A culpa é minha? Acho que não

Domingo o jornal Estado de S. Paulo publicou um belíssimo artigo (leia aqui -imperdível) escrito pelo fotojornalista Warren Zinn, que cobriu as guerras no Afeganistão e no Iraque e acabou por abandonar o jornalismo e cursar a faculdade de direito. Bom, mas o artigo é mais um depoimento – muitas vezes um mea-culpa, sobre uma imagem que ele fez no Iraque em março de 2003, como fotógrafo da AP (imagem acima). Na foto um soldado de apenas 26 anos carrega uma criança iraquiana ferida após combate. A situação de guerra é gravíssima, mas na sociedade do espetáculo o jovem Joseph Dwyer se transformou da noite para o dia em personalidade, em alguém famoso e conhecido. Adquiriu fama instântanea. Aos 31 anos ele morreu de overdose! A partir destas constatações Warren Zinn reflete sobre o papel da fotografia, da fotografia de guerra, da guerra em si, dos traumas que ela deixa nos jovens e se pergunta se a fama que sua fotografia deu ao jovem soldado não teria influenciado em sua morte! Vale a pena ler o artigo. É muito emocionante. Isso me levou a pensar em outras fotografias que também levantaram questões e discussões a este respeito. A primeira e talvez mais conhecida seja a do fotógrafo norte-americano Eddie Adams de um coronel do Vietnã do Sul assassinando em frente às câmaras um prisioneiro do Vietnã do Norte. A foto chocante, deu muito o que falar (leia aqui). Outra, também conhecida foi a do fotógrafo sul-africano Kevin Carter que fez uma imagem bastente violenta sobre a fome mostrando um abutre espreitando uma criança. A história dele e da foto foi brilhantemente contada no livro O Clube do Bangue-Bangue”. Fotos e fatos que nos levam à inúmeros questionamentos éticos. O texto de Warren é um belo exemplo disso!

About these ads

6 comentários sobre “A culpa é minha? Acho que não

  1. Caríssimos,

    Adoro este assunto. No ano passado, recebi ameaça de morte. Tô no aguardo os ameaçadores… Motivo: ajudei a colocar umas excrecências macunaimicas na cadeia. Como fotojornalista e depois como militante político e não abro. Minha sina é a trincheira.

    De 64 prá cá venho estudando o comportamento do pistoleiro, principalmente quando os grileiros passaram a invadir terras de posseiros que necessitavam tirar o sustento do chão, na unha. A guerrilha do araguaia vei pra exibir a ferida… Viva Osvaldão!

    Lá pelas bandas do Pará, hoje, o maior foco de conflito agrário – alimentado pelos asseclas da ditadura militar que ainda estão no poder dando as cartas atraves do DEM, PSDB e outros antro ligados a UDR de Caiado-, aprendi a detectar um pistoleiro, uma cana canalha, de qualquer antro oficial. O tempo vai dando este traquejo.

    Então já conversei com vários tratando-os como gente normal prá sentir a energia do cara. É como fazer uma psicanalise com o cara sem que ele perceba. Conclusão: o primeiro crime, o desgraçado nunca esqueçe. Nunca mais. Ele nãpo dorme, tá sempre antenado quando vê gente estranha no seu reduto e tenat sempre manter uma redoma intocável. Não funciona. Um dia sempre aparece um outro e bum! Vi isto em Imperatriz no Maranhão às 19:00 de uma março de 1979. Um outro lugar dos “Sarnas” que nunca terá jeito. Baixos salários, grandes latifúndios com chifre ambulantes sobre os pastos, miséria, fome e pistolagem.

    O que tudo lá em cima tem haver com o carinha lá de cima? Tem tudo. Porque o matador jamais dorme em paz. O matador de Bush passou por um processo de despersonalização que não foi suficiente para aguentar o perengue em seu sub criminoso. Ele não nasceu prá matar. Ele nasceu prá plantar flores, gerar filhos, riquezas, amar, etc. Porém, um dia, ele entra nessa, se alista e passa pelo “processo”. Pronto, virou meganha assassino. A rota de sampa e a PM do Rio está cheio de doentes. Basta olhar os últimos fatos.

    Quando o meganha cai em si, que invadiu a casa alheia, pilhou, estuprou, fuzilou tudo pelo petróleo desejado pelas transnacionais, aí ele já está no fundo do poço. É igual o cara viciado em pedra de crack. Não tem volta.

    E tem mais: existem aqueles que se viciam em matar. A droga dele é o ver o corpo do inocente, do invadido estendido no chão. Quando ele retorna prá base organizadora de crimes do império, só lhe resta a bala final.

    FOTOGRAFIA

    Mentalmente, ergo um monumento a todos os fotógrafos que deram suas vidas a serviço do registro da barbárie promovida pelas elites neste planeta que virou uma grande fossa asséptica. Inclsuive para todos os fotógrafos que se suicidaram decorrente desta luta interna diária com os demônios que eles não produziram. Presente!

    Quanto aos meganhas que já foram tarde e que ainda estão aí, assassinando. Que o diabo os afague, de preferência, em vida, claro!

    Antes que eu me esqueça: as PMs que estão aí assassinando, e, as autoridades que passaram a criminalizar atos reenvidicatórios de excluídos, usando estes “despersonalizados de farda”, cumprem um papel traçado pela Escola Superior de Guerra. Ou seja, a ditadura militar está viva! Vejam entrevista do advogado Hélio Bicudo em Caros amigos.

  2. Tambem acho que ele não tem culpa! Pois se esse destino estivesse reservado aos que ganham fama, o que seria desse mundo de celebridades replicantes que compoe o grande rality show de nossos dias? Os fotografos não tem culpa das cenas que refletidas por sua cameras, é necessario refletir e discutir o nosso oficio sim. Torna-se ingenua até a pergunda do ex reporter fotografico norte americano! Não?
    Interessante tambem o texto de W. Carmo sobre as maracutais desse nosso “Brasil varonil”… Coneheimento de causa!… Legal esta o blog!

  3. Cada um tem uma história para lembrar… E a que lembrei foi a do fotógrafo Tiago Brandão que, no começo do ano passado, registrou o desespero de uma mãe para salvar o filho que se afogava num reservatório abandonado no interior de São Paulo.

    Tiago não sabe nadar (ou não sabia até aquele momento)!

    O fotógrafo foi à casa do garoto para saber como ele estava no dia seguinte, mas a família tinha vindo para São Paulo, participar de um programa de televisão…

    RenataC

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s