Mario Cravo Neto

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Ele se foi! Cedo, muito cedo! Foi com Mario Cravo Neto que iniciei minhas colaborações para o Estado de São Paulo, em 1996. Foi ele que abriu minha coleção de perfis para o jornal. Doze anos depois, o reencontrei desta vez em sua casa em Salvador, em março deste ano para o projeto “Encontros com a Fotografia”, da Fnac. Neste dia, já abatido pela doença, mas com  bom humor foi muito generoso com a equipe. Falou, e falou muito, contou sua vida profissional, mostrou sua casa seu ateliê, suas fotos e livros. Artista multimídia há muito tempo,  Mario Cravo Neto iniciou na escultura, ainda adolescente, antes de começar a fotografar, ofício que também abraçou bem cedo.

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Não bastava: fez cinema e, em 1976, foi diretor de fotografia do filme “Ubirajara, de André Luiz Oliveira. Em 1991, durante a guerra do Golfo, fez o vídeo “GW 41 – Persian Gulf”, utilizando os noticiários da tv. Na primeira entrevista que me concedeu,em 1996, definiu o que para ele era fotografia: “a fotografia é como uma cicatriz no corpo, às vezes intrigante porque plasma o momento da ação. Por vezes direta e intencional às vezes acidental e ocasional; por serem diversas em seus significados, são marcas que contam mentiras diferentes. A sua função é como de toda grande arte -unir os homens, aproximá-los de uma idéia comum. É como poesia, a mais gestual das manifestações criadoras. Contém em si o sinal da cruz – o elo de ligação entre o céu e o inferno”.

 

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Sobre suas experiências com diversas linguagens: “elas pertencem ao meu desenvolvimento como artista plástico. São minha extensão, os tentáculos que ajudam a me relacionar com o meio ambiente, comigo mesmo e com o futuro. Deixei o cinema, pois não me agradava o tipo de vida que teria de me submeter. Em meus vídeos eu os dirijo, fotografo e edito. Em outras palavras posso contar a história à minha maneira. A curiosidade, a técnica e as linguagens diferenciadas fazem parte do desenvolvimento de todo artista. Sobre suas fontes de inspiração: “os que me inspiram tem sempre algo de poético. São músicos, artistas, fotógrafos, poetas. Tudo o que me toca me inspira”.

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Em 2009, a entrevista, ainda inédita, girou em torno de seu livro “Laróyé”, lançado em 2001, em São Paulo, na própria Fnac, e resultado de 30 anos de registro do carnaval, candomblé e festas populares.Pioneiro em colocar a fotografia no mercado das artes no Brasil, Mario Cravo Neto deixa um vazio sobre o pensar e fazer a fotografia. Espero que suas imagens e seus trabalhos permaneçam sempre como um norte, como linhas mestras e que, acima de tudo, guiem nossos olhos.

Tchau, Mariozinho!

 

na foto: 

Mario Cravo Neto, eu, Rosely Nagakawa , durante gravação do DVD “Encontros com a Fotografia” .

Crédito: Manu Costa

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