
Um excelente ano para todos: leve, ensolarado e divertido!
Feliz 2009!
Até já!

Um excelente ano para todos: leve, ensolarado e divertido!
Feliz 2009!
Até já!
Postado por tramafotografica em rdUTC31UTC12bTue, 23 Dec 2008 11:37:32 +00002008 18, 2007
http://tramafotografica.wordpress.com/2008/12/23/feliz-2009/
Nesta semana ultrapassamos os cem mil acessos!
obrigada a todos vocês que navegam por este blog, que contribuem com seus comentários, que ajudam na discussão e reflexão da fotografia!
Viva!
Postado por tramafotografica em rdUTC31UTC12bTue, 23 Dec 2008 11:32:38 +00002008 18, 2007
http://tramafotografica.wordpress.com/2008/12/23/um-presente-de-final-de-ano/
O texto abaixo foi escrito por Cristiano Mascaro para um especial do Caderno Mais, do jornal Folha de S. Paulo, sobre Cartier-Bresson. Com a devida autorização do autor, reproduzo . Leiam!
Ave Leica – Cristiano Mascaro
Não sei como acontece com outros artistas, os pintores com seus pincéis, os escultores com seus cinzéis, os gravadores com suas goivas .
No entanto posso assegurar que nós, fotógrafos, desenvolvemos uma enorme e saudável relação de afeto com nossas câmeras fotográficas.
Certamente porque elas estão permanentemente por perto, ao alcance de nossas mãos.
Não podemos nos afastar. Estão sobre a mesa de trabalho, dentro da mochila, na bolsa a tiracolo e quase sempre bem pertinho, colada em nossos rostos ou pendurada no pescoço, roçando no coração.
E, se porventura, for uma Leica, é caso de paixão. Não é para menos.
Foram essas câmeras miúdas, que cabem na palma de nossas mãos, que libertaram os fotógrafos pioneiros -Cartier-Bresson, inclusive- da ditadura dos equipamentos enormes, obrigatoriamente apoiados em um pesado tripé.
Daí, descobriram a rua. Podiam caminhar livremente pelas calçadas e fotografar ao mesmo tempo, surgindo assim o que talvez tenha sido uma de suas maiores descobertas: registrar a vida como ela é.
Não somente os grandes acontecimentos, as guerras e as catástrofes naturais, mas sobretudo a vida cotidiana, revelando e tornando grandiosas as miudezas do dia-a-dia.
Hoje, tenho duas câmeras Leica que me acompanham em meus trabalhos, o que me dá uma sensação de segurança, uma certeza de que tudo irá correr bem. Não me desgrudo.
Mas sei que em um futuro muito próximo talvez tenha de abandoná-las. Essa infernal tecnologia digital avança vertiginosamente, os meus filmes estão cada vez mais raros e, dessa forma, já me vi obrigado a comprar um trambolho de 21,5 megapixels. É um horror!
Mal desenhado, pesa uma enormidade, tem exatos 22 botões para acessar suas múltiplas funções, a maioria delas dispensáveis, além de uma alavanca de “liga” e “desliga”.
Sem comentar que me obriga a carregar, quando viajo, uma quantidade inacreditável de cabos, baterias, lap-tops, noves fora seu recurso mais brochante: poder ver, imediatamente, o que acabei de fotografar.
Com minha Leica isso é impossível, felizmente. Dessa forma, não tenho a certeza imediata de nada e, assim, posso me concentrar em meu trabalho como nunca.
Sei que a cada disparo não poderei voltar atrás, o que me torna mais seletivo e rigoroso -isto é, mais senhor do que estou fazendo. Opto pela incerteza, na contramão daqueles que jamais trocariam o certo pelo incerto. Mas a fotografia na qual acredito é assim mesmo.
É a expressão de uma atitude drástica, resultado de uma busca onde há mais surpresas do que certezas.
Cartier-Bresson, Robert Capa, Eugene-Smith, Thomas Farkas, Pedro Martinelli e tantos outros, todos com suas Leicas na linha de mira, não me deixariam mentir ou exagerar.
Postado por tramafotografica em rdUTC31UTC12bTue, 23 Dec 2008 11:26:21 +00002008 18, 2007
http://tramafotografica.wordpress.com/2008/12/23/ave-leica/
Hoje entro oficialmente de férias! Delícia!
Ainda falta escrever a matéria sobre a exposição “Labirinto de Miradas”, resultado da minha conversa com o Claudi Carreras, na Galeria Olido, durante o Encontro dos Coletivos. A matéria é para o Estadão. Provavelmente será publicada no ano que vem (a exposição vai até março). Quando sair, publico no blog.
Neste final de ano, também recebi inúmeros livros, o que demonstra que finalmente temos uma publicação sistematizada de fotógrafos e livros de fotografia no Brasil. Aproveitando as férias vou resenhá-los, um por um aqui no blog. Adiantando os títulos: “Heliópolis”, de Renata Castello Branco; ”A curva e o caminho”, de André François : “Emergentes”, de Érico Hiller e “Onde a água encontra a terra” de Paulo Herkenhoff. Na área teórica, estou devendo há tempos a leitura do “Man Ray a imagem da mulher” de Georgia Quintas, que para mim, já tive oportunidade de escreve-lo, é umnome importante do pensar a fotografia no Brasil e um livro que aparentemente não tem nada a ver com fotografia, mas tudo a ver com minha linha teórica e de pensamento que é “Psicologia cultural da mídia”, de Giuseppe Mininni. Neste livro, só para entender porque vou resenhá-lo para o blog, o autor parte de uma questão crucial que é: “as representações difundidas pela mídia são um reflexo da realidade ou contribuem para construí-la?”. Acho que isso tem tudo a ver também com a representação fotográfica na mídia.
Isso vai me permitir me dedicar com mais afinco ao blog. Tenho muito que escrever pois o próximo ano, com certeza será de muito trabalho e novidades.
A primeira é que iniciei uma parceria com Fernando e Luciana da Arte Plural Galeria de Recife! Estou adoroando. Vamos juntos pensar fotografia e fazer alguns trabalhos em conjunto. Eu que já adoro o Recife, vou ter a oportunidade de estar mais vezes por lá e encontrar os vários amigos que fiz. Aliás já descrevi e escrevi isso em outro post.
Outra novidade é que fui convidada pelo Marcelo Reis (Instituto Casa da Photographia) para levar meu workshop “Pensadores da Fotografia”, para a Bahia, em junho deste ano. Estamos nos acertando e espero que tudo dê certo! Mais uma oportunidade para aprender ouvir e ver o que pos baianos estão fazendo e produzindo!
Terei novos cursos no MAM . Além de continuar escrevendo minhas matérias para o Estadão e a Coleção Senac de Fotografia! Também quero montar o curso “Pensadores da Fotografia 2″ . Enfim, trabalho que não acaba mais.
Postado por tramafotografica em thUTC31UTC12bFri, 19 Dec 2008 10:18:51 +00002008 18, 2007
http://tramafotografica.wordpress.com/2008/12/19/ferias-finalmente/
Começa hoje, na galeria Olido, em São Paulo, o “Encontro de Coletivos Fotográficos Ibero-Americanos”, com curadoria geral de Claudi Carreras e em São Paulo de Iatã Cannabrava. Contemporaneamente poderemos ver a exposição “Labirinto de Miradas” Eu me inscrevi e pretendo participar das discussões. Não poderei estar presente em todas devido aos horários. Mas estarei lá.
Enquanto isso vou pensar um pouco neste fenômeno mundial dos coletivos que em grande parte me lembra o fenômeno acontecido há mais de 20 anos, quando começaram a pipocar pelo mundo várias agências fotográficas. Ok. Eu sei. Os coletivos não são necessariamente agências fotográficas e, é claro, que o momento é outro. Mas as justificativas ou explicações para este fato parecem ser as mesmas: a necessidade de se organizar, de poder se inserir num mercado lotado e uma forma de vencer as grandes agências internacionais. No Brasil especificamente, estas discussões eram muito presentes no final dos anos 70 e inicio da década de 1980, com o surgimento de várias agências mais ligadas ao fotojornalismo.

Coletivo Pandora – Espanha
As preocupações sem dúvida são outras. A estética também. Acho engraçado que em muitos sites e blog tenho visto a explicação do que é um coletivo tirada dos dicionários e usada como introdução ao discurso. O melhor disso tudo é a possibilidade de falarmos de forma aprofundada sobre este assunto, ouvindo, repensando posições, reafirmando outras.

Coletivo ONGV – Venezuela
Outra questão que –acredito eu – será levantada nos debates é a da autoria. A linguagem digital e o tratamento de imagens como forma de pós-produção está na ordem do dia. O trabalho da equipe. Me pergunto, porém, se era diferente quando você passava às vezes dias ao lado do laboratorista discutindo a ampliação de uma imagem, os contrastes, os cortes, etc., etc., etc. Sempre considerei o laboratorista um co-autor, ou pelo menos, um grande parceiro.
Portanto nesta colocação da pós-produção (hoje tudo é pós) também não vejo novidade nenhuma: do quarto escuro, para o quarto claro. Mas estas são firulas!

Coletivo Mondafoto – México
A questão é que estamos diante ou atravessando uma transformação na visualidade. Sempre defendi a idéia de que o digital iria transformar nossa forma de trabalhar, e mais nossa percepção, nossa forma de ver. E pelo que parece ou se lê de trabalhos acadêmicos ou se ouve em discussões de mesa de bar (em geral bem mais divertidas e eficientes) é isso que está acontecendo. Em 2004, a filósofa Dominique Baqué em seu livro “Photographie Plasticienne, l’ éxtrême contemporain”, escreveu: “… que a fotografia por ser um meio de comunicação de massa, como já havia bem definido Walter Benjamin, vai se revelar como um dos mais importantes fatores da desconstrução do mito modernista”, ou seja, da preservação da obra de arte da contaminação da indústria mediática. Numa sociedade pós-moderna onde vivemos “a reprodução da reprodução”, conforme Roland Barthes, ou do “simulacro” se preferirmos Baudrillard, me parece claro que muitos conceitos deferiam ou acabaria por ser re-definidos ou re-significados.
O fenômeno dos coletivos é, portanto conceitualmente e não na sua forma uma questão da pós-modernidade. Por isso este evento é fundamental. O legal disso tudo é que o coletivo multimídia Garapa (que, por sinal, faz um trabalho muito bom, inteligente e com postura) estará fazendo a cobertura diária do evento. Já vale a pena ler a entrevista que fizeram com Claudi que coloca de forma muito precisa o que será discutido nestes dias.
Postado por tramafotografica em thUTC31UTC12bWed, 10 Dec 2008 13:49:56 +00002008 18, 2007
http://tramafotografica.wordpress.com/2008/12/10/encontro-de-coletivos/
Particularmente sempre gostei do trabalho do Luiz Braga. Ele tem uma sutileza e uma delicadeza para descobrir coisas que realmente emociona. Para quem acompanha meu trabalho, já deu para perceber que o que me encanta é a fotografia não tão trabalhada, não tão resolvida, não tão bem acabada. Por que isso, para mim, não faz parte da ontologia da fotografia. Ou como bem disse Roland Barthes num texto escrito nos anos 70 (muito antes do seu “Camara Clara”, nem tão bom como dizem): “imagens que são muito intecionais para serem fotografias e muito exatas para serem pintura, perdendo ao mesmo tempo o escândalo literal e a verdade da arte”.
Assim para mim são as fotografias de Luiz Braga: instântaneos, recortes, detalhes, momentos. Pensados, mas sem muita elaboração, já que isso é material para os teóricos da imagem (sim, eu me incluo nessa), sentidos, vividos.
Hoje à noite, em São Paulo ela lança o livro “Crônica fotográfica do universo mágico no mercado ver-o-peso”. Um livro não tão perfeito, não tão exato, mas por isso mesmo, um livro que nos dá vontade de quero mais.
Crônica Fotográfica do Universo Mágico no Mercado Ver-o-Peso. De Luiz Braga. 132 págs. R$ 45. Livraria da Vila/ Casa do Saber. Rua Dr. Mário Ferraz, 414, 3073-0513. Hoje, 19 h
Postado por tramafotografica em rdUTC31UTC12bWed, 03 Dec 2008 16:15:59 +00002008 18, 2007
http://tramafotografica.wordpress.com/2008/12/03/o-olhar-de-luiz-braga-no-mercado-ver-o-peso/
A história do Pacaembu e seu estádio está nas imagens do livro que Thomaz Farkas lança dia 9
Quando Thomas Farkas estava entrando na adolescência, o bairro do Pacaembu nascia. Um acompanhou o outro. Relação que continua até hoje, visto que Farkas continua morando na região. Cresceram juntos. Surgem aí também as primeiras experiência de Farkas com a fotografia, no fim dos anos 30.
De bicicleta, com sua turma que se autodenominava Esquadrilha Invencível, percorria as ruas ainda sem asfalto. Mais tarde, atravessou os terrenos baldios para pegar o bonde e ir até a faculdade, na USP, onde estudou engenharia. E também acompanhou o plantio das primeiras árvores do bairro, momentos que foram registrados por sua câmera fotográfica. Foi assim que ele se tornou quase um repórter do bairro ao registrar as primeiras ruas asfaltadas, a construção do Estádio do Pacaembu e, mais tarde, os encontros políticos, os jogos de futebol, os torcedores nas arquibancadas de chapéu e gravata e as crianças subindo nas árvores ou nas grades para tentar ver o que acontecia no campo.
Flagrantes engraçados, momentos que se transformaram na memória imagética do bairro. Como a chegada dos barris de cerveja num pequeno caminhão, ou a criança que tenta fechar, ou quem saber abrir, os portões do estádio tendo às suas costas uma arquibancada vazia. Detalhes que fazem parte da vida de Thomaz Farkas.
Parte dessas fotografias foi recuperada pelo fotógrafo e transformada no livro Thomaz Farkas, Pacaembu, que será lançado dia 9. Com texto do próprio autor, numa narrativa memorialista, ele relembra sua chegada, vindo da Bela Vista, a primeira casa ainda nas margens do bairro, quase esquina com a Avenida Paulista, e a mudança para a Rua Itaperuna, bem no centro.
Textos que antecedem as imagens, que contam o que não se pode fotografar. É desse jeito que o jornalista Juca Kfouri, vizinho de Farkas, também participa do livro, narrando sua história no bairro – na verdade mais com o próprio estádio, com as belas jogadas que assistiu, as derrotas, as lembranças. Assim como Farkas, Juca relembra sua primeira ida ao estádio e diz: “Nenhuma dessas histórias tem fotos de Thomaz Farkas. Porque, se tivessem, não precisariam ser contadas.”
E assim é. Suas imagens possuem uma narrativa própria, que dispensa uma explicação textual. Deixam o espectador livre para construir o próprio enredo, imaginar, relembrar. Histórias que são narradas por um olhar que se encanta com o que vê, que fotografa com a intenção de guardar, caso um dia a memória falhe. O objetivo de dividir com os outros aquilo que só seus olhos foram capazes de perceber, destacar e, de certa forma, tornar eterno o efêmero. A leveza de quem fotografa por puro prazer e não para cumprir uma obrigação. Nas suas imagens percebemos que fotografar para ele é reter por mais tempo, é de alguma maneira uma forma de se apropriar da visão que lhe deu prazer.
É com esse espírito que Kiko Farkas fez a direção de arte do livro, com dípticos, trípticos, imagens que se sobrepõem como se estivéssemos vendo um álbum de família, como se pudéssemos acompanhar as histórias narradas por Farkas. Pois é assim que ele fotografa, para um álbum de família. Mas as suas imagens, por uma brincadeira da história, ou do destino, acabaram por sair do âmbito familiar para contar a história da cidade de São Paulo, ou de um pedaço dela, pelo menos.
São registros que saem do imaginário de um adolescente, de um jovem que se transformava com seu bairro e que vê a vida no estádio e o próprio estádio se tornarem os protagonistas de sua história. Ou como ele mesmo escreve: “A memória da gente some aos poucos, e só ficam na lembrança os populares vindo ver os jogos, enchendo as arquibancadas, as ruas em volta, as árvores. O Estádio do Pacaembu era maravilhoso e as fotografias lembram esses momentos preciosos de jogos, gols, derrotas e vitórias.” Assim como é nossa vida.
Postado por tramafotografica em rdUTC31UTC12bWed, 03 Dec 2008 15:52:51 +00002008 18, 2007
http://tramafotografica.wordpress.com/2008/12/03/mais-uma-materia-minha-agora-sobre-o-lancamento-do-livro-do-thomaz-farkas/
Com esta frase o antropólogo Claude Lévi-Strauss, que acaba de completar 100 anos, definou para o jornal francês Le Monde, sua passagem pela fotografia. “Não me considero nem mesmo um amador. Fotografei no Brail, mas depois perdi a vontade”, completou. Mesmo assim, suas fotorafias, aproximadamente 3 mil, feitas no Brasil durante os anos 30 são consideradas importantes para quem acredita em atropologia visual. Mas só soubemos de seu trabalho como fotógrafo nos anos 50 quando ele publicou
“Tristes Trópicos” , Companhia das Letras. Para os estudiosos das imagens de Lévi-Strauss, elas são muito mais do que ilustrações, são retratos, relatos do cotidiano,com uma dimensão de informação fundamental. Diz o antropólogo francês Emmanuela Garrigues: “poderíamos escrever cinco paginas sobre cada uma das imagens: sobre o vestuário, os adornos, a pintura nos rostos. O olhar de Lévi-Strauss é aberto.”. Pode ser. Mas, apesar de ser mais conhecido por suas fotos feitos com os índios, o antropólogo, durante sua passagem pelo Brasil, também fotografou São Paulo. Estas imagens estão no livro
“Saudades de São Paulo”, publicado pelo Instituto Moreira Sales, que tem em seu arquivo as imagens e, infelizmente, esgotado. Também esgotado o livro
“Saudades do Brasil”, também da Companhia das Letras.
Postado por tramafotografica em stUTC31UTC12bMon, 01 Dec 2008 19:39:24 +00002008 18, 2007
http://tramafotografica.wordpress.com/2008/12/01/so-fui-fotografo-no-brasil/