De bem com o mundo!

“Um projeto que pretende divulgar imagem que possam trazer conceitos de paz, dignidade, ética é amizade”. Começa assim o release do  ”Imagens da Paz” - lançado oficialmente no último dia 18, em São Paulo, idealizado pelo fotógrafo Eduardo Barcellos. Como uma resposta às inúmeras imagens de violência, agressões, guerras, crimes, etc, etc, etc, a que somos submetidos diariamente. Uma maneira de mostrar o outro lado da moeda. Sim, porque trata-se sempre da mesma moeda. Mas o que seriam imagens da paz? O que seriam imagens que reforçam conceitos positivos? “Imagens da Paz é uma iniciativa inovadora que cria um banco de fotos on-line, disponibilizando gratuitamente, imagens que reflitam mensagens positivas e conceitos ligados à paz, definidos assim pela UNESCO: amor, cooperação, felicidade, honestidade, humildade, liberdade, paz, respeito, responsabilidade, simplicidade, tolerância e união. As imagens serão cedidas por importantes fotógrafos profissionais para campanhas e ações promovidas por ONGs e instituições sem fins lucrativos que compartilhem dos mesmos ideais.”

Não sei. Mas com certeza é algo que precisamos refletir. Perdemos o tempo da contemplação. Ou pelo menos ele se transformou. Portanto imagens que valem hoje tem que ter sempre algo de impactante de sensacionalista que fere, mas não produz reflexão. Ao nos propor novas formas de fotografar, ou melhor de mostrar imagens, porque acredito que esse tipo de imagem sempre foi feita, o projeto “Imagens pela Paz” nos convida a refletir sobre algo que esquecemos que é enxergar, aprofundar, parar e pensar.

A idéia não é nova. Edward Steichen, (1879-1973) nos anos 50,  – mais precisamente em 1955 – ao propor a exposição “The Family of Man”, queria justamente isso: mostrar como somos todos humanos e únicos e que, apesar de tudo, como diz Susan Sontag: “a despeito de todas as suas falhas e vilanias, somos criaturas atraentes”. 503 fotos de 273 fotógrafos de 68 países foram expostas no MOMA de Nova York.  Há tempos procuramos algo que nos devolva a humanidade perdida, a capacidade de nos emocionarmos, de termos compaixão pelo outro, não de forma burlesca ou espetacular (de espetáculo, não de fantástico) mas como uma maneira de me enxargar no outro. A exposição de Steichen foi montada 10 anos após a 2ª Guerra Mundial. O mundo estava procurando se reconstruir. Imgens da Paz surge num momento em que o espetáculo já tomou conta de tudo e talvez seja uma maneira de nos devolver, se não for a paz, a capacidade de contemplar. A idéia já atraiu vários profissionais como Gal Oppido, Cristiano Mascaro, Roberto Linskier, Cássio Vasconcellos, Ana Lúcia Mariz, entre outros.

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