Fotografia brasileira na Brasileiros

fnac (2)

A revista Brasileiros de outubro (sim, ela ainda está nas bancas) abre 22 páginas para falar de fotografia. Sem dúvida, fiquei orgulhosa em ver que ela abriu espaço para o projeto Encontros com a Fotografia”, da Fnac,

urban (2)

mas também traz duas belas entrevistas: uma com o João Urban, fotógrafo documental de Curitiba e outra com a Claudia Andujar . Bom para a fotografia!

Claudia Andujar (2)

 

A arte de ver além do olhar

É esta a frase que aparece no site do Ateliê da Imagem que comemora dez anos e  que se tornou referência no Rio de Janeiro quando pensamos em fotografia, em estudar imagem e em refletir seu papel na sociedade contemporânea. Desde 1999 o ateliê tem sido fiel à frase que o apresenta.  Por isso, não poderia ser de outra forma a comemoração: de segunda-feira dia 26 até quinta dia 29, no cine Glória, vai se realizar o 1º Fórum de Imagens Técnicas: “Máquinas de Luz”, (veja programação completa aqui). 

logo_peq (3)

 

O projeto propõe discutir a cena atual e trará como convidados Cao Guimarães, Maria Iovino (Colômbia), Maurício Dias, Eduardo Brandão, Ivana Bentes, Muti Randolph, Maria Helena Franco Ferraz, Walter Carvalho, Daniela Labra, Claudia Buzzetti (Itália), Sergio Cohn, Frederico Coelho, Cezar Migliorin, Paola Barreto, Claudia Linhares Sanz e Pio Figueiroa/Cia de Foto. A idéia é um mergulho no mundo das imagens tecnológicas. Encontros, debates, projeções (que iniciaram na última sexta – leia aqui) e até uma oficina de sensibilização e criatividade fotógráfica para crianças e adolescentes. Um evento importante que se junta as mais variadas reflexões sobre a imagem no país todo por meio dos festivais e encontros de fotografia.

Sol em Escorpião!

A todos que, como eu, são do signo de escorpião:

Comemore a vinda do Sol ao seu signo, que traz calor e carisma para você! Por algumas semanas, o bom é ser espontâneo, dar à luz a intuição, a criatividade e a beleza original de seu ser. Ambição e foco no sucesso e na aquisição de resultados são motivadores e estimulantes.

Horóscopo hoje da Barbara Abramo na Folha de S.Paulo.

15 Minutes Exibition

7020_156264709226_579189226_2830562_4671967_n

Imperdível – para quem está no Rio de Janeiro – hoje a apresentação do 15 Minutes Exibition, uma projeção em vídeo organizada pelo Art Salon, capitaneado pela competente Claudia Buzzetti, pesquisadora e critica de fotografia e, pelo Ateliê da Imagem, comandado por Patricia Gouvêa e que está comemorando 10 anos (veja texto amanhã). O vídeo montado com fotografias de 47 artistas brasileiros e internacionais teve sua estréia no último Paraty Em Foco e agora, depois de sua apresentação no Rio de Janeiro, será levado em dezembropara Nova York, e para várias cidades brasileiras, a partir do ano que vem. A selação das imagens e a curadoria do projeto é da Claudia que explica suas escolhas: “voltei-me para a criação de uma linha estética que buscasse respeitar a mensagem de cada autor e, ao  mesmo tempo, inventasse um diálogo e uma continuidade visual de uma série até a outra. Isso foi possível também graças a linguagem do vídeo: as fotografias foram temperadas com  técnicas e efeitos visuais que normalmente são usados apenas na edição de filmes”.

O resultado é muito bom! Vale a pena!

Duda Rosa convida

EncontroArtPhoto

ConviteExpoArtPhoto (3)

Mais um belo texto de José de Souza Martins, desta vez com suas fotografias

A imparcialidade das chamas, em imagens e palavras
José de Souza Martins,
O Estado de S. Paulo, 18/10/09

Pobreza não sensibilizou o fogo, que acabou por devorar as magras posses dos favelados

Percorri os escombros da favela incendiada, no Jaguaré, no dia seguinte. Num canto ainda saía fumaça da madeira caída. O fogo comeu os barracos por cima até chegar ao chão, que, molhado pela água dos bombeiros, reteve muita coisa chamuscada ou parcialmente queimada. Roupas coloridas pareciam confete sobre o solo negro. Quase 350 famílias ficaram sem nada.

imageA frase interrompida pelo fogo em uma página de fascículo da Secretaria da Educação diz que é texto sobre “os direitos da criança”. Outra página, queimada pelas bordas e retorcida, propõe “questões de compreensão” no que sobrou: “Ao conjunto de pessoas que habitam determinado lugar é dado o nome de população. Existem, por exemplo, a população mundial, a população brasileira, etc. A quais populações você pertence?” A criança dona do caderno não teve tempo de responder que pertencia à população da favela Diogo Pires, São Paulo, Brasil, nem poderá fazê-lo, pois a favela não existe mais.

Em diferentes pontos do terreno recoberto de cinza e carvão, talheres, especialmente garfos, estão espalhados ao redor de determinados pontos, ao lado de canecas partidas de porcelana e pratos cheios com uma sopa de carvão. Ali existiram as mesas improvisadas do pão nosso de cada dia. Em vários pontos o calor estourou saquinhos de plástico com alimentos: aqui, um pacote de arroz Piccinin; ali, um pacote de feijão Prato Bom; acolá, um pacote de arroz Pateko; mais adiante, um pacote de macarrão Renata, “com ovos”, esclarece o invólucro. Num outro ponto, salsichas e cabeças de alho transformadas em carvão estão espalhadas pelo chão.

imageNa direção da Rua Diogo Pires, um barraco ficou parcialmente de pé. Num cômodo que era quarto e cozinha, um tabique divide duas imaginárias metades, construído com restos de uma placa de posto de gasolina. Servia como privada e banheiro. Aparentemente, a família havia acabado de jantar. Na cuba e sobre a pia de aço inoxidável, pratos recém-usados, talheres. Na parede, com um rombo aberto pelo fogo, um bonito armário branco de portas verdes. Sob a pia, um gaveteiro envernizado, uma das gavetas aberta, o conteúdo esvaziado por alguém na pressa de fugir. Encostado ao tabique do banheiro, o estrado de uma cama de casal: para a família ter espaço durante o dia, a cama era desmontada. Penduradas num canto do estrado, coloridas roupas de crianças.

Lá fora, fogões a gás, geladeiras e máquinas de lavar roupa, queimados, cobrem o terreno enegrecido e encharcado. Para que morador de favela, morando em precário barraco de madeira, quer máquina de lavar roupa? O monturo tem uma mensagem: os bens de consumo duráveis como investimentos na casa imaginária, a casa que esperam ter um dia, que corresponda à realidade daquelas coisas. São sinais de esperança, modos de se equiparem para dias melhores como os dos ex-favelados do condomínio ali do lado, que há pouco receberam seus apartamentos do governo do Estado e da prefeitura.

image

Nas proximidades, dois homens conversam. “Isso é castigo”, diz um deles. Irrito-me e comento: “Estranho! Só pobre é castigado. Só favela pega fogo, queimando casa de montão”. Um deles responde, surpreso: “É mesmo!” E se retiram. Quatro crianças caminham na minha direção: “Moço! Tira uma foto?” Tiro. “Quando é que a gente vai aparecer na televisão?” Os pobres querem ser vistos. Um senhor muito simples se aproxima, trazendo pela mão o menino Vinícius, limpo e arrumadinho, como sempre acontece com crianças e adultos de favela: compensam na aparência o que lhes falta na vida. Quer que tire uma foto de seu filho pequeno.

Alguns cachorros perambulam. Um deles se deita encostado ao resto de uma parede. “Está esperando o dono, que morava aí; deve estar com fome”, comenta a moradora do barraco vizinho, que não foi queimado. Uma vizinha diz que o incêndio começou quando um homem, na outra ponta da favela, quis pôr fogo na mulher. Ela responde: “Tem que linchar ele! Não lincharam ainda?” As chamas da imaginação vão tomando conta de todos para explicar o inexplicável.

Ali perto, encontro o corpo carbonizado de um gatinho, que não conseguiu escapar. Sinal de fogo rápido. Se os vizinhos não tivessem corrido para retirar crianças pequenas, algumas delas teriam sido consumidas pelo fogo que se espalhou depressa. Duas gêmeas foram retiradas de um barraco por moradores, enquanto outros vizinhos retiravam seus sete irmãos e a mãe carregava uma filha paraplégica. Aqui e ali, alguns moradores desabafam, vários com forte sotaque nordestino: “Saí com a roupa do corpo. Ficou tudo pra trás”.

image

Poderia não ter ficado. Bem ao lado, erguem-se os novos e belos edifícios de um programa habitacional do governo do Estado e da prefeitura, o terreno ajardinado, um menino andando de bicicleta na calçada. É parte do projeto de urbanização da favela, apartamentos entregues aos moradores há pouco tempo pelo governador. Com a novidade, em relação ao Cingapura: além de apartamentos de dois quartos, há varandas de acesso e também apartamentos de três quartos, para as famílias maiores. Há seis meses a prefeitura tenta adquirir do dono o terreno invadido pelos favelados da Diogo Pires, abandonado por uma empresa de reparação de vagões ferroviários. Já há um projeto pronto para extensão do condomínio para aquela área e construção de apartamentos para 400 famílias. Propriedade privada, o governo do Estado nada pode fazer enquanto não se tornar proprietário do terreno. Não fosse esse empecilho, os prédios já estariam adiantados, como vários ao lado, e a favela não estaria lá.

Já no fim da tarde, numa das pontas da favela aparece um grupo que vem trazer lanches e café com leite para os desalojados. Na outra ponta, um homem chega discretamente com seu automóvel carregado de pacotes de leite e os distribui. Na igreja do Jaguaré, um jovem casal, vindo de São Caetano, traz roupas para as vítimas. No cenário escuro dos caibros e paredes carbonizados, bate forte o coração luminoso dos que se esquecem do eu e se pensam como nós.

 

A arte de reinventar o mundo em imagens

Abriu hoje a exposição “A Invenção de um mundo” no ItaúCultural.  É imperdível. Abaixo meu texto publicado hoje no Estadão.

photo-8

La neige qui brule, Bernard Faucon

 

A arte de reinventar o mundo com imagens

Amplo recorte do acervo da Maison Européenne é apresentado a partir de hoje em A Invenção de Um Mundo, que mostra os caminhos da foto contemporânea

Simonetta Persichetti, ESPECIAL PARA O ESTADO

A imagem construída, pensada e formada, antes de tudo, pela subjetividade de seu autor: é essa a temática principal das 127 obras que compõem a exposição A Invenção de Um Mundo, recorte do acervo da Maison Européenne de la Photographie, que o Itaú Cultural apresenta a partir de hoje e até 13 de dezembro. São trabalhos realizados por mais de 30 artistas nos últimos 20 anos, quando cada vez mais a fotografia se impõe como expressão e começa a fazer sua entrada nas galerias, nas feiras de artes e no mercado mundial.

Os curadores, Jean Luc Monterosso, diretor da instituição francesa, e o brasileiro Eder Chiodetto, passaram dois anos vasculhando o imenso acervo da instituição francesa, composto de mais de 20 mil fotografias, para criar uma linha de pensamento e de temas que marcam a fase contemporânea. A fotografia como resultado do sonho, do imaginário (como todas as fotos são), imagens que surgem de uma concepção prévia de direção, produção e montagem, como escrevem os próprios curadores. Paralelamente à exposição, um seminário internacional vai discutir as “invenções” recentes do setor. Com ingressos distribuídos meia hora antes, esses encontros vão colocar nomes fundamentais para partilhar experiências e debater temas relativos à fotografia.

Food-or-Drugs-1988
Food or Drugs, Martial Cherrier

 

Escolher imagens que se repensam a partir dos anos 1980 pode estar em linha direta com o surgimento de livros que passam a pensar teoricamente a fotografia, em especial obras que questionam, ou melhor, recolocam em cena a ontologia da imagem fotográfica, como por exemplo os textos ligados à semiótica que nos ajudam a interpretar a imagem e compreender de forma mais analítica todos os seus indícios.

São imagens como as de Duane Michals, fotógrafo norte-americano que desde que começou a carreira, no começo dos anos 1960, sempre seguiu por seu caminho de autor, produzindo (muito antes de isso ser moda) séries e sequências fotográficas, montagens, sempre ligado a uma narrativa e possivelmente influenciado por profissionais das vanguardas europeias do começo do século 20. Um olhar que foge ao senso comum. Assim como fotografias da francesa Bettina Rheims, que começa seu ofício em 1978, aos 26 anos, retratando andróginos, strippers, prostitutas. Seus registros estão sempre ligados à ambiguidade e provocação, como o que será apresentado em São Paulo, Céne, uma releitura do famoso quadro A Última Ceia. Um tema bastante comum entre os artistas. Outro fotógrafo de destaque é, sem dúvida, Jan Saudek, checo que começa suas atividades nos anos 1950, sempre misturando em seus trabalhos pintura e desenho, colorindo as fotos manualmente, criando cenários expressionistas, nos quais as pessoas se misturam entre a realidade e a fantasia.

2008-011lores
Herbarium, Joan Fontcuberta

 

E mais: as fotos do casal Pierre e Gilles, franceses que buscam na estética pop e totalmente estilizada sua forma de contar a banalidade da vida cotidiana, sem esquecer do catalão Joan Fontcuberta, também exímio na arte da montagem, da fotocolagem e da falsificação de imagem. Tema, aliás, que ele descreve magistralmente em seu livro El Beso de Judas. Famosa também é a série em que relaciona arte e ciência. Dos brasileiros foram selecionadas as fotos objetos de Vicente Mello e o vídeo Identidade, de Cris Bierrenbach, só como exemplo.

Na mostra, as imagens foram separadas em eixos temáticos que abordam questões da memória, de identidade e dos sonhos. Neste último é imprescindível destacar os trabalhos da fotógrafa francesa Sarah Moon, conhecida por seus ensaios na área da moda. Aqui ela aparece com uma série de cunho bastante pessoal na qual aborda o universo feminino.

Trata-se, enfim, de um panorama do universo do imaginário desses artistas, preocupados com temáticas que questionam a própria imagem produzida hoje em dia, sem a menor reflexão e sempre na superfície, como se por ser imagem já desse conta de um conteúdo: “É a invenção de um mundo poético, mas, sem dúvida, também um olhar político de crítica à própria sociedade contemporânea”, afirma o curador Eder Chiodetto.

Serviço

A Invenção de Um Mundo Artes Visuais. Itaú Cultural. Av. Paulista, 149, 2168-1776. 10 h/21 h (sáb. e dom. até 19 h; fecha 2.ª). Grátis. Até 13/12

Direito de resposta do Foto Arte

O prêmio FotoArte Brasília reivindica direito de resposta à carta de Patrícia  Gouveia publicada em meu blog. Meu blog é meu particular e não um órgão de imprensa.Além disso o trama não emitiu opinião nenhuma, só publicou a carta, não concordando com o que o escritório de comunicação afirma de que o Tramafotográfica fez uma crítica. Mesmo assim, acho que eles tem direito de falar, mas aproveito para publicar também a carta do juri que eu não havia publicado. Só gostaria de saber se eles mandaram essa nota de esclarecimento a todos os blogs ou só ao meu. Mas tudo bem. Aí vão portanto as duas cartas. Isso posto, assunto encerrado.

Carta aberta do júri do “2º PRÊMIO FOTO ARTE BRASÍLIA – Natureza, Meio Ambiente e Sustentabilidade”, organizado pela empresa ARTE 21 – Artes e Eventos Culturais Ltda.:

Informamos por meio deste comunicado que:

1 – Nós, integrantes do júri do “2º PRÊMIO FOTO ARTE BRASÍLIA – Natureza, Meio Ambiente e Sustentabilidade”, não tivemos acesso ao teor do  INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONTRATO DE CESSÃO E TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS AUTORAIS antes de o mesmo ser enviado pela organização do Prêmio aos fotógrafos selecionados e premiados. Esse contrato, a ser celebrado entre os fotógrafos selecionados e premiados (cedentes) e a Arte 21 (cessionária, de propriedade da Sra. Karla Osório), deveria prever, conforme o Regulamento publicado no site do concurso, a cessão de imagens para que a empresa organizadora pudesse utilizá-la estritamente para fins de divulgação do próprio Prêmio e para campanhas da ONG WWF.

2 – O júri teve conhecimento do teor deste contrato no dia 28 de setembro de 2009 graças a um email enviado por uma artista pré-selecionada que questionava a redação do mesmo, claramente em conflito com o que previa o regulamento. O questionamento recaía sobre as cláusulas “4” e “6”, do referido contrato, que possuíam a seguinte redação:

4. A CESSIONÁRIA fica expressamente autorizada pelo CEDENTE a executar livremente a montagem das fotografias objeto deste contrato, podendo proceder aos cortes, às fixações e às reproduções necessárias.
 
6.
A CESSIONÁRIA poderá ceder os direitos sobre a(s) fotografia(s) e/ou a conceder autorização de utilização a quaisquer empresas sob seu controle direto ou indireto, bem como a entidade sem fins lucrativos, especificamente à WWF Brasil, sem obrigação de efetuar qualquer pagamento ao CEDENTE.

4 – Por entenderem que a cláusula 4 abre possibilidade para que a Cessionária venha a deturpar a obra cedida por meio de cortes aos quais os fotógrafos não teriam direito de opinar e que na cláusula 6 a Cessionária poderia “conceder autorização de utilização a quaisquer empresas”, subvertendo completamente o que previa o regulamento do Prêmio, os seis jurados encaminharam à organizadora do Prêmio, a Sra. Karla Osório, um pedido formal para que essas cláusulas fossem revistas e o contrato enviado cancelado por meio de um anúncio público.

5 –Após uma intensa discussão e consultas a departamentos jurídicos, a organizadora do Prêmio acatou em cancelar o item 4 do contrato e propôs uma nova redação da cláusula 6 que ficaria da seguinte forma:  
 
“6. O CEDENTE reitera seu aceite formal a todo o teor do Regulamento a que já aderiu de livre e espontânea vontade,  ao inscrever-se  no Prêmio, e cede os direitos sobre a(s) fotografia(s) à CESSIONÁRIA para que a mesma possa utilizá-las estritamente para divulgação do Prêmio, e à entidade sem fins lucrativos, WWF-Brasil, isentando ambas da obrigação de efetuar qualquer pagamento ao CEDENTE, pelo uso das imagens, que são cedidas, conforme previsto no Regulamento, cujo teor fica inteiramente mantido.
 
6 – Os seis jurados após sugerirem as mudanças para que a Cessão de Direitos se adequasse ao Regulamento, decidiu, de forma unânime divulgar esta carta aberta para que não pese sobre eles o falso julgamento de que os mesmos tinham conhecimento da primeira versão da Cessão de Direitos enviada aos selecionados pela organização do Prêmio.
 
7 – O júri do “2º PRÊMIO FOTO ARTE BRASÍLIA – Natureza, Meio Ambiente e Sustentabilidade” foi composto por Eder Chiodetto, Milton Guran, Tiago Santana, Rogério Assis, Susana Dobal, Marcelo Reis e Karla Osório. Assinam essa carta aberta seis dos sete jurados, excetuando-se a Sra. Karla Osório, organizadora do Prêmio.
 
Atenciosamente,
 
 Eder Chiodetto, Milton Guran, Tiago Santana, Rogério Assis, Susana Dobal e Marcelo Reis

Nota de esclarecimento

A organização do 2º Prêmio FOTO ARTE, diante da nota veiculada pelo Trama da Fotografia sobre dois pontos específicos do Termo de Cessão (cláusulas 04 e 06) enviado aos fotógrafos selecionados para a premiação, e considerando o alcance das insinuações veiculadas, algumas inverídicas, presta os seguintes esclarecimentos:

 

  1. Não fomos consultados sobre as críticas veiculadas pelo Trama da Fotografia a partir do dia 6 de outubro de 2009. Dessa forma, ficou impedida a publicação do nosso posicionamento e comprometida a prática do bom jornalismo, com a apuração e a veiculação do contraditório. 
  2. O questionamento sobre as duas cláusulas do Termo de Cessão foi apresentado à organização no dia 29 de setembro. Após cinco dias de análise, no dia 4 de outubro, foi feita a alteração que retirou uma das cláusulas (04) e simplificou a outra (06), reduzindo seu alcance ao regulamento de modo expresso.  
  3. A dúvida levantada no material veiculado pelo Trama da Fotografia, a partir do dia 6 de outubro, já havia sido sanada e comunicada aos fotógrafos no dia anterior, 5 de outubro. Ou seja, o questionamento alçado à irregularidade estava completamente resolvido quando foi publicada a nota sem que a organização do evento tivesse sido consultada. 
  4. Reconhecemos que a redação das cláusulas 04 (montagem de imagens) e 06 (uso restrito das imagens) dava margem a interpretações diversas da prevista no regulamento do Prêmio. Por isso, após consenso entre as diversas áreas envolvidas (organização, jurados, alguns inscritos e departamento jurídico), decidiu-se eliminar a cláusula 04 e reescrever a cláusula 06 detalhando informações que já estavam explicitas nos artigos 52, 55, 58 e 59 do regulamento redigido juntamente com o curador Eder Chiodetto.  
  5. Nosso objetivo foi assegurar que fossem preservados todos os direitos dos fotógrafos e dos beneficiários da cessão de imagens e garantir que não houvesse interpretações dúbias. 
  6. Esperamos que o equívoco reconhecido e prontamente resolvido não ofusque a importância da iniciativa do Prêmio FOTO ARTE 2009, que se destaca nacionalmente de modo positivo e notoriamente sério para fotografia no Brasil. Nossa expectativa é que a premiação, que será realizada nesta terça-feira, 13 de outubro, em Brasília/DF, mereça divulgação ampla e favorável do Trama da Fotografia. 

O Prêmio é iniciativa do FOTO ARTE, um dos principais festivais de fotografia do Brasil, criado em Brasília, em 2002. O festival tem trajetória de seriedade e compromisso com a fotografia, realizou centenas de eventos de âmbito internacional, sempre com catálogos e publicações de qualidade, visando beneficiar e valorizar fotógrafos, dando maior visibilidade aos seus trabalhos e chance de prêmios significativos.

 

O 2ª Prêmio elegeu o tema “Natureza, Meio Ambiente e Sustentabilidade”, unindo a arte da fotografia à conscientização da sociedade, em prol do desenvolvimento sustentável e da preservação ambiental. O Regulamento foi elaborado após longa pesquisa e estudo de vários Regulamentos, inclusive com colaboração do curador Eder Chiodetto, durante mais de um ano.

 

As fotografias selecionadas e premiadas comporão banco de imagens a ser doado à ONG WWF-Brasil, para uso em suas campanhas. Tal escolha deveu-se à solidez e credibilidade da instituição, uma das maiores e bem respeitadas organizações dedicadas à preservação ambiental, atuante em mais de 100 países. Além disso, as imagens integrarão catálogo e exposição coletiva. O Prêmio distribuirá R$ 70 mil reais em prêmios, consolidando-se como um dos principais prêmios do país para fotografia.

 

Reafirmamos que o compromisso do FOTO ARTE é promover a fotografia e seus autores, respeitando seus direitos, valorizando e ampliando a divulgação de sua obra. E mais, entendemos que o 2º Prêmio FOTO ARTE provoca um resgate inovador, associando o meio ambiente com a cultura e colaborando para conscientizar a população sobre o respeito à natureza e a importância da preservação e do desenvolvimento sustentável.

 

Karla Osório Netto

Diretora do FOTO ARTE

A viagem de Thomaz Farkas, na Arte Plural Galeria

fotografia_01

Começa hoje, aqui em Recife, a exposição “Notas de Viagem”, do Thomaz Farkas. É um recorte da mostra que foi apresentada há três anos na Pinacoteca de São Paulo. São 22 imagens que mostram um Brasil registrado nos anos 1970 pelo fotógrafo quando embarcou numa expedição  com biólogo e autor de belas músicas Paulo Vanzolini e com o cineasta Geraldo Sarno.

Abaixo o texto que escrevi para a mostra:

O diário de Thomaz Farkas

Conhecer o Brasil através dos olhos de Thomaz Farkas é uma experiência sempre enriquecedora. Um olhar atento, imagens que nos aparecem demonstrando o que nossos olhos sozinhos, ou desacostumados a ver, seriam incapazes de perceber.

É assim com essas imagens feitas na Amazônia nos anos 70 em companhia de seu amigo Paulo Vanzolini.

Imagens que parecem deslizar ao sabor do rio Amazonas, habitações que surgem, a descoberta das plantas, das pessoas, das embarcações.

O que mais fascina em suas fotografias é a sensação do divertimento, como se a descoberta do invisível fosse uma grande brincadeira para Farkas, como se ele ficasse feliz em poder nos ofertar a cada imagem um detalhe que nos surpreenda.

Mas não é só isso. Imbuído da idéia de conhecer e contar o que é o Brasil, suas imagens tem uma forte dose da fotografia documental, que não apenas registra o que aparece à sua frente, mas traz também a idéia que Farkas tem do Brasil e que dividir com os espectadores. Sua linguagem que fica na fronteira entre a fotografia considerada clássica, e a fotografia moderna, que busca novas formas de visualidade, terminou por criar próprio de fotografar. A narrativa de suas imagens se aproxima muito da do cinema – área na qual ele também atuou com grandeza – não basta uma fotografia, não basta uma imagem sintética e informativa, mas um discurso que vai sendo formado pelo discorrer de várias imagens.

O olho de Thomaz Farkas tem a possibilidade de se encantar e reencantar continuamente. As suas fotografias se reinventam sendo capazes de nos fazer descobrir sempre uma nova história a cada vez que olhamos para elas. Talvez seja essa a função da fotografia e a maestria de um Fotógrafo!

Só para lembrar que no próximo final de semana: de 16 a 18 de outubro a oficina “De olhos vendados”, como Miguel Chikaoka.

 

 

Já estou em Recife….

Para montar a exposição de Thomaz Farkas, na Arte Plural Galeria. A mostra abre na próxima terça, dia 13 de outubro.

ConviteWeb

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 85 outros seguidores