Fotografia Brasileira se une, se fortalece e se torna realmente nacional

Neste último final de semana, 120 produtores culturais da fotografia brasileira se reuniram em Brasília no intuíto de discutir entre si  e com o Minc idéias e projetos que possam criar uma rede do fazer fotográfico brasileiros. Foram 9 os grupos de trabalhos criados: 

GT1 – Políticas públicas para fomento, pesquisa e difusão da fotografia

GT2 – Meios de difusão e canais de comunicação

GT3 – Ensino da fotografia: instituições de ensino e cursos livres

GT4 – Relações internacionais

GT5 – Formato da Rede

GT6A – Direito autoral e direito de imagem

GT6B – A questão fiscal

GT7 – Memória da produção contemporânea

GT8 – Modelos de gestão de rede, encontros e festivais

GT9 – Projetos socioculturais

Foi um sucesso que culminou na manhã de domingo com palestra do próprio ministro da cultura Juca Ferreira. Infelizmente eu não pude estar presente. Por isso deixo a quem esteve a narrativa do que aconteceu.

Vocês podem seguir diretamente no blog do Clício Barroso: um dos pilares desta idéia junto com Iatã Cannabrava.

Os textos vocês lêem aqui, aqui, aqui e aqui

As fotos podem ser vistas aqui.

Um show de imagens

Abre amanhã,  em São Paulo, no Território da Foto, a exposição “Cruzamentos uma coleção de fotografias”. São trabalhos de 19 fotógrafos internacionais reunidos pela curadora norte-americana Deanna Richardson em 2009 na galeria virtual Ilex.

A galeria tem como proposta difundir grandes nomes da fotografia. Inicialmente as fotografias foram expostas em Roma, Milão e Siena e agora, por meio da também curadora Claudia Buzzetti, chegam ao Brasil. Em maio as fotos foram apresentadas no Rio de Janeiro,  agora é a vez de São Paulo e a partir do dia 10 de junho poderão ser vistas na Arte Plural Galeria em Recife. São fotos de Pepe Bonet (Espanha), Francesco Zizola (Itália), Munem Wasif (Afeganistão), Maya Goded (México), Yuri Kozyirev (Russia), só para citar alguns exemplos. Uma possibilidade de apreciar a fotografia que cada vez mais se impõe no mercado da arte.

 Durante a abertura da exposição “Cruzamentos” no Território da Foto no dia 20 de maio 2010 quinta-feira as 19h, haverá a projeção em anteprima para o público paulistano do video 15minutesEXHIBITION, projeto fruto da parceria entre o Ateliê da Imagem (espaço cultural e educacional que é uma importante referência institucional em fotografia e mídia visual no Brasil) e o ArtSalon (salon virtual especializado em fotografia). 15 MINUTES é uma exposição em vídeo produzida com fotografias que integram a obra de 47 artistas brasileiros e estrangeiros, com nomes como Vik Muniz, Rosangela Rennó, Luiz Braga e Walter Firmo, e renomados fotógrafos estrangeiros como Lorenzo Castore, Adou e Alberto Garcia-Alix. O projeto conta com a direção da italiana Claudia Buzzetti, pesquisadora e crítica de fotografia, trilha sonora produzida pelo DJ Nado Leal e edição de Renato Vallone.

Território da Foto: 20 de maio, às 19h, na Rua Mateus Grou, 580. Pinheiros.

Os varios tempos da fotografia

Segunda-feira, dia 17 de maio, tive a felicidade de participar de um bate papo sobre imagem, fotografia, visualidade, articidade, junto com o artista plástico Sergio Fingermann, o fotógrafo Marcelo Greco e uma platéia (com acento ou sem?) de mais ou menos 40 pessoas no Espaço Contraponto, na Vila Madalena.

O mote foi a exposição do Marcelo ” Tempos Misturados”. Um trabalho interessante, coeso que mostra um olhar fotográfico e uma busca imagética, do fazer, da construção da fotografia por parte do Marcelo. Um trabalho que supreende – no que esta palavra tem de bom – pela poética e pela forma, podemos dizer até despudorada como  as imagens se oferecem a quem tem interesse em olhar.

Durante duas horas e meia ficamos conversando, pensando a imagem. Tentando compreender seu papel neste momento, sem deixar de lado as críticas à superficialidade ruim com a qual hoje se apresentam trabalhos, muito em torno da área de eventos muito mais do que na área do afeto artístico.

A delicadeza com a qula Sérgio aborda a questão de articidade, de visualidade é emocionante. Coloca o artista  – em sentido lato – como um ser político e ético. Discutimos também o processo de construção de imagens, o momento no qual o artista sente que encontrou o caminho. Sérgio definiu muito bem: “fujam das armadilhas dos afetos e desconfiem daquilo que gostam”!.

Um papo como há muito não precensiava. Um bela noite, que pelo menos a mi, me encheu de vontades, de propostas e me vez pensar e repensaro que faz a imagem.

A exposiçaõ do Marcelo Greco vai até 5 de junho. Vale a pena ver.

O Espaço Contraponto fica na Rua Medeiros de Albuquerque, 55 – Vila Madalena.

Nas redondezas do perigo estão as melhores imagens

Autor de uma das mais marcantes imagens do século 20, participa de workshop e palestra na cidade

Simonetta Persichetti, especial para O Estado

Steve McCyrry

Steve McCyrry

Foto da menina afegã Sharbat Gula, que foi capa da ‘national Geografic’ – um clássico de Curry

SÃO PAULO – Esperar o momento certo para fotografar. Não ter pressa e ao mesmo tempo agir de forma certeira. Parece ser esta a tônica do fotógrafo Steve McCurry, que virá a São Paulo a convite do SP Photo Fest e da revista Fotografe Melhor para workshop e palestra no Museu da Imagem e do Som (MIS), entre os dias 20 e 23 de maio. Também está prevista, a exposição Desassossego da Cor no dia 25 na Galeria Babel. A exposição tem curadoria de Eder Chiodetto e de Jully Fernandes.

McCurry que já esteve presente nos maiores conflitos do mundo tornou-se conhecido nos anos 1980 ao fotografar uma menina afegã, Sharbat Gula. Os olhos verdes que nos fixavam diretamente fizeram a volta ao mundo na capa da National Geographic.

Mas suas fotos também nos trazem os conflitos de lugares como o Iraque, da ex-Iugoslávia, do Líbano e, é claro do Afeganistão. E foi no próprio Afeganistão que sua carreira de fotojornalista passou a ser reconhecida. Vestido com roupas locais, atravessou a fronteira com o Paquistão logo após a invasão soviética no final de 1979. Publicou as primeiras imagens do conflito. Também andou pela Índia, onde aprendeu, segundo ele, a ver e esperar, Tibete, Burma e fotografando os templos de Angkor Wat, assim como o ataque às Torres Gêmeas, nos Estados Unidos em 2001.

Seu trabalho está inserido dentro da mais tradicional escola do fotodocumentarismo. Uma fotografia humanista que se aproxima do sujeito fotografado com o respeito e com vontade de narrar histórias. Cada imagem é uma imagem que se sustenta por si própria, mas que consegue crescer quando editada ao lado de outras criando uma narrativa jornalística. Usa a cor como forma de linguagem, de poética. Um trabalho delicado, mas não por isso menos eficiente e contundente. De sua casa nos Estados Unidos, ele concedeu entrevista exclusiva por e-mail para o Estado.

Quase todos os fotojornalistas que fazem coberturas de guerra não gostam de se definir como fotógrafos de guerra. O senhor também não gosta. Por quê? E por que, então, estão sempre em áreas de conflito?

Eu sou um fotógrafo documentarista. Quero contar histórias com as minhas fotografias. Nos últimos 30 anos andei pelo mundo todo fotografando momentos cruciais de vários países como a Afeganistão, Líbano, Camboja, Índia e Tibete. Algumas pessoas são simplesmente levadas para a linha de frente por sua história particular. Querem ser testemunhas daquelas situações, ver por si próprias em primeira mão. É difícil de explicar, mas de certa forma esta motivação faz parte do DNA. Enquanto algumas pessoas fogem das cenas, outros estão indo ao seu encontro. Como fotógrafo documental me sinto compelido a contar estas histórias. Em muitos casos, as pessoas que você está fotografando não são capazes de contar sua própria história e, informar o mundo por meio dos jornais, revistas, rádio e televisão, é a melhor chance que elas têm de obter visibilidade e ajuda. Creio que cobrir áreas em conflito é importante. O drama humano destes lugares não pode ser subestimado e eu creio que conseguir transmitir estas emoções por meio de fotografias seja nobre. Fotógrafos querem estar perto do perigo porque é lá que as imagens estão.

Imagem feita no Tibete: para Steve McCurry, é preciso esperar o momento certo para fotografar

Depois de tantos anos registrando conflitos, como o senhor vê a humanidade?

Desempenhamos papéis diferentes, mas somos parte da mesma raça humana. Somos iguais, mas fazemos coisas diferentes. Comemos comidas diferentes, vivemos em casas diferentes, falamos diversos idiomas. Sinto curiosidade e empatia pelo ser humano e cada criatura viva é fundamental para minha fotografia. Humanidade e preocupação com a vida neste planeta é o que me guia para conhecer pessoas e culturas.

 

Impossível não perguntar sobre a menina afegã, Sharbat Gula, que o senhor fotografou em 1984. Esta sua imagem, é talvez, um dos grandes ícones fotográficos do século 20. Por que decidiu procurá-la 20 anos depois?

A imagem desta menina foi reconhecida no mundo inteiro. Recebi várias cartas e e-mails até que decidi tentar encontrá-la. Muitos queriam conhecer sua história. Quando a achamos foram feitos vários testes científicos que comprovassem que era realmente ela. Mas nós não tínhamos dúvidas. O documentário que fizemos para encontrá-la teve um impacto muito forte em minha vida. Mas o melhor da história foi o fato de sermos capazes de reencontrá-la, ajudá-la e fazer sua vida melhor.

 

Qual a função do fotojornalismo para o senhor?

Gosto de homenagear pessoas, lugares e culturas por meio das minhas imagens. Também gosto de contar as histórias desses personagens com a minha fotografia – especialmente daqueles que mostrei em áreas de conflitos. Acho que esse é um aspecto importante do fotojornalismo – mostrar pessoas, o que está acontecendo.

Fazer uma reportagem fotográfica para um jornal diário ou revista semanal de informação é diferente de fotografar para uma revista como a National Geographic. Como é isso?

Fotografar para os jornais é bom porque te ensina muito sobre jornalismo e deadlines, sobre histórias e fotografia. O único senão é que existe um certo tipo de edição, que privilegia o impacto. Isso acaba por diminuir o mistério e a incerteza que muitas vezes é tão maravilhoso na fotografia: ser capaz de interpretar, cada um a sua maneira, o sentido de uma imagem. Raramente este tipo de ambiguidade tem espaço no mundo do jornalismo.

 

Existe mesmo um excesso de imagens no mundo hoje em dia? Como saber se a eficiência da imagem continua? Como manter a credibilidade de uma matéria?

A única tática que eu tenho é ser respeitoso, aberto, e ter consideração com as pessoas que eu fotografo. Não me canso de afirmar o quão importante é demonstrar respeito e delicadeza para com todas as pessoas. Problemas no mundo acontecem quando nos sentimos desrespeitados, não vistos e colocados de lado.

Quais suas expectativas para esse encontro aqui em São Paulo?

Espero aprender e trabalhar com fotógrafos e estudantes e também espero ter ótimas discussões durante a palestra. E também espero, como já te disse acima, fazer um belo ensaio explorando novos lugares de São Paulo e do Brasil.

Palestra

Quando: 20 de Maio (Quinta-Feira)

Onde: MIS. Auditório (170 Pessoas). Av. Europa, 158, 2117 4777. Quando: 20 de maio, 19h30. Quanto: grátis – Ingressos distribuídos 1h antes da palestra

 

Exposição Desassossego da Cor

Onde: Galeria Babel. Rua Dr. Virgilio de Carvalho Pinto, 422, Pinheiros.

Quando: 25 de maio, 18 horas.

Quanto: Grátis

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