Só para ficar no espírito 68. No sábado à tarde fui ver a exposição do World Press Photo, no Sesc Pompéia. A Globo News queria me entrevistar sobre a mostra. Cheguei bem antes da equipe televisiva e dei uma boa olhada nas imagens: um resumo só violência em todas as áreas. Ao mesmo tempo imagens que não emocionam mais. Acho engraçado o paradoxo do próprio Gary Knight, presidente do juri, afirmar que está cansado de ver fotos que se parecem com outras fotos que já foram feitas e de fotógrafos que explicam o inexplicável. Sempre achei isso, especialmente no fotojornalismo. Se eu precisar que alguém me explique a foto é porque algo está errado. Mesmo assim, depois de ver a exposição fica na minha mente à questão da bárbarie. Muitos intelectuais discutem a pós-modernidade, países se dizem portadores de civilização e cultura, ma quando olhamos as fotos selecionadas para representar o mundo, só encontramos bárbaros. Problemas do juri? Problemas quem enviou as fotos? Ou não tem nenhum problema? Não sei dizer!
crédito: Tim Hetherington, Reino Unido, Vanity Fair.Soldado dos Estados Unidos descansa em uma trincheira, Vale Korengal, Afeganistão, 16 de setembro
Esta talvez seja uma explicação ( http://spotmeter98.blogspot.com/2008/05/portas-e-intervalos.html ).
Tal como é a minha posição.
Radical? Pois será, mas tenho para mim que existe demasiado compromisso e poucas atitudes que façam alguma coisa nos tempos que correm.
É a questão que vivemos hoje. Partindo das idéias que você falou em aula, transformar as tragédias em espetáculos. E isso acaba se refletindo em tudo.
O problema é que a violência é explorada de forma tão banal que perde sua força, e em alguns casos, acaba virando piada.
Bjus!
O problema não está com você, nem com o fotojornalista e nem com o juri. O problema está nos acionistas da morte de inocentes.
Se um soldado israelense enfia o fuzil sob as veste de uma dama palestina com nojo de tocá-la e ainda tirando cafagestadas em cima da dama invadida várias vezes…
Bem, mas ele não entende de dama, de poesia, o meganha entende de morte. Ele está doente, nasceu doente, e vai continuar doente, e vai morrer doente.
Tire o seu carro do meu
caminho que eu quero respirar
Quero respirar
Quero respirar
Quero passear a pé sem as minhas dores
mas com as minhas minas…
Vai continuar a rolar fotos. Não vejo outra saída para estes maravilhosos cliqueiros.