Os 40 anos de fotografia de José Albano

Foram comemorados na útima quarta-feira, dia 19 de agosto, com exposição e o lançamento do livro, em Fortaleza, no Memorial da Cultura Cearense – Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, os 40 anos de fotografia de José Albano.

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 Além de apresentar o acervo de Zé Albano desde suas primerias fotos, cenas familiares e seus conhecidos e reconhecidos retratos das criaças Tapebas, o evento também apresenta o projeto “Obra em revista”, iniciativa coordenada pela Terra da Luz Editorial que tem como foco principal apresentar a trajetória de um autor, fazendo dele o guia de sua própria obra.

As imagens de José Albano são referência para uma geração de fotógrafos não só cearenses, mas do Brasil todo. Fromado em Letras, começou como retratista em 1969. Nos anos 70 foi estudar fotografia nos Estados Unidos de onde partiu para viagens pelo Canadá, Estados Unidos e Europa, realizando vários ensaios fotográficos. Trabalhou também com fotojornalismo e publicidade. Mas são seus retratos, especialmente os das crianças indigenas que marcaram nosso imaginário. Sem dúvida, este livro é uma marca para o mercado editorial fotográfico. A exposição, para quem está em Fortaleza, é imperdível.

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A fotografia morreu? Menos, menos, por favor!!!!

Soube ontem que anda ocorrendo uma discussão via twitter ( não tenho twitter, mas confesso que não sei como isso pode acontecer, visto que me parece – mas, com certeza estou enganada – que não dá para expandir uma conversa, enfim!) sobre a morte da fotografia. Confesso que na hora me deu uma vontade enorme de gargalhar! Anda na moda matar: fotografia, fotojornalismo, autores, etc…. Estes factóide mais parecem desabafos ao pé da mesa de um  bar e conversa jogada fora. Menos, por favor, menos! Estamos mudando? Que bom! Vamos ter que aprender a filmar? Excelente! Todos fotografam? Melhor ainda.

pauldelaroche01Só para lembrar ( o que esqueceram e para os que não conhecem) no dia em que a Academia de Ciências e Artes da França tornou pública a invenção da fotografia, o pintor Paul Delaroche (na foto ao lado, 1797-1856) saiu pelas ruas de Paris e aos berros vaticinava: “A pintura morreu! Qualquer um agora pode produzir imagens”. Anos e anos depois essa profecia, como bem sabemos, não se realizou. Ainda bem. Além disso, várias invenções ao surgirem foram duramente criticadas. Quando foi inventada a televisão, o rádio deveria morrer, assim como o cinema: o som do filme acabaria com a magia do cinema. Isso para não falar do surgimento do vídeo. Nada morreu. Até o velho e saudoso LP (vinil) está de volta. Portanto, muita calam nessa hora.  Se como diz a lenda a fotografia libertou a pintura, o digital vai libertar a fotografia.

461px-Delaroche_-_Bonaparte_franchissant_les_AlpesEm tempo: um dos quadros mais famosos de Paul Delaroche, “Bonaparte cruzando os Alpes”foi feito 10 anos após a invenção da fotografia, em 1848….

 

Parabéns! Feliz aniversário!

Não quero e nem vou comemorar o dia internacional da fotografia contando como ela foi inventada, mas mostrando imagens que foram super importantes para mim.Fotografias que fizeram com que eu passasse a me interessar pelo assunto 30 anos atrás. Fotógrafos que me ensinaram a pensar imagens. Não se ofendam os que não estão presentes. Todos me ajudam o tempo todo a pensar fotografia, mas decidi escolher aqueles que para mim foram seminais. Ou, como alguns gostam de dizer,: mestres. Aqueles que muito antes que eu pensasse em me dedicar à fotografia, já tocavam meu coração. O ano? Final dos anos 1970.

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 Hugo Pellis (1882-1943) especialista em literatura e fotógrafo. Fotógrafo friulano,(região nordeste da Itália, cuja capital é Udine) iniciou a fotografar depois da primeira guerra mundial e quis fazer um levantamento antropológico do homem pós-guerra.

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Tina Modotti  (1896-1942) - assim como Hugo Pellis, fotógrafa friulana. Revolucionária, socialista, foi morar no México em 1922 e abraçou a casa dos campesinos.  Fotografou apenas sete anos. Mas deixou uma forte marca na fotografia mundial. Morreu jovem, aos 42 anos.

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Eugene Atget (1856-1927) fotógrafo francês que dispensa apresentações. Ele nos ensinou a olhar.

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Andrè Kertezs (1894-1985), fotógrafo hungaro, criador do conceito do momento decisivo,  nos trouxe o estranhamento do olhar.

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Robert Capa (1913-1954), nada a declarar.

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Edourd Boubat, (1923-1999), o meu preferido.

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Martin Chambi, peruano, pelo que sabe foi o primeiro fotógrafo indigena da América Latina. Simplesmente imperdível.

 

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Manoel Álvares Bravo (1902-2002), fotógrafo mexicano. Quando os surrealistas quiseram cooptá-lo para o movimento, sua reposta foi: “eu não sou surrealista. Surrealista é o México”. D. Manuel, e basta!

Em agradecimento ao meu tio, Manlio Michelutti, que me apresentou muitos fotógrafos!

É amanhã, sábado!

Exposição do João Ripper, na Caixa Cultural da Praça da Sé.

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O fim de fotojornalismo

gammaLá vamos nós de novo. Volta e meia este assunto volta a baila. Quem me conhece, especialmente meus alunos, sabem que há muito tempo venho dizendo isso. Há pelo menos dez anos. Lembro de uma palestra  sobre fotojornalismo no Senac, no começo do novo século, quando disse que o fotojornalismo estava morrendo quase fui apedrejada em praça pública…Coisa de gente que não presta atenção. Agora, de novo, com a morte anunciada da Gamma, este tema retorna como se fosse uma grande novidade. É claro que o fotojornalismo não morre, mas o jeito que ele está sendo feito o matou. Excesso de photoshop, estética publicitária, etc., etc., etc. Também tenho plena consciência de que não dá para ficar num fotojornalismo romântico dos anos 60/70, mas é necessário repensar a  estética jornalística como um todo.

Abaixo o e-mail que Eder Chiodetto, curador e crítico de fotografia  me mandou:

“O Fotojornalismo acabou!!!! É o que diz a representante da falida Gamma no artigo que o Eduardo Knapp nos mandou… “vamos ter que partir para assuntos mais profundos!!!” O tempo passa e aquilo que escrevi naquela matéria em que eu comentava a exposição da Arfoc tempos atrás, e que causou todo aquele rebuliço, vai se confirmando… É claro que o fotojornalismo não acabou e nunca acabará! O que acabou e segue acabando velozmente é o modelo jornal impresso-funcionário-pautinha na mão e fotógrafo bem mandado obedecendo o sistema, contando histórias que não as que ele queria, reproduzindo o aparato ideológico de uma classe que não é a dele enquanto o veículo, mal das pernas por não saber o que fazer com a revolução tecnológica e como se reinventar diante da mídia eletrônica, segue dando mais e mais espaço para a publicidade… e fim das viagens, fim das reportagens, fim das coberturas mais aprofundadas, fim do espaço para publicar… fim! Mas alguém acredita que o mundo está se desinteressando por imagens da sua história cotidiana? Não, né? Então galera, vamos nos reinventar. Sobreviverá quem tiver histórias para contar. Só os amadores temem os amadores. Os profissionais se impõem com ideias, práticas, pesquisa, fôlego. Sim, temos que partir para “assuntos mais profundos”, a moça da Gamma fala o óbvio. E que se criem blogs, sites, coletivos, grupos de discussão, bandos do rolê, mídias alternativas… e depois, naturalmente, as empresas carentes de conteúdo e originalidade virão correndo para nos patrocinar!!!! Vamos inverter o curso das coisas. É um momento de total revisão de paradigmas. E acho fantástico viver nesse momento de turbulência. Quem souber viabilizar sua vontade/necessidade de ser fotógrafo viverá. O Knapp, assim como o Lobão, sempre tem razão: “Foto Divulgador” never more!!! “E mestre João Bittar também: “sem choradeira, vamos trocar o defunto”, que definitivamente não é o fotojornalismo, mas o modelo no qual a maioria ainda insiste.

Agora cada um pense e opine como quiser.

Este assunto também foi tema no facebook, postado pelo André Arruda e, com certeza, em muitos outros lugares….

Eu terei como falar disso com meus novos alunos da Cásper Líbero a partir da semana que vem.

 

Mario Cravo Neto

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Ele se foi! Cedo, muito cedo! Foi com Mario Cravo Neto que iniciei minhas colaborações para o Estado de São Paulo, em 1996. Foi ele que abriu minha coleção de perfis para o jornal. Doze anos depois, o reencontrei desta vez em sua casa em Salvador, em março deste ano para o projeto “Encontros com a Fotografia”, da Fnac. Neste dia, já abatido pela doença, mas com  bom humor foi muito generoso com a equipe. Falou, e falou muito, contou sua vida profissional, mostrou sua casa seu ateliê, suas fotos e livros. Artista multimídia há muito tempo,  Mario Cravo Neto iniciou na escultura, ainda adolescente, antes de começar a fotografar, ofício que também abraçou bem cedo.

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Não bastava: fez cinema e, em 1976, foi diretor de fotografia do filme “Ubirajara, de André Luiz Oliveira. Em 1991, durante a guerra do Golfo, fez o vídeo “GW 41 – Persian Gulf”, utilizando os noticiários da tv. Na primeira entrevista que me concedeu,em 1996, definiu o que para ele era fotografia: “a fotografia é como uma cicatriz no corpo, às vezes intrigante porque plasma o momento da ação. Por vezes direta e intencional às vezes acidental e ocasional; por serem diversas em seus significados, são marcas que contam mentiras diferentes. A sua função é como de toda grande arte -unir os homens, aproximá-los de uma idéia comum. É como poesia, a mais gestual das manifestações criadoras. Contém em si o sinal da cruz – o elo de ligação entre o céu e o inferno”.

 

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Sobre suas experiências com diversas linguagens: “elas pertencem ao meu desenvolvimento como artista plástico. São minha extensão, os tentáculos que ajudam a me relacionar com o meio ambiente, comigo mesmo e com o futuro. Deixei o cinema, pois não me agradava o tipo de vida que teria de me submeter. Em meus vídeos eu os dirijo, fotografo e edito. Em outras palavras posso contar a história à minha maneira. A curiosidade, a técnica e as linguagens diferenciadas fazem parte do desenvolvimento de todo artista. Sobre suas fontes de inspiração: “os que me inspiram tem sempre algo de poético. São músicos, artistas, fotógrafos, poetas. Tudo o que me toca me inspira”.

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Em 2009, a entrevista, ainda inédita, girou em torno de seu livro “Laróyé”, lançado em 2001, em São Paulo, na própria Fnac, e resultado de 30 anos de registro do carnaval, candomblé e festas populares.Pioneiro em colocar a fotografia no mercado das artes no Brasil, Mario Cravo Neto deixa um vazio sobre o pensar e fazer a fotografia. Espero que suas imagens e seus trabalhos permaneçam sempre como um norte, como linhas mestras e que, acima de tudo, guiem nossos olhos.

Tchau, Mariozinho!

 

na foto: 

Mario Cravo Neto, eu, Rosely Nagakawa , durante gravação do DVD “Encontros com a Fotografia” .

Crédito: Manu Costa

Olhares Transversos

Passadas as comemorações em torno da bem sucedida exposição do Clício Barroso, está na hora de nos voltarmos para a finalização das fotografias que a Arte Plural Galeria, vai levar para expor no Paraty em Foco como galeria convidada: “Olhares Transversos”. Sem dúvida, Fernando Neves e Luciana Carvalho são incansáveis em sua vontade em abrir espaço e divulgar a  boa fotografia.

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Crédito: Roberta Guimarães

 

São quatro excelentes profissionais aqui de Recife: Roberta Guimarães, Yêda Bezerra de Mello, Gustavo Bettini e Beto Figueroa. Abaixo o texto de apresentação da mostra e um pequeno aperitivo do que será mostrado.

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Crédito: Yêda Bezerra de Mello

 

Ensaios diferentes, estéticas próprias que se comunicam umas com as outras quando a questão é refletir sobre o que está próximo sem, contudo, brincar de espelhos e muito menos ecoar modismos estéticos. Quatro fotógrafos pernambucanos que são aqui representados pela APG – Arte Plural Galeria, de Fernando Neves e Luciana Carvalho.

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Crédito: Gustavo Bettini

Olhares transversos que nos mostram o homem ligado à terra, nas imagens das olarias de Roberta Guimarães, os retratos e a visão de Cuba de Beto Figueroa, as cidades múltiplas de Yêda Bezerra de Mello e as cidades criadas de Gustavo Bettini.  Propostas que dialogam com as muitas possibilidades de fazer a fotografia, a criação narrativa de história, que nos apresentam vestígios sem nos impor presenças.

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Crédito: Beto Figueroa

O olhar fotográfico de Robert Polidori

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Com certeza, uma das melhores exposições (sem esquecer “Olhar e Fingir”, no MAM_SP) que vi neste ano (pelo menos até agora) foi a de Robert Polidori, no IMS, do Rio de Janeiro. Canadense, morando nos estados Unidos desde criança e colaborador da revista “The New Yorker”, Polidori não fotografa o factual, o ato, a notícia. A começar pelo formato que escolheu: o grande formato (filmes de até 20 x 25 cm) ele nos traz um olhar há muito esquecido nas páginas dos jornais. Ele fotografa as marcas que as tragédias deixaram nas casas, nas paredes. De acordo com uma linguagem onde o fotográfico é o sujeito, ele nos apresenta grandes espaços vazios, abandonados pela presença do homem depois das tragédias.

 

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Até em decorrência da escolha de seu equipamento – que nos apresenta uma riqueza de detalhes e definição invejável  Como está escrito no catálogo: “ao afirmar o vinculo da fotografia com as aparências do mundo, sua obra caminha numa direção oposta às vertentes contemporâneas que investem na distorção de formas, na encenação ou na criação de imagens artificiais a partir de tecnologias digitais”.

 

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Imagens impactantes não apenas pelo tamanho, mas e principalmente pela riqueza de ontologia fotográfica nelas apresentadas, Polidori, sem grandes fogos de artifícios, clichês, ou frases de efeito, nos demonstra que ainda há espaço para a boa fotografia, mesmo quando as fronteiras entre documentação jornalítica e arte se misturam. Como se ele se alinhasse mais para o lado do fotógrafo Alfred Stieglitz que, no início do século XX, ao criar um olhar moderno para a fotografia, tinha entre suas frases preferidas que “a fotografia não é serva da arte” e de que “os forógrafos devem parar de se envergonhar por fazzer fotografia”, do que dos pictorialistas pós-modernos que à exemplo de seus antecessoreres do final do século XIX, faziam de tudo para provar que tudo faziam menos fotografia. Bela mostra, bela escolha do IMS. Provavelmente, assim como a do Paul Strand (que ainda não vi) a exposição do Robert Polidori chegará em São Paulo em outubro. Vale a pena ver! Esta é uma das que eu indico.

Cuide-se Sophie Calle

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Vamos combinar: eu gosto da Sophie Calle, mas gosto muito mais de suas idéias do que das suas realizações. Não a considero fotógrafa, mas acho que o que ela faz sempre desperta interesse. Achava! Fui ver no Sesc Pompéia, na última quinta-feira às 11 horas da manhã a exposição “Cuide de você!“. Além do barulho ensurdecedor dos vários vídeos e dos seguranças que resolveram competir com eles( não sabia quem gritava mais) não havia ninguém. Pude, portanto, ver com bastante calma, ler com todo o tempo e aproveitar bem da exposição. Para mim se trata de uma bela e bem sucedida, além de inteligente, jogada de marketing.

FLIP/PARATYSophie e Grégoire na Flip, crédito: Ag. Estado

Não acredito que Mr X, ou Grégoire Boullier, tenha escrito aquele e-mail.  Além do mais, ele começa sua carta dizendo: “há algum tempo venho querendo lhe escrever e responder ao seuu último e-mail”. Ninguém, nenhuma das mulheres questiona o que ela escreveu no e-mail para ele responder daquela forma?  Interessante a idéia de compartilhar uma carta para tentar demonstrar como cada um a sua maneira intererpreta, compreende e reage a um estímulo.  Não gostei da edição. Se 107 foram as mulheres todas deveriam ser mostradas. A impressão que tive é que foi tudo muito dirigido, daí minha frustração. Eu não achei nada de mais no e-mail do suposto ex-namorado (pelo que se ouviu na Flip, eles se divertiram muito com toda situação, eu também acharia engraçado). Mas enfim, extrapolando, acho que ela traz inúmeras questões que poderiam ser aprofundadas: mundo privado X mundo público, a incomunicabilidade do ser, a importância do aparecer, etc., etc., etc.,  Mas com o disse a idéia era boa a forma como ela tentou resolve-la nem tanto. Achei infantil! Ela tem trabalhos melhores.

 

Verso/Reverso

Estou a caminho de Recife, que a cada dia está me conquistando. Sem dúvida, depois de Roma e São Paulo é a minha cidade preferida. Desta vez estou indo para a abertura e entrevista com o Clicio Barroso, que abre exposição na Arte Plural Galeria, com vinte fotografias onde fala deste ideal de mulher construído pela mídia. Abaixo o texto que escrevi sobre o assunto:

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Belo é feio/Feio é belo

Os conceitos de belo e feio sempre interessaram filósofos e artistas da sociedade ocidental. Visto um em contraposição ao outro, até mesmo no âmbito moral, o belo e o feio permeiam nossos pensamentos. E aparecem agora, também aqui, nesta exposição de Clício Barroso; “Verso/Reverso”. Não são imagens artísticas, mas fotos que pertencem ao campo da mídia, da publicidade. Corpos que nos trazem algo muito caro à nossa época que é a possibilidade de “recriar” o próprio semblante. Máscaras que se apresentam da mesma forma tratadas para apresentar o belo e tratadas para nos apresentar o feio. Em discussão, um corpo mediático. Já disse o professor Ernesto Boccara (da Unicamp), no prefácio do livro “O corpo como suporte da arte”, de Beatriz Ferreira Pires: “o corpo natural, em simbiose com os sistemas naturais, condicionado exclusivamente ou prioritariamente por ciclos biológicos, não existe mais como o conhecíamos. Tornou-se signo condicionado pela dinâmica das mídias, ou seja, tornou-se construção cultural”. Rostos que a mídia foi banalizando, esculpindo, criando, busca de uma singularidade que transformou tudo em igual. Rostos que, assim como Narciso, foram condenados ao amor impossível de ser alcançado visto que nos apaixonamos por imagens.

As fotografias aqui mostradas por Clício nos remetem à beleza de consumo, como a definiu o semiólogo italiano Umberto Eco, em seu livro “História da Beleza”. Ideais de beleza propostos pelo consumo comercial. Banalização de um ideal. Não é novo este tema, visto que a bruxas criadas por Shakespeare em Macbeth já gritavam: “Belo é feio, feio é belo”.

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