E a história se repete….

Achei muito interessante ontem quando vi nos jornais uma foto de índios que vivem na divisa entre o Acre e o Peru e que aparentemente ainda não tiveram contato com a chamada “civilização”. Sorte deles! Mas não foi isso que atraiu meu interesse e ,sim, a imagem que é igualzinha áquela feita por Jena Manzon em 1946 quando a equipe da revista “O Cruzeiro” sobrevôou uma aldeia xavante. Vejam!

 crédito: AP/Funai

corrigindo o crédito conforme informação do Eugênio Goulart: Gleison Miranda/Funai

 

crédito: Jean Manzon, revista “O Cruzeiro”, 1946

 

À flor da pele

Marcio Scavone abre exposição e lança o livro “Viagem à Liberdade”, hoje à noite no Museu da Casa Brasileira. Leia matéria no Estdão (só para assinantes). Quando fui entrevistar o Marcio para a matéria o livro estava chegando da gráfica. Foi muito bom poder então conversar com ele folheando a publicação e vendo as ampliações que hoje estarão no Museu. Há muito não me emocionava tanto com um trabalho, pela sua beleza, delicadeza e cuidado, tanto de edição, ma sobretudo de impressão. Marcio foi cuidadoso, o livro tem textos e legandas em português e japonês. Metade do livro se lê e vê de forma ocidental a outra metade de maneira oriental. Paralelamente a Revista National Geographic Brasil também dedicou 18 páginas para o ensaio. Como só assinatens poderão ler a matéria na Internet, reproduzo abaixo alguns trechos:

Foram cem dias caminhando pelo bairro da Liberdade durante dois anos, cem dias para celebrar o centenário da imigração japonesa. Marcio Scavone teve seu primeiro contato com o lugar ainda nos 70 quando foi levado por seu pai.

 

 Guiado por seu olho resolveu entrar na ponta dos pés pela Liberdade, procurando fazer amigos, ouvir histórias, acompanhar a vida dos que lá moram, trabalham. Saiu do comum, do convencional. Quem conhece e freqüenta o bairro, com certeza vai reconhecer lugares, quem não andou com a atenção devida por lá vai querer voltar e ver com seus olhos o que Marcio Scavone viu por nós.

 

 

“Viagem à Liberdade” é muito mais do que o retrato de um bairro é a liberdade que Marcio Scavone se permitiu de olhar e observar: “não pretendi ter uma compreensão intelectual e profunda do Japão nem de todos os desdobramentos de seus códigos sociais e de ética pessoal”, registra em seu texto. Rendeu-se, porém, à vontade de narrar esta história, talvez muito mais sua do que do bairro, mas sem dúvida é uma homenagem a ele e as pessoas que o habitam. Um relato em busca da delicadeza!

 

 

Eu no Sesc-Pompéia

Neste e no próximo final de semana estarei no Sesc-Pompéia para um mini-curso sobre fotografia e história, (leia aqui). Gostei muito de criar e desenvolver este programa. Nos obriga a ler e reler vários livros, além de nos trazer novas dúvidas. No momento em que se comemoram os 40 anos de 1968, vai ser uma boa oportunidade para uma bela discussão com os participantes sobre a história feita pelas imagens e pelas imagens feitas pela história. Estou empolgadíssima!

Não é bem assim!

O artigo de ontem do Ombudsman da Folha de São Paulo traz três imagens, que segundo ele, por terem sido identificadas de forma errônea transformara-se em mentiras. Até aí tudo certo e concordo com ele. Só gostaria de ressaltar que, enquanto muitos falam da foto que mente, que foi alterada, etc; na maioria dos casos é o texto que leva a uma compreensão errada da imagem e é a legenda – lida antes da foto – que mente, ou erra, ou engana, etc. Isso porque – não é o caso das imagens apontadas no texto – muitas vezes os editores de texto descontextualizam a imagem: ou seja ela foi feita para um determinado fim, mas como ele só a percebem como ilustração a adaptam para outro. Como se ela servisse para tudo. Não é, nem nunca foi bem assim! Uma foto feita para contar uma história não pode ser utilizada para contar outra completamente fora do contexto original. Daí a importância do bom pesquisador iconográfico, do editor da imagem e dos bons indexadores dos bancos de imagens.

Dito isto, me parece que o próprio ombudsman acaba se confundindo ao falar da foto do Joe Rosenthal, a fomosa foto de 1945 e que já foi discutida várias vezes no cinema. (leia aqui) Diz o jornalista que ele é publicada como se fosse a primeira do local e que determina o fim da guerra que na verdade continuou. O que se discute sobre esta imagem não é bem isso: sabe-se que ela não é a primeira, mas a segunda e ninguém fala do fim da guerra ,mas sim do imagético simbólico no qual se transformou. O que se discute na verdade é que Joe Rosenthal pediu para os soldados repetirem a cena da colocação da bandeira que já  havia acontecido. O que se discute é a armação da imagem: com discussões a favor e contra. e não se é a primeira ou a segunda. Inegável porém sua força, visto que volta e meia ela retorna à páginas dos jornais.

De qualquer maneira vale a pena ler o texto da Folha e retomar a antiga discussão- tão velha quanto o próprio fotojornalismo – a necessidade de editores da imagem que atuem como tal e que conheçam além da técnica, e de jornalismo a história da fotografia.

Estranhamento do olhar 2

 

 Ao abrir minha janela de manhã, dei de cara com este cachorro me olhando.

Balenário Camboriú, maio-2008

Estranhamento do olhar

Foto enviada pela fotógrafa Teresa Maia, de Recife,  Sertão de Ouricuri!

Somos cem mil!

Hoje à noite o fotojornalista Evandro Teixeira lança em São Paulo o livro: “68 Destinos: a Passeata dos Cem Mil”. Tem matéria minha sobre isso hoje no Estadão. Evandro Teixeira está no jornalismo há 50 anos, ou como ele mesmo diz: “comecei na época do jornalismo romântico”.O livro – acompanhado de outras fotos da época e, no meu entender, muito mais fortes e significativas,  tem como foco principal a famosa “Passeata dos Cem Mil” que aconteceu na Cinelândia, em junho em 1968, meses antes da decretação do AI5 que fechou o congresso e nos jogou num dos períodos mais escuros de nossa história.  A foto de Teixeira sintetiza bem o sentimento de uma época de profundas e dolorosas transformações em várias partes do mundo. O rosto dos manifestantes espelha um momento da história do País. Fase esta que nossofotojornalismo ajudou a construir em imagens, quando a foto no jornal não era mera ilustração, mas informação, voz. “Não era como o jornalismo de hoje, que é pautado pela pressa e falta de profundidade.” Imagens que vistas agora com a distância do tempo lhe dão a certeza de ter feito a escolha certa em relação à carreira: “O jornalismo me deu o mundo!”

SERVIÇO: Lançamento do livro “68: Destinos. Passeata dos 100 Mil” (Editora Textual, 120 páginas, R$ 98,00).

DATA: 20 de maio de 2008, terça-feira, às 19h.

ABERTURA: Apresentação de Evandro Teixeira sobre seu trabalho em 1968.

LOCAL: Livraria Saraiva – Shopping Paulista, Rua Treze de Maio, 1.947 – Paraíso, São Paulo.

 

I have a dream

Só para ficar no espírito 68. No sábado à tarde fui ver a exposição do World Press Photo, no Sesc Pompéia. A Globo News queria me entrevistar sobre a mostra. Cheguei bem antes da equipe televisiva e dei uma boa olhada nas imagens: um resumo só violência em todas as áreas. Ao mesmo tempo imagens que não emocionam mais. Acho engraçado o paradoxo do próprio Gary Knight, presidente do juri, afirmar que está cansado de ver fotos que se parecem com outras fotos que já foram feitas e de fotógrafos que explicam o inexplicável. Sempre achei isso, especialmente no fotojornalismo. Se eu precisar que alguém me explique a foto é porque algo está errado. Mesmo assim, depois de ver a exposição fica na minha mente à questão da bárbarie. Muitos intelectuais discutem a pós-modernidade, países se dizem portadores de civilização e cultura, ma quando olhamos as fotos selecionadas para representar o mundo, só encontramos bárbaros.  Problemas do juri? Problemas quem enviou as fotos? Ou não tem nenhum problema? Não sei dizer!

crédito: Tim Hetherington, Reino Unido, Vanity Fair.Soldado dos Estados Unidos descansa em uma trincheira, Vale Korengal, Afeganistão, 16 de setembro

Nas sombras de um sonho

Finalmente temos no Brasil um livro que fala de fotografia de moda. É o livro do professor Claudio Marra, que a Editora Senac comprou os direitos autorais, traduziu e já colocou nas livrarias. Encontrei este livro numa livraria italiana em 2005. Depois de lê-lo fiquei absolutamente apaixonada pelo enfoque que o autor – um professor de história da fotografia e de cultura da moda na universidade de Bologna – dá para a fotografia da moda. Como diz o fotógrafo Marcio Scavone, na orelha do livro: “como um meteóro incandescente de idéias desta obra de Claudio Marra desaba no nosso telhado  de “ingênuos” consumidores ou criadores de imagens, jogando luz em cantos obscuros, ateando fogo a conceitos e interpretações quase dogmáticas neste campo tão exasperadamente aberto da fotografia”.

E la nave va

Acaba de sair da gráfica o volume 14 da Coleção Senac de Fotografia. Desta vez é com a fotógrafa de publicidade  e moda Ella Dürst. Uma pessoa instigante, cheia de humor e de ponderações muito interessantes. Curiosa, perspicaz, é capaz de rir de si mesma (coisa rara neste meio), fazendo comentários contundentes – facetas que transparecem em suas fotografias. Com elas não existem meias-palavras: “gosto de fotografar, gosto de fotografar”. Além disso ela traz também neste livro suas fotos experimentais.Agora eu e Thales Trigo meu parceiro na organização da coleção já estamos com mais dois livros na boca do forno. Esta coleção tem como objetivo oferecer um panorama dos fotógrafos e da fotografia brasileira nas mais diversas áreas, como moda, publicidade, fotojornalismo e a fotografia experimental e autoral, de conceituação difícil.

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