente vou projetar minha série Site Specific que realizei em várias partes do mundo. É um projeto que iniciei em 2003 e continua até hoje. São vistas aéreas de várias cidades fotografadas com uma lente a foco seletivo que dá impressão de maquetes.

Esta série começou após os atentados de 11 de setembro. Por quê? No que o atentado lhe inspirou a fazer este trabalho.

Depois do atentado parece que todos os aviões ou “objetos voadores” passaram a ser vistos muitas vezes como uma ameaça. Tentei entender o que estava acontecendo e procurei registrar o mundo do alto a partir do ponto de vista do próprio objeto voador…

O fato de usar esta tecnologia, esta lente que transforma o que se fotografa em miniaturas que parecem brinquedos. Efeito este que é usado até pela publicidade, não leva ao risco de banalizar o trabalho. Ou seja, o efeito, o truque tecnológico se torna mais importante que o conceito

Isso é verdade. Corre-se este risco onde o efeito se torna mais importante.  Mas isso vale também para pintura. Você tem razão e agora, embora continue fotografando do alto estou mudando minha estética e a forma de fazer este registro.

Você queira ser cineasta, mas não foi atraído pelo fato do trabalho em equipe e afirmou em várias entrevista que prefere a solidão do trabalho de um fotógrafo. Por que é importante trabalhar sozinho?

Para mim é uma forma de liberdade, assim como a escrita.  Para ser escritor, em tese, basta uma caneta e um pedaço de papel. A fotografia te oferece as mesmas possibilidades. Você sai por aí com sua câmera e vai escolhendo o que fotografar e como fotografar. Como você bem disse, no início estava muito interessado pelo cinema e ainda gosto. Me assustava, porém a idéia de ter que interagir com várias pessoas.. Além disso, os tempos do cinema são muito longos, a fotografia é mais imediata.

Mas seu trabalho para ser realizado requer uma equipe e suas imagens relembram cenários construídos, assim como no cinema…

É verdade neste caso a produção é muito próxima do cinema e neste projeto também filmei muita coisa. As duas formas de linguagens continuam juntas. Ainda mais hoje em dia com as câmaras fotográficas que filmam com grande qualidade.

Fotografar e filmar são dois processos bastante diferentes entre si, embora nas câmaras estejam interligados. Vamos deixar de ser fotógrafos e virar cineastas?

Este é um risco que corremos. Fotografia e cinema hoje são feitos até com o uso de celulares. Praticamente hoje todos somos cineastas e fotógrafos. Mas isso não significa nada. Somos alfabetizados, mas não por isso somos escritores.  De qualquer forma a qualidade fotográfica tem diminuído muito.

Você costuma citar uma frase do fotógrafo norte-americano Man Ray :”fotógrafo o que não consigo pintar, pinto o que não posso fotografar”. Como vê hoje a fotografia contemporânea cada vez mais inserida em galerias e no mercado de arte internacional e muitas vezes negando ser fotografia e tentando ser pintura?

Hoje a fotografia virou “moda”. Todos se interessam pela fotografia, os museus as galerias e arte. Obviamente acabam por entrar em circulação projetos ou produtos nem sempre interessantes.  E como disse antes a tecnologia favoreceu muito este interesse e a produção de coisas não tão boas.  Parece que não existe mais um controle de qualidade. Podemos até dizer que este é um processo mais democrático e come menos filtros de pessoas que dizem o que devemos ou não ver. Mas quando falamos de arte, é claro que tivemos uma decadência. Até porque a fotografia é pouco ensinada nas escolas e nas faculdades, portanto falta esta cultura.

“Utilizo a fotografia para me aproximar da pintura

George Rousse abandonou a faculdade de Medicina para se dedicar à fotografia. Suas influências passam por profissionais como Ansel Adams, Edward Steichen e Alfred Stieglitz – fotógrafos formalistas, bem centrados no fazer fotográfico, clássicos. Mesmo assim, Rousse, nascido em Paris, em 1947, quebrou todas as regras de seus mestres e desde os anos 1980 inclui na sua construção imagética o desenho, a pintura o jogo óptico. Ele trabalha com intervenções urbanas em lugares abandonados, onde se apropria do espaço criando uma nova função que se perpetua na fotografia. Sim, a intervenção só existe na sua fotografia por meio de jogos ópticos e de luzes que causam estranhamento ao olhar. São imagens que se colocam dentro da experimentação contemporânea, dentro da pluralidade da criação e deixam evidente que toda fotografia é resultado de uma construção. Cada época tem sua representação. George Rousse é filho de seu tempo, um tempo que começa a questionar o conceito da imagem. Ele vem ao Brasil participar da 6ª edição do Paraty em Foco e esta não é sua primeira vez no País. Desde 2006 ele tem participado de exposições por aqui. De Paris, onde trabalha e vive, Rousse falou por telefone com o Estado.

Por que a escolha de espaços vazios e abandonados para suas intervenções?

Na base existe um protesto contra uma sociedade capaz de destruir aquilo que construiu, simplesmente por questões econômicas. Mas num segundo momento, o que me interessa é reviver esse espaço que foi abandonado no sentido de lhe dar novas funções e minha intervenção é transformar essa construção em uma obra de arte.

Se a intervenção já é uma expressão artística, por que a necessidade da fotografia?

Não, a obra é a fotografia. Ela é capaz de memorizar o lugar e o trabalho que realizo. É um jogo óptico que só existe quando eu me aproprio e fotografo. A obra só se realiza por meio da fotografia, não existe sem ela.

Você fotografa e em seguida faz intervenções digitais na imagem ou literalmente ocupa o espaço com seus desenhos?

Não, não trabalho com projeções digitais. Pesquiso, seleciono e fotografo locais abandonados. Em seguida desenho a intervenção que, acredito, vai combinar com o espaço e construo uma maquete lá no lugar. Crio uma forma que o que você vê na imagem é um momento único, só pode ser vista de ângulo específico, capaz de ser capturado pela lente fotográfica. Trabalho no chão, nas paredes e organizo tudo a partir da óptica fotográfica. Crio uma ideia de tridimensionalidade a partir da bidimensionalidade. Mas tudo depende do aparelho fotográfico. É isso que me interessa, a foto final.

Você fará uma intervenção em Paraty. Como será o processo?

Em Paraty será diferente. O pessoal da organização me enviou fotos de um mercado local. Neste momento estou trabalhando exatamente nesse projeto, desenhando a intervenção. Gosto de eu mesmo fotografar o lugar, mas desta vez não foi possível. Então, agora é um desafio: preciso imaginar como transformar o local que ainda não vi pessoalmente.

Há muito você trabalha na pluralidade fotográfica, entrando no mercado da arte. Hoje temos fotógrafos tentando fazer arte e artistas se apropriando da fotografia. Como vê esse movimento?

Sou favorável a todas as ações fotográficas. Minha visão é clássica, mas usei a fotografia para me aproximar da pintura. Foi assim que cheguei às intervenções, trabalhando ao mesmo tempo fotografia e pintura. Ainda assim acredito que o resultado de meu trabalho é fotográfico.

Pode-se dizer que seu trabalho se assemelha à arte pré-histórica ou a um grafite?

Com certeza, acho que parte do meu trabalho pode ser definido como arqueologia, arqueologia de uma sociedade atual. E procuro, apesar de tudo, registrar a presença humana nesses lugares, deixar marcas de ocupação.

Ao mesmo tempo você brinca com a ilusão…

Não brinco com a ilusão, uso recursos fotográficos. A fotografia como objeto é bidimensional, mas o espaço que fotografo é tridimensional. Procuro trazer essa sensação usando a fotografia. Em geral, esses locais não são abertos ao público, não podem ser visitados. Na verdade, eu os torno visíveis. É isso!

Radiografia do Planeta Terra

foto: Francesco Zizola: integrante do Noor Image

Inventários da Terra é o tema central desta 6.ª edição do Paraty em Foco, que ocorre de 15 a 19 de setembro. O festival tem-se firmado como um dos mais importantes do País e a cada ano se aprofunda na reflexão do papel da fotografia na sociedade contemporânea, discutindo de que forma estamos retratando ou interpretando nosso planeta, que imagens estamos criando. Sua função plural – assim como também é o festival – será discutida nas exposições, palestras e workshops durante os cinco dias na cidade fluminense de Paraty.

Este ano a ênfase é nos jovens expoentes, como o argentino Alejandro Chaskielberg, mas sem deixar de criar um paralelo com artistas que há mais de 20 anos já discutem em suas obras o papel da imagem e sua ressignificação na atualidade. É o caso de fotógrafos como o francês George Rousse ou do italiano Olivo Barbieri , que fazem da arquitetura da cidade seu tema de interesse, criando jogos e brincadeiras ópticas que nos levam a indagar a criação imagética. O paradoxo desses trabalhos é a ênfase na arte tecnológica, onde o “truque” fica às vezes mais interessante do que o conteúdo.

Coletivos. É o uso e abuso dos recursos técnicos que, por outro lado, são inerentes à linguagem fotográfica. Mas não só. Da Holanda chega a agência fotográfica Noor, que traz a exposição Consequence, apresentando sob o ponto de vista dos nove fotógrafos afiliados o impacto e as consequências da ação humana sobre o planeta. A exposição foi exibida oficialmente no fim do ano passado em Copenhague. Outro coletivo que também se apresenta é o português Kameraphoto: “Conhecemos muito pouco da fotografia portuguesa, e esta é uma forma de nos reaproximarmos de Portugal”, comenta por telefone Iatã Cannabrava, coordenador de programação do Festival.

Serão dez mostras nacionais e internacionais, 20 workshops, 14 entrevistas ao vivo, mais noites de projeções e leilão de fotos. Uma exposição de fotos de Maureen Bisilliat também está prevista para a Galeria Zoom. O Brasil está presente ainda nos trabalhos de Bob Wolfenson, Anderson Schneider (DF), Jonne Roriz (SP), Francilins (MG), Rubens Mano (SP), André Vieira (RJ) e Cris Bierrenbach (SP).

O diferencial deste ano é a apropriação de espaços públicos pelos artistas: “Paraty não possui muitos locais para exposições. Criamos, então, a oportunidade de quatro espaços públicos serem ocupados por artistas, abrindo assim uma forma alternativa de mostrar a fotografia na cidade”, comenta Iatã. Coincidentemente, num momento em que se produz muito, se vê pouco e se fala menos ainda, os workshops que discutem o papel da fotografia, fotografia-arte, edição e curadoria são os que já estão esgotados. A programação do Festival poderá ser acompanhada diretamente no site do Paraty Em Foco: http://www.paratyemfoco.com.

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