Todos os olhares desfeitos e refeitos

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Cristiano Mascaro abre hoje – no Instituto Tomie Ohtake -  exposição para a qual selecionou 50 imagens – muitas delas inéditas. Uma panorâmica de seus 40 anos de atividade fotográfica. É a primeira vez que ele desvincula uma exposição de um projeto definido. Ao mesmo tempo também lança o livro “Desfeito e Refeito” que faz parte da Coleção Educação do Olhar  da Bei Editora . O livro também traça sua trajetória na fotografia, suas influências tanto fotográficas, quanto literárias.

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Conhecemos muito de Mascaro, seja por seus livros, exposições e palestras. Mas ver o desenvolvimento, ou melhor o percurso de seu olhar, nestes anos todos é perceber como nosso olhor cresce se transforma, mas como também se mantém coerente com uma estética que fez a fotografia ser reconhecida como expressão autônoma muito antes destas experimentações de estética vazia que invadem as galerias de hoje.

Para quem é assinante do Estadão – tem matéria minha hoje.

Todo mundo fotografa. E daí?

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Virou lugar comum. Cada vez que entrevisto um fotógrafo, estou em sala de aula ou mesmo numa conversa descontraída em um bar, alguém empre acaba citando a famosa frase: “Também, hoje todo mundo fotografa”. Nunca concordei com esta frase. Se pensarmos bem, e basta também olhar a tirinha abaixo, o homem desde que o conhecemos como tal deixou marcas de sua passagem pela terra: traços, desenhos, pinturas, gravuras, quadros, fotografias, enfim imagens das mais variadas formas. E guardadas as devidas proporções de tempo e população, sempre fomos invadidos por imagens. Então o que está acontecendo agora? Talvez uma maior facilidade de produzir e enviar imagens. Na mesma proporção em que as pessoas as apagam. Até porque se alguém não quiser tirar uma foto não adianta o celular ter câmara, andar com a digital na bolsa, etc. A camara digital só veio facilitar a vida de quem já gostava de fotografar. Ok, concordo também incentivou. Ma repito e daí? Eu, particularmente acho muito bom que todo mundo esteja fotografando. Talvez seja uma maneira de nos alfabetizarmos visualmente, de passarmos a discutir a produção de imagens e de chamar cada vez mais pessoas para entender e discutir a imagem. Às vezes tenho a impressão – e seria rídiculo – que os escritores começassem a falar: “não escrevo mais já que agora todo mudo é alfabetizado e escreve!”.  Então vamos procurar dar um sentido para esta discussão. O fato de mais e mais pessoas produzirem registros não faz delas fotógrafas, assim como o fato de alfabetizar pessoas não cria necessariamente Machados de Assis. Mas sem dúvida para ambos os casos é a porta de entrada. Que bom se todos nós pudessmos fotografar, escrever, tocar um instrumento e ter uma educação para compreender pintura, música, literatura e fotografia. O que não pode acontecer é que só porque fotografou pode expor; assim como não é só porque escreveu pode publicar (embora sejam inúmeros os casos de péssimos autores milionários e de péssimos fotógrafos que invadem as galerias do mundo todo. Mas esta e uma outra história). Parece que o fotógrafo hungaro Moholy-Nagy chegou a afirmar (e sua frase foi reproduzida no texto “Pequena História da Fotografia” de Walter Benjamin, escrita em 1931) que “o analfabeto do futuro não seria quem não soubesse ler ou escrever, mas quem não soubesse decifrar imagens”. Portanto, ao invés de reclamar, não seria o caso de aproveitarmos este momento em que as imagens proliferam (embora a maioria não seja vista por ninguém) e discutir o papel da imagem na sociedade. Será que não é o momento de nos aprofundarmos sobre este fenônemos assim como outros teóricos, curiosos, metidos e menos fizeram quando a fotografia foi inventada? Será que vamos sair novamente às ruas (eu não com certeza) como o pintor Paul Delaroche que no século XIX decretou o fim da pintura, para dizer que a fotografia está morta?

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Vamos parar com esta conversa. Todo mundo fotografa, sim! Inclusive eu. E daí?

Humor (de volta)

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A charge havia saído pois não conseguia controlar seu tamanho. Acho que agora vai!

De novo: pra quem não conseguir ler a legenda: “Os paparazzi estão saindo do controle!”

Família Ferrez

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Não bastava o Marc Ferrez (1843-1923) ser um dos nossos melhores fotógrafos do século XIX, agora também descobrimos que seus filhos também fotografavam e o melhor, fotografaram a família Ferrez. O pai trabalhando, a mãe dentro de casa e muitas vistas, assim como seu pai. Quem nos traz este legado, são  mais uma vez, Pedro Karp Vasquez e Julia Pelegrino. A mesma dupla que fez a curadoria do Gilberto Freyre (leia aqui).

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 Claire Ferrez, esposa de Marc, fotografada por seu filho Julio

 

A exposição que traz os trabalhos da família Ferrez inaugura hoje no CCBB do Rio. São 396 imagens descobertas em 2005 pelos pesquisadores. Também será lançado um catálogo com todas as fotos e textos do próprio Pedro e da antropóloga Lygia Segala. Algo imperdível para estudiosos e pesquisadores.

Os olhos da Magnum

No ano passado a Magnum chegou aos 60 anos. Hoje abre exposição na Galeria da Caixa Cultural na Av. Paulista. É a primeira vez que esta exposição está no Brasil . Escrevi um texto hoje para o Estadão (lei aqui, conteúdo livre) onde na verdade conto um pouco do que é esta cooperativa e dos sonhos que criou em muitos fotógrafos durante muito tempo. Hoje a Magnum está ligada aos nomes de seus fundadores, faz parte da história da fotografia. Seus associados mais recentes são ótimos profissionais, mas sem dúvida o charme que fundou a Magnum ficou no final dos 40.

Um centro para a fotografia!

Será inaugurado hoje, na Galeria Olido,  o Centro de Fotografia com  o intuíto de acompanhar o desenvolvimento da fotografia brasileira a partir dos anos 70 e resgatar a história da fotografia brasileira vasculhando os acervos institucionais.  O livro de B.J. Duarte, lançado no ano passado pela  Cosac Naify  já faz parte deste projeto. Ligado ao Centro Cultural São Paulo, o Centro de Fotografia está sob a curadoria de Monica Caldiron e Henrique Siqueira.

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Oficialmente a inauguração será hoje com exposição de Preto e Branco de  Fernando Lemos! Na ocasião também será lançado o edital de fotografia para novos projetos.

Arcimboldo voltou!

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O fotógrafo britânico Carl Warner, está criando e fotografando paisagens feitas com legumes. A idéia porém é um estranhamento no olhar ou seja uma alteração da percepção. À primeira vista não se percebe que são legumes ou pratos.

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Bom não existe novidadade nenhuma nisso. O pintor italiano Arcimboldo já fez quadros usando legumes e a fotógrafa, também britânica Madame Yevonde, fez um super buquê, usando repolho roxo, sem falar no famoso pimentão do Edward Weston.

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Mas os pratos, desculpem, as paisagens criadas por Carl são bem divertidas e mais criativas do que fotos que usam chocolate, caviar, brilhantes, etc.

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E como se não bastasse

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Pedro Karp Vasquez também me enviou o catálogo da exposição: “Gilberto Freyre: interpréte do Brasil”, que está no Museu da Lingua Portuguesa. Pedro é um dos curadores desta mostra, ao lado de Elide Rugai Bastos e Júlia Peregrino. A exposição é simplesmente fantástica e as imagens selecionadas uma preciosidade. Eu particularmente adoro baús de fotos, imagens de família e fotobiografias. Gosto de ficar olhando álbuns de rememorar épocas e da função memorialista da fotografia. Como se por meio das imagens conseguíssemos desvendar aos poucos o personagem. Na  exposição o efeito é o mesmo.

Um belo presente

Acabo de receber de Pedro Karp Vasquez um belo presente.Um CD sobre a Princesadigitalizar0001.jpg Isabel. Para sermos mais  exatos:”Princesa Isabel: retratos fotográficos nas Coleções Museu Imperial e Arquivo Grão Parã”. Resultado de uma pesquisa bem feita, aliás não podemos negar que Pedro é um dos grandes intelectuais da fotografia brasileira. Um pesquisador sério, no verdeiro sentido da palavra. O ensaio foi organizado pelo setor do arquivo Histórico do Museu Imperial, chefiado por Maria de Lourdes Parreiras Horta. O projeto concebido e organizado por Maria de Fátima Moraes Argons, que também participa da pesquisa,  dá continuidade à série de publicações por meio digital que vem sendo feita pelo Museu. Uma forma de presevar e reunir nossa memória iconográfica. Na verdade o CD é uma fotobiografia da Princesa Isabel. Um belo trabalho que ajuda na divulgação da fotografia brasileira nas aulas, nos debates, nos encontros. 

Imagens se repetem

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Em 1975 o fotógrafo Stanley Forman registrou o momento em que uma mulher e uma criança caem de uma escada de segurança ao tentar fugir de um incêndio em um prêdio em Boston. E foi desta imagem (acima) que eu me lembrei quando eu vi a foto do bebê sendo jogado da janela pelo pai durante um incêndio em um prêdio na cidade alemã de Ludwigshafen.

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 São imagens que se assemelham pelo horror. O menino foi salvo por um policial quanto à foto de 1975 não sei o que aconteceu! A imagem do bebê na Alemanha é AFP.

Alguém também pode lembrar da imagem do homem que se jogou das torres gêmeas durante o 11 de setembro.  Claro que devem existir outras. Mas  eu particularmente lembrei das duas primeiras.

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